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EUA e Cuba

Travessia ilegal dispara após boatos de fim de política de asilo

Depois de anúncio de retomada de relações entre EUA e Cuba, a Guarda Costeira interceptou três vezes mais balsas na Flórida

Travessia ilegal dispara após boatos de fim de política de asilo
Guarda Costeira intercepta barco perto de Key West, na Flórida (Reprodução/ U.S. Coast Guard / AP)

Depois que Cuba e Estados Unidos anunciaram que iriam restabelecer relações diplomáticas, o número de cubanos que tentam chegar ilegalmente ao território americano dobrou. Os dados foram divulgados na última segunda-feira, 5, pelos funcionários da Guarda Costeira americana.

O tenente comandante Gabe Somma, porta-voz do sétimo distrito da Guarda Costeira em Miami, disse que o órgão capturou, interceptou ou deportou 421 brasileiros, desde 17 de dezembro do ano passado, sendo a maioria dos casos na Flórida. Durante todo o mês de dezembro de 2013, o número total de imigrantes cubanos que tentaram chegar aos territórios americanos foi de 222 pessoas. Pouco antes do anúncio histórico, entre 1º e 16 de dezembro de 2014, apenas 132 cubanos foram impedidos de chegar à costa dos EUA.

Segundo a Guarda Costeira americana, esse aumento significativo do número de imigrantes cubanos foi favorecido por boatos de que a chamada política de asilo poderia ter um fim abrupto a partir de 15 de janeiro. A Lei de Ajuste Cubano, vigente desde 1966, e a política de asilo, conhecida como “pé seco-pé molhado”, estabelecem que os cubanos que chegam a solo americano podem ficar, enquanto os interceptados no mar, mesmo que a poucos metros da margem, são devolvidos a Cuba.

O governo dos EUA, por sua vez, diz não ter planos para mudar a política. O Congresso teria que mudar a Lei de Ajuste Cubano ou o embargo comercial e econômico. “Não há mudança na lei de imigração. Este boato simplesmente coloca as pessoas em perigo”, disse Somma.

Por quase 50 anos, os cubanos tiveram um privilégio exclusivo. A Lei de Ajuste Cubano deu a eles um caminho praticamente garantido para a residência legal e até mesmo uma eventual cidadania. Ao longo dos anos, centenas de milhares de cubanos percorreram caminhos perigosos de jangadas para a Flórida e viagens terrestres através da América Central e México, sabendo que não seriam deportados. Agora que EUA e Cuba estão negociando um retorno às relações diplomáticas plenas, muitos cubanos querem saber por quanto tempo a política de “pé molhado e pé seco” vai continuar.

Fontes:
O Globo-Travessia ilegal de cubanos aos EUA dispara após rumor de fim de política de asilo
Terra-Cuba avalia diálogo migratório com EUA, mas pede fim de Lei de Ajuste

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