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Trégua na Síria aprofunda divergências entre Kerry e o Pentágono

Pentágono tem sérias ressalvas em relação ao cessar-fogo e aos planos do secretário de Estado de trabalhar em conjunto com a Rússia no conflito

Trégua na Síria aprofunda divergências entre Kerry e o Pentágono
Carter e Kerry em um evento para debater a coalizão contra o Isis (Foto: Wikimedia)

cessar-fogo na Síria começou oficialmente após o pôr-do-sol da última segunda-feira, 12. O acordo de trégua é fruto de um esforço conjunto entre Estados Unidos e Rússia, que defendem lados opostos na guerra, mas tem em comum a luta contra o Estado Islâmico (Isis).

Contudo, o cessar-fogo acabou por aprofundar as divergências entre o secretário de Estado americano, John Kerry e o Pentágono.

Isso porque, o plano anunciado por Kerry e pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, determina que, se o cessar-fogo continuar durante sete dias e a ajuda humanitária conseguir chegar às áreas sitiadas, Moscou e Washington vão dar início aos seus planos de conduzir operações militares conjuntas no país.

Porém o secretário de Defesa, Ashton B. Carter, tem profundas ressalvas sobre esse plano. Ele foi um dos membros do alto escalão do governo que se posicionou contra o acordo de trégua e refuta a ideia de uma possível parceria militar com a Rússia.

O presidente Obama, no entanto, aprovou a ideia de Kerry, apesar das críticas do Pentágono. Além do órgão, outros integrantes do governo também estão duvidosos quanto ao acordo.

“Eu acho que nós temos algumas razões para sermos céticos se o os russos vão ser capazes ou se vão querer executar o acordo da forma como foi descrito. Mas vamos ver”, disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest.

Na opinião de Kerry, os Estados Unidos precisam fazer de tudo para restringir as forças do presidente sírio Bashar al-Assad, que insiste em bombardear civis. Para Kerry, a busca pela redução da violência na Síria é uma questão de legado e de reputação.

As diferenças de opinião entre Kerry e Carter reflete o conflito inerente na política de Obama na Síria. Ele se recusou a intervir mais na guerra civil síria, que segundo as Nações Unidas já matou mais de 400 mil pessoas. Porém, ao deixar o exército americano fora da Síria, ele abriu espaço para a Rússia assumir um papel de liderança na região, tanto no campo de batalha quanto na mesa de negociações.

O resultado é que agora os Estados Unidos vão ter que compartilhar inteligência com um de seus maiores adversários, a Rússia, para combater um inimigo em comum, o Estado Islâmico.

Fontes:
The New York Times-Details of Syria Pact Widen Rift Between John Kerry and Pentagon

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