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REVIRAVOLTA

A triste lógica por trás da guinada na guerra da Síria

Com fortes indícios de ter sido promovido por Assad, ataque com gás sarin em Idlib gerou uma reviravolta no conflito

A triste lógica por trás da guinada na guerra da Síria
Ao não impor limites à suas ações, Assad reforça a supremacia do regime (Foto: Twitter)

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Após seis anos de conflito sangrento, a guerra na Síria parecia estar finalmente entrando em sua reta final. Em setembro do ano passado, após tortuosas negociações, Rússia e Estados Unidos fecharam um acordo de cooperação que previa o compartilhamento de inteligência sobre missões na Síria e há sete dias Washington declarou que retirar Bashar al-Assad do poder não era mais uma prioridade do governo americano. Para completar o cenário, o exército sírio avançava na retomada de territórios do Estado Islâmico (Isis).

Então, o que explica a guinada observada nos últimos dias, com bombas de gás sarin sendo lançadas contra civis e o bombardeio dos EUA contra uma base militar síria em Homs?

Segundo um artigo do New York Times, primeiro, a errática decisão do governo sírio de aproveitar o momento para reafirmar seu domínio sobre a população, usando bombas de gás sarin. A ação deixou mais de 70 mortos e foi o mais sangrento ataque químico desde o ocorrido em 2013, em Damasco, que deixou 1.429 civis mortos, sendo 426 crianças.

O governo sírio negou a autoria dos ataques por meio de uma declaração do ministro das Relações Exteriores, Walid al-Moallem. Porém, governos ocidentais consideraram a resposta superficial, quase sem consideração pelos fatos.

Segundo analistas ouvidos pelo ‘NYT’, longe de ser um “arroubo de loucura inexplicável”, o ataque foi cuidadosamente calculado por Assad. O objetivo era provar para a população a falta de misericórdia do regime para desestimular qualquer questionamento. A busca do regime pela supremacia passa pelo ato de tornar a vida o mais insuportável possível para qualquer um que viva em áreas fora de seu controle. É o caso da província de Idlib, onde ocorreu o ataque. Grande parte da região era controlada por uma aliança entre rebeldes e jihadistas.

Monzer Khalil, que atua como médico na província, explica que a extrema tática de lançar o ataque sem se preocupar com a presença de civis e crianças (as principais vítimas do ataque) demonstra a impunidade do governo, desmoraliza seus oponentes e prova à população o punho de ferro do regime. Segundo ele, ao não impor limites às suas ações, “o regime mostra ao mundo a impotência e a fraqueza do Ocidente”.

A opinião é corroborada por Bente Scheller, especialista em Oriente Médio da fundação alemã Heinrich Böll. “Militarmente não há necessidade. Mas passa a mensagem: você está sob a nossa misericórdia. Não apele para as leis internacionais. Veja que elas não protegem sequer uma criança”, disse o especialista ao ‘NYT’.

Fontes:
The New York times-The Grim Logic Behind Syria’s Chemical Weapons Attack

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1 Opinião

  1. E. Coelho disse:

    Não é possível acreditar que o governo sírio tenha feito isso. Agora que os insurgentes estão perdendo várias posições, ou seja, perdendo a guerra, o governo sírio não tinha qualquer necessidade de fazer isso.
    Brevemente saberemos quem é quem!

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