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CANADÁ

Trudeau demite embaixador que opinou em caso Huawei

Sem dar detalhes, o primeiro-ministro canadense pediu a renúncia do embaixador John McCallum, acusado de constranger o governo ao comentar o caso

Trudeau demite embaixador que opinou em caso Huawei
Demissão de McCallum expõe racha diplomático entre China e Canadá (Foto: John McCallum/Facebook)

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, demitiu o embaixador canadense na China, John McCallum, no último final de semana. Na semana passada, políticos da oposição pressionaram Trudeau a retirar McCallum da função.

Isso porque, o, agora, ex-embaixador saiu em defesa da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, em relação a uma possível extradição da executiva para os Estados Unidos. Para McCallum, Wanzhou teria “bons argumentos” para conseguir se manter em território canadense.

A afirmação não repercutiu bem dentro do governo canadense, que tenta se afastar das polêmicas envolvendo a empresa de tecnologia chinesa, deixando a questão ao encargo da Justiça. McCallum chegou a voltar atrás e pedir desculpas na última quinta-feira, 24. No entanto, na última sexta-feira, 25, voltou a constranger o governo canadense ao afirmar que seria “ótimo para o Canadá” se os EUA desistissem do pedido de extradição.

Diante da repercussão negativa, Justin Trudeau afirmou, no último sábado, 26, que havia pedido e aceitado a renúncia de McCallum, não revelando maiores detalhes sobre o caso. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, também preferiu não comentar, afirmando que a decisão era um assunto interno do Canadá.

No entanto, Shuang voltou a falar da diretora da Huawei, exortando a Justiça do Canadá a tomar a “decisão correta” e libertar Wanzhou. A executiva chinesa chegou a ser presa em dezembro, sendo liberada 11 dias depois, sob o pagamento de fiança de US$ 7,5 milhões. Atualmente, a diretora está em regime de prisão condicional, vivendo sob observação em sua casa em Vancouver.

Um editorial publicado no jornal chinês Global Times na noite do último domingo, 27, demonstra a insatisfação chinesa com o caso de Wanzhou. Usando a demissão de McCallum como base, o Global Times acusa a política canadense de tentar interferir em decisões judiciais envolvendo a situação da diretora da Huawei.

“Ottawa é, agora, tão sensível quanto um pássaro assustado. Algumas palavras do embaixador não deveriam ter qualquer impacto nas decisões judiciais. […] O que aconteceu com o ‘estado legal’? A única explicação está, provavelmente, em uma consciência culpada. Ottawa reconheceu claramente que prender Meng era contra o espírito legal básico”, diz o editorial.

A demissão de McCallum é apenas mais um capítulo da tensão entre Canadá e China, que se iniciou em dezembro, com a detenção provisória da diretora da Huawei, Meng Wanzhou. No início de janeiro, o Canadá revelou que pelo menos 13 canadenses haviam sido presos entre janeiro e dezembro.

Atualmente, o governo canadense observa a situação de três de seus cidadãos com muito cuidado: o ex-diplomata Michael Kovrig, o empreendedor Michael Spavor e Robert Lloyd Schellenberg. Este último, inclusive, foi condenado à morte por um suposto contrabando de drogas.

O cerco à Huawei

Com o objetivo de instalar redes de internet 5G em diferentes países do mundo, a Huawei tem enfrentado muitos problemas. Alguns países já proibiram a instalação da tecnologia, enquanto outros chegaram a deter funcionários da Huawei acusados de espionagem. Esse, inclusive, seria o maior temor dos governos no que diz respeito à empresa chinesa.

A Huawei, por sua vez, nega todas as acusações. A empresa de tecnologia sempre esclareceu que está focada apenas no avanço tecnológico, afirmando que não tem nenhum tipo de envolvimento com possíveis espionagens do governo chinês.

Segundo uma reportagem da agência estatal chinesa Xinhua desta segunda-feira, 28, representantes chineses na Europa continuam a destacar que a empresa chinesa não representa nenhum tipo de ameaça. O embaixador chinês no Reino Unido, Liu Xiaoming, escreveu ao Telegraph pedindo para que “não escutem os alarmistas”.

Já ao Financial Times, o enviado da China para a União Europeia, Zhang Ming, apontou como “calúnia” e “discriminação” o cerco feito à Huawei em diferentes países. O embaixador garantiu que as tentativas de conter o avanço da tecnologia chinesa acarretaria em “sérias consequências”.

Ademais, Ming, sem nomear culpados, apontou que a batalha contra a Huawei pode ter viés político, e não de segurança, como tem sido apontado. De acordo com o embaixador, “alguém não está poupando esforços para fabricar uma história de segurança sobre a Huawei”.

Na semana passada, a Vodafone, segunda maior empresa de telefonia celular do mundo, anunciou que iria suspender parte da implementação de equipamentos de tecnologia da Huawei. Segundo o executivo-chefe da empresa, Nick Read, os equipamentos seriam mantidos fora do “núcleo”, que seria a parte mais importante da rede.

 

Leia mais: China acusa os EUA de intimidação tecnológica

Fontes:
CNN-Canada's relations with China were already bad. Then Trudeau fired his ambassador
Xinhua-Chinese envoys say fabricated accusation against Huawei harmful to free, fair competition
The New York Times-In 5G Race With China, U.S. Pushes Allies to Fight Huawei

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