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EMBARAÇO DIPLOMÁTICO

Trump cancela viagem à Dinamarca

Decisão foi anunciada após a primeira-ministra do país chamar de ‘absurda’ a ideia dos EUA comprarem a Groenlândia – um território semiautônomo dinamarquês

Trump cancela viagem à Dinamarca
Trump anunciou sua decisão via Twitter na última terça-feira, 20 (Foto: Flickr/The Epoch Times)

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou uma viagem marcada para a Dinamarca, após a primeira-ministra do país rejeitar, em entrevistas, a possibilidade dos EUA comprarem a Groenlândia – ilha localizada no Atlântico Norte que é território semiautônomo da Dinamarca.

No último domingo, 18, em viagem pela Groenlândia, Mette Frederiksen classificou “absurda” a discussão sobre a compra e destacou que a ilha “não está à venda”.

“Felizmente, o tempo em que se comprava e vendia países e populações acabou. Vamos deixar isso assim. Brincadeiras à parte, adoraríamos ter uma parceria estratégica ainda mais estreita com os EUA”, disse Frederiksen a repórteres durante a viagem, na qual se reuniu com o chefe de governo local, Kim Kielsen.

Diante dos comentários de Frederiksen, Trump usou sua conta no Twitter, na última terça-feira, 20, para informar que adiaria a visita a Copenhague, marcada para os dias 2 e 3 de setembro, na qual estava previsto um encontro com a primeira-ministra.

“Baseado nos comentários da primeira-ministra Mette Frederiksen sobre o fato de não ter nenhum interesse em discutir a venda da Groenlândia, adiarei para outro momento nossa reunião prevista para dentro de duas semanas”, escreveu o presidente americano, destacando que Frederiksen poupou um grande esforço para os EUA e para seu país “sendo tão direta”.

Posteriormente, a visita foi oficialmente cancelada. O episódio gerou embaraço diplomático entre os EUA e um antigo e estratégico aliado. Nesta quarta-feira, 21, em entrevista ao programa “New Day”, da emissora CNN, o ex-embaixador americano para a Dinamarca, Rufus Gifford, disse que a decisão de Trump não é a forma correta de se tratar um aliado.

“Sinceramente, eu acho triste. Porque essa não é a forma de se tratar um aliado. E cancelar a viagem desta forma [via Twitter] é uma vergonha. Absolutamente uma vergonha”, disse Gifford.

Gifford atuou como embaixador americano para Dinamarca na gestão de Barack Obama. Na entrevista à CNN, ele destacou que, durante sua atuação, “teve a grande responsabilidade de ir ao governo dinamarquês solicitar tropas para lutar no Iraque e na Síria”. “E eles foram e lutaram ao lado de nossas tropas, e morreram ao lado de nossas tropas”, disse Gifford.

Durante a gestão Obama, a Dinamarca se juntou à coalizão americana para combater o Estado Islâmico. O Departamento de Estado dos EUA incluiu o país na lista dos provedores de armamentos e munições para combate ao grupo terrorista. Além disso, a Dinamarca também é um dos membros fundadores da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

“Não é a forma de se tratar um aliado leal, com séculos de relações diplomáticas. É um episódio muito triste para mim”, lamentou Gifford.

A discussão sobre a compra da Groenlândia pelos EUA veio a público na semana passada, após ser revelada em uma reportagem do jornal Washington Post, que ouviu duas fontes do governo americano ligadas à discussão.

Não é a primeira vez que os EUA tentam comprar a ilha. Foram registradas tentativas em 1867 e em 1946, após a Segunda Guerra Mundial. Alguns fatores despertam o interesse dos EUA pela gélida ilha. Primeiro, a abundância em recursos naturais que ela guarda. Segundo, sua posição estratégica para os EUA: a ilha é onde fica a Base Aérea de Thule, a base militar mais ao norte dos EUA, construída em 1951. Ela é de grande importância para detectar eventuais mísseis balísticos vindos da Rússia.

Trump justifica a proposta de compra afirmando que a venda da Groenlândia beneficiaria tanto os EUA quanto a Dinamarca, que, segundo ele, tem sido financeiramente prejudicada pela ilha. Porém, a ideia é rejeitada pelo governo dinamarquês e pela população local da Groenlândia. Segundo noticiou o Guardian, consultados em entrevistas, residentes locais afirmaram, entre outras coisas, considerar a proposta “louca” e “arrogante”.

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1 Opinião

  1. Almanakut Brasil disse:

    E que peguem carona para saber que o Brasil também não está à venda.

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