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Trump coloca deputada muçulmana no centro de uma polêmica

Presidente americano divulga vídeo intercalando cenas do 11 de setembro com trecho de discurso da deputada muçulmana Ilhan Omar

Trump coloca deputada muçulmana no centro de uma polêmica
Após a repercussão do vídeo, Omar passou a receber ameaças de morte (Foto: Lorie Shaull)

Uma polêmica envolvendo os ataques de 11 de setembro tomou o cenário político americano no último fim de semana.

A controvérsia teve início na última sexta-feira, 12, quando o presidente Donald Trump postou em sua conta oficial no Twitter um vídeo de 43 segundos, intitulado “Nós nunca esqueceremos!”.

O vídeo mostra imagens das torres gêmeas do world Trade Center em chamas e desmoronando, intercaladas com um trecho de um discurso da deputada muçulmana Ilhan Omar, feito em 23 de março, para representantes do Conselho de Relações Americano-Islâmicas (Cair, na sigla em inglês), um grupo de direitos civis.

No trecho do discurso, Omar diz: “Algumas pessoas fizeram alguma coisa”, enquanto sua fala é intercalada com imagens do atentado. Até a manhã desta segunda-feira, 15, o vídeo já havia recebido 250 mil curtidas e foi replicado 92 mil vezes.

Segundo noticiou o jornal USA Today, parlamentares republicanos acusam Omar de minimizar os ataques com sua fala ao se referir aos terroristas como “algumas pessoas” e ao atentado como “alguma coisa”. Porém, democratas e críticos de Trump saíram em defesa da deputada, apontando que a fala de Omar usada no vídeo foi retirada de contexto.

Na realidade, o comentário de Omar exposto no vídeo faz parte de um discurso no qual ela criticou o tratamento dado a muçulmanos nos EUA após o 11 de setembro, como se todos fossem terroristas ou simpatizantes dos ataques.

“Aqui está a verdade. Nós temos vivido durante muito tempo com o desconforto de sermos cidadãos de segunda classe e, francamente, eu estou cansada disso, assim como todo muçulmano neste país deveria estar. O Cair foi fundado depois do 11 de setembro porque eles reconheceram que algumas pessoas fizeram alguma coisa e que todos nós estávamos começando a perder o acesso às nossas liberdades civis”, disse Omar no discurso.

Na ocasião, o jornal Washington Post checou a declaração e revelou que, na realidade, o Cair foi fundado em 1994. Um assessor de Omar disse ao jornal que a deputada se equivocou e que, na verdade, quis dizer que o grupo dobrou de tamanho após os ataques.

No início deste mês, a declaração tornou a causar polêmica, após ser compartilhada pelo deputado republicano Dan Crenshaw, do Texas, que descreveu a fala de Omar como “inacreditável”.

O presidente do Comitê Nacional Republicano também criticou Omar, classificando-a como “anti-americana”.

A deputada se defendeu das acusações, relembrando uma frase do ex-presidente George W. Bush, dita no âmbito dos ataques, na qual ele também se referiu aos terroristas como “pessoas”. “As pessoas – e as pessoas que derrubaram as torres terão nossa resposta em breve!”, disse Bush na ocasião. Na postagem na qual compartilha a frase do ex-presidente, Omar questiona: “Bush estava minimizando os ataques? E se ele fosse muçulmano?”.

Com a repercussão do caso, Omar passou a ser alvo de ameaças de morte. No último domingo, 14, a presidente da Câmara dos Representantes, a deputada democrata Nancy Pelosi, informou que a segurança de Omar foi reforçada e estendida a sua família e membros de sua equipe.

Pelosi acusou Trump de fazer uso de uma retórica de ódio e inflamatória que cria um perigo real. Pelosi também afirmou que “Trump não deveria fazer uso de dolorosas imagens do 11 de setembro para um ataque político”.

Estreante em Washington, Omar foi eleita em novembro do ano passado, pelo estado de Minnesota. Uma das primeiras mulheres muçulmanas a ser eleita e a primeira congressista do país a usar o véu islâmico hijab, Omar é filha de imigrantes somalis que chegaram aos EUA como refugiados.

Esta não é a primeira polêmica envolvendo a deputada. No início de março, ela foi acusada de antissemitismo por comentários críticos a lobistas pró-Israel. “Eu quero falar sobre a influência política neste país que diz que é aceitável que as pessoas pressionem por lealdade a um país estrangeiro”, disse Omar na ocasião, sugerindo que Israel demanda apoio de congressistas americanos.

Omar disse que as críticas dirigidas a ela na ocasião eram uma forma de encerrar o debate sobre o tema, e que o fato de ser muçulmana faz tudo que ela diz sobre Israel ser encarado como antissemitismo.

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1 Opinião

  1. Leonora Hermès Luz disse:

    Exatamente. Se o que ela diz for dito por um católico branco de olho azul passa ser perfeitamente normal.
    O Trump é sempre o vetor da discórdia e do preconceito. Triste ver o quão desprezível que pode ser um parlamentar quando eles deveriam ser o exemplo.

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