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NUCLEAR!

Trump e a explosiva decisão de romper o acordo com o Irã

Trump isola o governo americano de seus aliados na Europa que pretendem manter suas empresas em Teerã livres de sanções

Trump e a explosiva decisão de romper o acordo com o Irã
Pelo jeito, Donald Trump vai brincar sozinho em casa (Foto: Flickr/Gage Skidmore)

Teve o barulho de um botijão de gás explodindo dentro de casa – mas ao mesmo tempo, do lado de fora, o efeito de um estalinho lançado pela janela – a decisão americana de retirar Washington do acordo nuclear com o Irã. Os parceiros europeus dos Estados Unidos já mandaram avisar que não pretendem seguir o explosivo Donald Trump em mais uma de suas intempestivas decisões que preveem o restabelecimento de sanções econômicas ao país do Oriente Médio.

No momento em que Trump fazia seu pronunciamento, o presidente francês Emmanuel Macron, a chanceler da Alemanha Angela Merkel e a primeira-ministra britânica Theresa May se reuniram em videoconferência para discutir uma posição conjunta. Eles lamentaram a decisão americana. “O regime internacional de não proliferação nuclear está em jogo”, advertiu Macron, anunciando a intenção de buscar um novo tratado, mais amplo que o atual.

O isolamento de Washington

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Boris Johnson, já anunciou que os britânicos não pretendem abandonar o acordo. “Em vez disso, iremos cooperar com outras partes para garantir que, enquanto o Irã continuar restringindo seu programa nuclear, seu povo irá se beneficiar da suspensão de sanções, em linha com a parte central do acordo”, disse.

Assim, Trump isola o governo americano de seus aliados na Europa que pretendem manter as empresas do velho continente livres de sanções econômicas por se aproximarem de Teerã. A estratégia europeia visa proteger suas corporações com negócios no país islâmico bem como manter um programa do Banco Europeu de Investimentos (BEI), que garantiria linhas de crédito a empresas em razão do impacto das eventuais sanções aos bancos internacionais.

Segundo a agência de notícias Associated Press, o cientista político do Centro Europeu para Relações Internacionais, o alemão Joseph Janning, aponta que a estratégia americana de sair do acordo, deixando um tempo aos europeus para renegociar com o Irã, tem segundas intenções: “A saída de Trump contém um elemento temporal. Ele vai tentar aumentar a pressão sobre os países signatários do acordo para que lhe entreguem algo a mais. Podemos chamar isso de blefe. Sair do acordo seria contra os interesses dos EUA”, afirmou.

Em Teerã como em Havana

Na verdade, também os interesses econômicos de empresas europeias com negócios com Teerã são atingidos pelas sanções americanas. Novos e futuros contratos sofrerão a inevitável represália de Washington, numa reedição da Lei Helms-Burton que, em 1996, propunha embargo econômico total a Cuba, suspendendo ajuda a qualquer nação que cooperasse com Havana para concluir a construção da usina nuclear de Cienfuegos.

Já a Federação das Indústrias Alemãs alertou que eventuais represálias de Washington contra empresas que negociarem com Teerã contrariam a lei internacional. “Rejeitamos a aplicação extraterritorial de sanções e pedimos para que a União Europeia encontre uma solução para proteger as empresas europeias da ilegal e unilateral aplicação de sanções dos EUA”, disse em comunicado. O país se irritou quando o embaixador americano Richard Grenell tuitou, esta semana, que “empresas alemãs fazendo negócios no Irã devem encerrar as operações imediatamente”.

Pelo jeito, Trump vai brincar sozinho em casa. Não se sabe se com o estalinho ou com o botijão de gás.

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