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Trump extingue comissão que analisa fraude eleitoral

Comissão bipartidária foi criada pelo próprio Trump para investigar possíveis fraudes eleitorais nas eleições de 2016

Trump extingue comissão que analisa fraude eleitoral
Donald Trump acreditava em fraudes eleitorais nas eleições de 2016 (Foto: Flickr)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, extinguiu uma comissão criada por ele mesmo para investigar possíveis fraudes eleitorais nas eleições de 2016. O anúncio foi feito pela Casa Branca na última quarta-feira, 3, devido à recusa de vários estados do país em fornecer informações para que a investigação fosse feita.

A comissão foi criada em 2017, pois, segundo Trump, “milhões de pessoas votaram ilegalmente”, o que teria resultado em sua derrota para Hillary Clinton nos votos populares. Em 2016, o atual presidente americano foi eleito com a maioria dos votos nos colégios eleitorais, mas teve menos votos da população do que a adversária democrata. Por outro lado, a Comissão Eleitoral Federal certificou os resultados oficiais.

“Apesar das provas substanciais de fraude eleitoral, vários estados se recusaram a fornecer à comissão presidencial sobre integridade eleitoral as informações elementares. Em vez de se envolver numa batalha jurídica sem fim às custas do contribuinte, o presidente Donald J. Trump assinou uma ordem executiva para dissolver a comissão e pediu ao Departamento de Segurança Interna (DHS) que reavalie as descobertas inicias e determine o rumo a seguir”, explicou a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders.

Mesmo com as alegações de Trump, especialistas e autoridades eleitorais afirmaram que não poderia ter ocorrido uma fraude em uma escala tão grande. Além disso, os estados americanos que recusaram o pedido do presente explicaram que não repassaram as informações solicitadas – como número de segurança social e histórico de votos -, porque elas poderiam ser usadas para privar eleitores do direito de votar.

Além de alegar proteção aos eleitores, existia o receio de que, se os estados cumprissem as solicitações das informações, estariam legitimando a possibilidade de fraude eleitoral generalizada, o que muitos estudos mostraram não ser o caso. Uma pesquisa de um professor da Escola de Direito de Loyola mostrou que, em 1 bilhão de votos entre as eleições de 2000 e 2014 nos Estados Unidos, apenas 31 casos foram considerados fraude. Em 2012, um estudo do Pew Research Center encontrou milhões de registros inválidos, mas com “evidência zero de fraude”, já que se tratavam de eleitores que morreram ou se mudaram do país.

Apoios e críticas

O republicano conservador Kris Koback, secretário de Estado do Kansas e vice-presidente da comissão, disse que a decisão de acabar com a comissão era uma “mudança de tática”, explicando que os democratas não queriam as investigações desde o início. “Seu lema era: ‘não há nada para ver aqui'”, disse o republicano.

Já líderes democratas afirmam que o fim da comissão é uma prova de que ela própria era uma fraude. “Não é nenhuma surpresa que uma comissão fundada com base numa mentira de fraude eleitoral generalizada provou ser uma fraude em si. Nenhum dólar dos contribuintes deveria ter sido desperdiçado na cruzada de supressão de eleitores do senhor Trump”, apontou o secretário de Estado da Califórnia, o democrata Alex Padilla.

O diretor do Projeto de Direito de Voto da União Americana das Liberdades Civis, Dale Ho, disse que a comissão se envolveu em uma “perseguição desenfreada”, afirmando que Trump “tentou e falhou na divulgação de suas notícias falsas”.

Fontes:
DW - Trump dissolve comissão sobre fraude eleitoral

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