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VIOLÊNCIA EM CHARLOTTESVILLE

Trump não sabe o que significa ser presidente

Diante da violência em Charlottesville, Trump se mostrou inapto, moralmente estéril e com temperamento impróprio para o cargo que ocupa

Trump não sabe o que significa ser presidente
Contradições, ego inflado e equívocos não são características de um presidente (Foto: Flickr/Gage Skidmore)

Simpatizantes de Donald Trump costumam apontar dois argumentos a favor do presidente americano: que ele é um homem de negócios que vai limitar os excessos do Estado; e que ele fará os EUA se levantarem novamente ao abolir os tabus politicamente corretos da esquerda e da elite.

No início, tais argumentos pareciam promissores, mas a coletiva de imprensa dada por Trump em 15 de agosto, em meio à violência em Charlottesville, fez cair por terra as esperanças.

Com comentários improvisados, a coletiva foi a terceira tentativa de Trump de lidar com os confrontos entre participantes da marcha supremacista e integrantes de um contraprotesto ocorrido no último fim de semana. Ao afirmar que “dois lados” foram responsáveis pela violência, Trump se distanciou da condenação inicial aos supremacistas brancos que marcharam em protesto contra a retirada da estátua do general confederado Robert E. Lee de Charlottesville. A fala não deixou dúvidas de qual lado do conflito é mais próximo de Trump.

Trump não é um supremacista branco. Ele condenou grupos nazistas e lamentou a morte da assistente jurídica Heather Heyer, atropelada quando um supremacista furou um bloqueio feito pelo contraprotesto. No entanto, a instabilidade de sua resposta ao episódio foi uma perigosa mensagem para os americanos. Longe de ser o salvador da República esperado, Trump se mostrou inapto, moralmente estéril e com temperamento impróprio para o cargo que ocupa.

A começar pela inaptidão. Esta semana, Trump falhou em um dos mais simples testes políticos: condenar o nazismo. Embora tenha começado no caminho certo no pronunciamento de sábado, 12, ele desfez todo esse trabalho na segunda-feira, 14.

A inépcia política de Trump tem origem em uma falha moral. Alguns manifestantes contrários à marcha, de fato, foram violentos, e Trump poderia incluir críticas duras a eles em algum momento de seu discurso. Mas equiparar à marcha ao contraprotesto revela seu caráter superficial.

Cenas gravadas mostram integrantes da marcha carregando cartazes fascistas, tochas, pedaços de pau e escudos enquanto cantavam “Judeus não vão nos substituir”. Em contraponto, imagens do contraprotesto mostraram cidadãos comuns gritando contra os supremacistas. E eles estavam certos ao fazer isso: os supremacistas brancos anseiam por uma sociedade baseada em raça, algo que os EUA lutaram para impedir na Segunda Guerra Mundial.

Somada à inépcia está o mau temperamento de Trump. Em tempos difíceis, um presidente tem o dever de unir a nação. Trump conseguiu fazer isso no pronunciamento de sábado, mas não conseguiu sustentar o esforço por mais de 24 horas, pois não consegue ir além de si mesmo. Um presidente precisa deixar suas visões de lado e agir em nome do interesse nacional. Em vez de honrar seu cargo, Trump está preocupado em honrar a si mesmo e em levar crédito por suas supostas conquistas.

Os EUA tiveram diferentes tipos de presidentes, todos eles capazes de gerir o país. Ronald Reagan tinha compasso moral e autoconhecimento para tocar estratégias políticas. Lyndon Baines Johnson era um homem de temperamento difícil, mas tinha habilidade para alcançar bons objetivos. Trump não tem competência nem autoconhecimento, e esta semana demonstrou não ter caráter para mudar.

Fontes:
The Economist-Donald Trump has no grasp of what it means to be president

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3 Opiniões

  1. Jorge Hidalgo disse:

    Para alguns, muitos quiçá, que achavam que “empresários” – “adorei” a expressão “homem de negócios” (deveria acrescer escusos a negócios e aí a coisa fechava) – empresários seriam a salvação das lavouras aqui e acolá, sinto avisar que nada de bom se pode esperar…

  2. jan disse:

    Como sempre que ha algum assunto ideológico em pauta, a grande mídia não mostra o outro lado e persegue Trump. Ele tem toda razão ao questionar o papel do grupo Black Lives Matter no episodio. A manifestação era pacifica ate esses grupos chegarem. Um louco resolve atropelar um bando e a causa ganha seu mártir de oportunidade.

  3. Lucinda Telles disse:

    Tolice culpar um homem pelo “espírito coletivo” de seu povo. Os americanos apenas demonstram que a guerra da Secessão foi mal resolvida.

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