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POLÍTICA MIGRATÓRIA

Trump pode enviar militares para reforçar fronteira com o México

Presidente americano expressou preocupação em relação a uma caravana de migrantes que saiu da América Central em direção ao norte

Trump pode enviar militares para reforçar fronteira com o México
Trump tem focado seus esforços para reformar a política migratória americana (Foto: Facebook/Donald J. Trump)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua sua batalha contra a imigração ilegal. Após criticar duramente o México e recusar um acordo para os “dreamers”, como são chamados os filhos de imigrantes ilegais que chegaram aos EUA ainda criança, Trump afirmou, na última terça-feira, 3, que pode enviar militares para fortalecer a fronteira do país com o México.

Através de um comunicado, a Casa Branca informou que o plano é convocar a Guarda Nacional para se unir à Patrulha da Fronteira, que conta com 16 mil agentes. Não se sabe ao certo como e quando o envio das forças de segurança vai ocorrer. Também não ficou claro o motivo de a fronteira precisar de maior segurança, visto que o número de imigrantes que atravessam ilegalmente é o menor desde 1971, tendo registrado uma grande redução na última década.

A preocupação de Trump com a fronteira aumentou quando uma caravana com cerca de 2 mil pessoas começou a marchar da América Central em direção ao norte no fim de março. Segundo o chefe de Estado, a caravana não o “irrita”, mas o deixa “muito triste”.

“Até que possamos ter um muro e a segurança adequada, vamos proteger nossa fronteira com os militares. É um grande passo. Nunca fizemos isso antes”, afirmou Trump a jornalistas durante a visita de líderes de países bálticos à Casa Branca.

A Guarda Nacional já foi acionada para auxiliar no patrulhamento da fronteira entre EUA e México em outras oportunidades, tanto na gestão do ex-presidente Barack Obama, quanto no mandato de George W. Bush. Porém, as medidas receberam duras críticas devido ao alto custo aos cofres públicos.

Na terça-feira, a porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, Dana White, afirmou que existem diferentes maneiras do órgão auxiliar o Departamento de Segurança Interna dos EUA na segurança das fronteiras. No entanto, White explicou que as conversas de como o apoio será utilizado ainda estão em andamento.

Nesta quarta-feira, 4, Trump voltou a se pronunciar, através do Twitter, sobre as leis migratórias dos EUA, apontando-as como mais fracas se comparadas com a legislação de países como Canadá e México. Segundo Trump, os democratas “querem que as pessoas entrem sem restrições em nosso país”. Além disso, o chefe de Estado afirmou que o governo tomará uma “forte ação” ainda nesta quarta-feira.

O governo do México respondeu a Trump por meio de seu embaixador em Washington, Gerónimo Gutiérrez. O embaixador pediu “formalmente aos departamentos de Estado e Segurança Interna dos EUA para que esclareçam os comentários do presidente”. Além disso, Gutiérrez reafirmou o compromisso de ter uma fronteira segura, mas garantiu que “o México vai agir em favor de seus interesses”, segundo informações da agência AFP.

Através de uma nota, o governo mexicano esclareceu alguns pontos sobre a caravana que levou Trump a focar suas ações nas leis migratórias. Segundo a nota, a “caravana [Viacrucis del Migrante] é realizada todos os anos, desde 2010, e é composta principalmente por migrantes do Triângulo Norte da América Central (Guatemala, Honduras e El Salvador)”.

Além disso, o México revelou que a caravana já começou a se dispersar, mas garantiu que as autoridades estão acompanhando os migrantes, garantindo os seus direitos humanos, mas informando aos participantes sobre as leis migratórias mexicanas. “Os participantes desta demonstração estão sujeitos a um procedimento administrativo de imigração, enquanto cerca de 400 já foram repatriados pelos seus países de origem”, informou através de um comunicado.

O secretário de Relações Exteriores do México, Luis Videgaray Caso, reforçou, através do Twitter, que os mexicanos já solicitaram esclarecimentos aos Estados Unidos sobre as afirmações do presidente Trump. “O governo do México definirá uma posição com base nesse esclarecimento, e sempre em defesa de nossa soberania e interesse nacional”, escreveu o ministro.

O plano de Trump de enviar militares para reforçar a segurança das fronteiras também foi criticado por políticos americanos. O democrata Beto O’Rourke, que está concorrendo ao Senado, afirmou, através das redes sociais, que “o envio de militares dos EUA para patrulhar a fronteira com o México está errado. É perigoso para os membros do serviço, para os cidadãos dos EUA e para as pessoas da fronteira”.

O presidente do Conselho Nacional de Patrulhamento de Fronteira, Brandon Judd, por sua vez, elogiou as ações de Trump, afirmando que o aumento da segurança nas fronteiras será um “tremendo benefício”. Judd também afirmou que a presença dos militares vai aumentar a apreensão de migrantes ilegais.

Travessia ilegal

Apenas durante o mês de março, os agentes da Patrulha da Fronteira fizeram 37 mil detenções de pessoas que tentavam entrar nos Estados Unidos ilegalmente. Destes migrantes, aproximadamente 10 mil pessoas eram menores de idade desacompanhados ou famílias constituídas por uma criança e um adulto.

Porém, nem todas as detenções foram feitas por pessoas que tentavam atravessar ilegalmente, sem serem vistas. De acordo com o jornal Washington Post, os migrantes normalmente se entregam à Patrulha da Fronteira para tentar fugir da violência das gangues da América Central, em países como Guatemala, El Salvador e Honduras, que contam com algumas das maiores taxas de homicídios do mundo.

 

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Fontes:
DW-Trump quer enviar militares à fronteira com o México
Washington Post-Trump floats idea of sending military to guard U.S.-Mexico border but offers no details

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