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CASA BRANCA

Trump substitui conselheiro de Segurança Nacional

H.R. McMaster será substituído por John Bolton, linha-dura de retórica beligerante que pode amplificar a abordagem militarista da política externa de Trump

Trump substitui conselheiro de Segurança Nacional
Chegada de Bolton à Casa Branca preocupa diplomatas e analistas políticos (Foto: Flickr/Gage Skidmore)

Uma nova troca de comando na Casa Branca foi anunciada na última quinta-feira, 22. Por meio de sua conta no Twitter, o presidente americano, Donald Trump, anunciou a saída do general H.R. McMaster do posto de conselheiro de Segurança Nacional.

McMaster será substituído por John Bolton, ex-embaixador dos EUA na ONU durante a gestão de George W. Bush, conhecido por sua postura linha-dura e ultraconservadora. Bolton tomará posse no cargo no dia 9 de abril.

A saída de McMaster do governo ocorre nove dias após a demissão do Secretário de Estado Rex Tillerson. Porém, não se trata de mais uma demissão de Trump. Segundo um artigo do New York Times, há semanas McMaster vem discutindo sua aposentadoria das Forças Armadas. Trump, por sua vez, pretendia preencher sua equipe de segurança nacional antes de seu encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, previsto para o final de maio.

Segundo um artigo da revista Foreign Policy, a chegada de Bolton à Casa Branca deixa em alerta diplomatas e analistas políticos americanos. Isso porque Bolton tem uma retórica beligerante e compartilha o mesmo desdém de Trump por acordos e organizações internacionais, bem como o gosto do presidente americano em lançar insultos ultrajantes contra seus opositores.

“Ao contrário dos republicanos neoconservadores, aos quais se uniu para exortar o presidente George W. Bush a derrubar o líder iraquiano Saddam Hussein em 2003, Bolton tem pouco interesse em exportar valores americanos como a democracia e os direitos humanos”, diz o texto.

O artigo alerta que a chegada de Bolton ao governo pode amplificar a retórica militarista da política externa de Trump. O texto lembra que Bolton é publicamente a favor de um ataque preventivo na Coreia do Norte, defende o bombardeio como forma de forçar a troca de regime no Irã e quer estender a presença militar dos EUA no Afeganistão por tempo indeterminado. Além disso, ele defende uma postura de confronto em relação à China, o que inclui o posicionamento de tropas americanas em Taiwan. Em contraponto, assim como Trump, Bolton usou motivos educacionais para escapar de servir na Guerra do Vietnã, conflito que ele apoiou.

O texto finaliza sinalizando o desdém de Bolton pelo multilateralismo e pelos esforços da União Europeia em manter a ordem e estabilidade global.

“Bolton é um dos maiores críticos do multilateralismo do país, tendo questionado repetidamente o comprometimento dos EUA em tratados de controle de armas e outros acordos internacionais que podem limitar a capacidade do uso da força. […] Bolton reserva seu maior desdém para os defensores da ordem internacional, ninguém menos que burocratas da União Europeia e funcionários do Departamento de Estado dos EUA, que ele afirma carecerem de espinha dorsal”, diz o artigo.

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