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A ERA TRUMP

Uma ameaça aos EUA e à democracia liberal Ocidental

Donald Trump na Casa Branca coloca em xeque o papel dos EUA como a hegemonia global e ameaça a democracia liberal do Ocidente

Uma ameaça aos EUA e à democracia liberal Ocidental
A eleição de Trump é um recado de rejeição a todos os liberais (Foto: Flickr)

Em 1989, após a queda do Muro de Berlim e início do colapso da União Soviética, o cientista político americano Francis Fukuyama escreveu seu famoso artigo chamado “O fim da história?”. Nele, o cientista político argumenta que a democracia liberal representa o ápice da evolução humana e sua forma final de governo. Em outras palavras, a vitória do capitalismo liberal sobre todos os demais sistemas de governo representa o fim da história.

Na última terça-feira, 8, a vitória de Donald Trump na corrida pela Casa Branca fez essa ilusão cair por terra. A história voltou, e deseja vingança. A eleição de Trump e a forma como ela se deu é um duro golpe nas leis que regem a política americana e no papel dos Estados Unidos como a maior potência do mundo.

No cenário doméstico, a campanha de Trump, feita de forma amadora e caótica, trouxe humilhação à tradição de conselheiros, especialistas e analistas de opinião que regiam os pleitos do país. No cenário externo, ele atacou a visão defendida por todos os presidentes americanos do pós-guerra: que os EUA têm muito a ganhar com a hegemonia global, mesmo sendo esta uma tarefa ingrata. Se Trump está disposto a desvencilhar os EUA do mundo, quem poderá prever a tempestade ele trará?

A sensação de que as antigas certezas estão ruindo abalaram os aliados dos EUA. O temor de que a globalização seja contida afetou mercados. A vitória de Trump erodiu antigos consensos. A questão agora é saber o que irá substituí-los.

A princípio, é preciso entender que os EUA não votaram pela mudança de um partido no poder, mas sim pela mudança de um regime. Trump foi levado ao poder por uma onda de ira popular. Em parte, isso se deve ao fato de que muitos americanos não compartilharam a prosperidade das últimas décadas. A mobilidade social foi lenta demais para que algo melhor fosse prometido.

Tomada pela raiva de se sentir vítima de um sistema político injusto, grande parte da população americana passou a culpar as elites e a classe política por não tomarem medidas contra estrangeiros ou contra o grande capital. Pior: eles passaram a classificar as elites como parte de uma conspiração. Jornais foram acusados de primar por ideais das elites ao defender a candidatura de Hillary Clinton. Americanos que vivem em áreas rurais passaram a odiar seus compatriotas urbanos que, supostamente, tiravam proveito deles, manipulando a máquina de Washington.

A eleição de Trump é um recado de rejeição a todos os liberais. O conceito de livre comércio e liberal democracia coroado em 1989 foi rejeitado pelo Brexit britânico e agora pelo eleitorado americano. França, Itália e outros países europeus parecem dispostos a seguir esta tendência. Está claro que a salvação do o Ocidente depende do rápido crescimento econômico. Nos últimos anos, as democracias ocidentais fizeram muito pouco para compartilhar os benefícios da prosperidade adquirida.

Fontes:
The Economist-The Trump era

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