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THRILLER POLÍTICO

Trump: verdade ou ficção histórica?

A História tomou um rumo que ninguém, nem nos piores pesadelos, poderia ter imaginado. Resta esperar que esse filme tenha um final rápido e feliz

Trump: verdade ou ficção histórica?
Trata-se da usurpação de um dos mais importantes e poderosos postos do mundo (Foto: Flickr)

Têm aparecido, na televisão e no cinema, uma grande quantidade de filmes e seriados tipo thriller político que põem em cena situações, presidentes e ditadores de vários países, sendo a mais retratada, é claro, a presidência norte-americana.

Algumas dessas séries ou filmes contam histórias verdadeiras – Zero Dark Thirty, American Sniper,  All the President’s Men, Spotlight, Argo, para citar alguns dos mais populares. Outras usam o pano de fundo da política norte-americana e internacional, numa recriação em geral extremamente cuidadosa e crível, mas contando histórias inventadas. Poderia citar várias: House of Cards, Veep, Madame Secretary, The West Wing, Homeland, Designated Survivor, The State Within … a lista é longa.

Já a terceira categoria, que poderia ser considerada como ciência-ficção ou história-ficção, envolve roteiros que examinam a História se… tal coisa tivesse ou não tivesse acontecido. São menos é claro, pois é certamente um gênero mais difícil, já que se baseia na pura imaginação dos roteiristas que, partindo de uma tal ou realidade cujo desfecho alteram, passam a ter que criar todo um mundo que jamais existiu. Nesse grupo, há filmes catástrofe, como Independence Day (um ataque de alienígenas), The Day After (as consequências da queda de uma bomba atômica numa cidadezinha do Kansas) e outros, inclusive alguns thrillers políticos cujo título não me vêm à mente.

O que me chama hoje a atenção é um seriado chamado The Man in the High Castle, da Amazon, que procura retratar o que seria dos Estados Unidos e do mundo se a Alemanha de Hitler tivesse ganho a guerra. Numa narrativa muito bem feita, todos os fatos são reinventados seguindo a hipótese da vitória das tropas do Eixo, Alemanha, Japão e Itália, e seu domínio sobre o mundo, implementando as políticas que poderiam ter desenvolvido se a História tivesse seguido esse curso.

A eleição de Donald Trump, bem verdadeira, não há como refutar, remete, no entanto,  a uma dessas histórias-ficção. Durante a campanha eleitoral, na quase certeza de que Hillary Clinton seria eleita, diante do espetáculo funesto e assustador que foi-se desenvolvendo na ala republicana, culminando na estarrecedora indicação de Donald Trump, grande parte das pessoas contava com o bom senso e o equilíbrio dos eleitores para fugir do discurso incendiariamente reacionário do candidato republicano. Creio que ninguém, nem mesmo os partidários mais ferrenhos de Trump, teria-se atrevido a sequer imaginar a possibilidade de uma vitória do candidato republicano. E no entanto…a História foi escrita como se fosse uma história inventada, um “o que teria acontecido se…”

Imaginemos pois o que teria acontecido se Donald  J. Trump fosse eleito. Suas primeiras providências seriam no sentido do que ele declarou ad nauseam: “we’ll make America great again” ou seja, “recuperaremos a grandeza da América”. Como se os Estados Unidos, na administração Obama, tivesse perdido sua hegemonia. Houve, sem dúvida, uma certa erosão, consequência da globalização e da emergência de outros gigantes geográficos e econômicos, mas não creio que se possa considerar que os Estados Unidos se encolheram ou acovardaram. Mas Trump mantém essa opinião. Proporia então uma política de fechamento  das fronteiras dos Estados Unidos, tanto social, como economica, como militarmente. Muro para conter a imigração mexicana, deportação de todos os ilegais e indocumentados, endurecimento das ações da NSA, eliminação do Obamacare, maior liberdade quanto ao porte de armas, proibição ou pelo menos grande restrição do aborto voluntário, etc; Denúncia de todos os acordos de livre comércio, exacerbação do protecionismo, aumento dos subsídios, medidas enérgicas para aumentar o emprego e “restituí-lo”aos americanos, incentivo ao  “Made in America”em detrimento ao “made in China” ou em qualquer outro lugar, e num completo desprezo à lei das vantagens comparativas, na qual não votou mesmo…; retirada de todas as tropas americanas dos teatros de conflito internacional, intolerância com todas as soluções diplomáticas que não satisfaçam sua necessidade de supremacia e que não incluam os que considera seus aliados, como Netanyahu e Putin… como dizem os anglo-saxões, politics make strange bedfellows, ou seja, a política cria relações estranhas. Além dessas medidas, Donald Trump trataria de fazer valer suas opiniões, custasse o que custasse, promovendo nos Estados Unidos um clima de racismo, elitismo financeiro, classismo, misoginia, mentira, intolerância, surdez e cegueira diante da opinião pública, cerceamento da imprensa, etc.  Os Estados Unidos retrocederiam pelo menos cem anos.

A formação de seu Gabinete, então, seria tão absurda que nem os melhores roteiristas conseguiriam inventar. Uma secretária de Educação que é contra a educação pública e acredita que as taxas devem financiar as escolas privadas;  um secretário do Meio Ambiente que nega os problemas ambientais e não acredita no aquecimento global; a Goldmansachsização da secretaria do Tesouro; um secretário de Justiça que quer eliminar grande parte da legislação vigente no Departamento, principalmente, é claro, no que diz respeito à imigração; um secretário de Estado com estreitas relações de negócios com a Rússia; e assim por diante. Os roteiristas ainda têm que fazer um grande esforço de imaginação para distribuir os papéis do “entourage” de Trump.

Se Trump tivesse sido eleito, teríamos pois uma situação globalmente catastrófica, com a maior potência do mundo transformada numa torre de marfim excludente, dirigida por um bufão bilionário, retrógrado, fascista,demagogo,  arrogante e mentiroso…

Escapamos por pouco…

Mas essa novela nunca será escrita, pois a História tomou sim esse rumo que ninguém, nem nos piores pesadelos, poderia ter imaginado. Não se trata mais da vitória do Partido Republicano e da derrota do Partido Democrata. Trata-se da usurpação de um dos mais importantes e poderosos postos do mundo por um indivíduo que usou de todos os meios mais escusos, de seu império financeiro e da ignorância e insatisfação de uma parcela do povo americano, é preciso dizer, para ludibriar o eleitorado e arrastá-lo para uma das piores decisões jamais vistas no mundo.

Só podemos agora esperar que esse filme tenha um final rápido e feliz.

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2 Opiniões

  1. Jorge disse:

    Este artigo é ridículo:
    “Creio que ninguém, nem mesmo os partidários mais ferrenhos de Trump, teria-se atrevido a sequer imaginar a possibilidade de uma vitória do candidato republicano. ”
    Todos que estavam bem informados, não se limitando às informações da grande mídia, sabiam muito bem das chances do Trump ganhar, assim como do Brexit ser aprovado.
    Não é questão de ser partidário de Trump, não sou, mas de entender que o povo esta cansado das mentiras globalistas.

  2. ACM disse:

    O Jorge tem razao.
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    De fato, os investidores, as pessoas mais bem informadas do mundo, ja sabiam da vitoria de Trump alguns meses antes das eleicoes (se os investidores nao acertarem o futuro, perdem dinheiro e podem quebrar: it’s that simple). Besides, sao eles q mandam no mundo, q definem para onde ira’ a economia (embora os livros de Historia nao saibam disso).
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    Quem recebe, diariamente, mais de dez newsletters dirigidas aos investidores, como MoneyMorning, LaissezFaireToday, Sha’s Insights and Indictments, Michael Lewit etc., escritas por ex-executivos de Wall Street, adms. de Hedge Funds, consultores da CIA e da OPEP, PhDs etc., soube muito bem que os investidores ja tinham conhecimento, meses antes da eleicao, que Trump seria vitorioso (btw tb acertaram na aprovacao do Brexit, embora os jornais dissessem q nao haveria Brexit). Isso contrariou fortemente o mainstream internacional, q noticiou em manchete (inclusive em S.Paulo), na vespera da eleicao, q “Hillary tem 90% de chance de ser eleita”, uma bobagem historica e um brainwash de ultima hora nos leitores e nos eleitores.
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    O interessante nessas newsletters e’ q suas noticias geralmente contrariam a grande imprensa (mainstream) ou nem sao mencionadas por ela, mas sao verdadeiras e acontecem de fato. Nao sem razao, Trump agora esta’ em guerra contra ela por ser mentirosa e manipuladora.
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    Essas newsletter mostraram q Wall Street doou alguns usd bilhoes (yes, Bilhoes) para a campanha de Hillary (doacao hilaria), a maior doacao ja feita na historia dos eua, alem de submeter a midia mainstream `a propaganda pro-Hilary. De fato, a mainstream mundial e’ controlada por apenas seis investidores, e seu tendao de Aquiles e’ a propaganda: quem nao se submete aos q realmente mandam no mundo (pouco mais de uma duzia de familias) quebra, pois a propaganda paga desaparece. Naturalmente, as poucas midias alternativas, q nao dependem da propaganda, estao livres dessa pressao (mas nao de todas elas).
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    Na situacao hilaria, q se vende facil aos grandes grupos (v. newsletters), Wall Street menosprezou o centro dos eua, q foi quem deu vitoria a Trump. Foi uma reacao contra os politicos q, segundo Trump, so visam o proprio bolso, vendendo-se facil aos grandes grupos (sao os seus despachantes no governo, v. Lava-Jato) e so lembram dos eleitores antes das eleicoes (o q alias acontece em quase todo o mundo). Nao sem razao, Bismarck da Alemanha ja dizia: “Nunca se mente tanto como apos uma caçada, durante as guerras, e antes das eleicoes”.
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    Trump agora vai barrar a esquerda, q se inflitrou no governo e na midia, bem como nos movimentos terroristas (apos a falencia do comunismo na Urss e na China), como ficou claro vendo-se os protestos contra Trump no dia da posse, com varias bandeiras do ISIS (estado islamico terrorista), bandeiras do partido comunista dos eua, outras com a foice e o martelo, alem de bandeiras dos anarquistas (cujo lema e’ “sem governo e sem patrao”). Naturalmente a mainstream nao noticiou isso, mas a imprensa alternativa sim (como a InfoWars, por exemplo, e outras publicacoes q nao dependem da propaganda). Tb ficou clara e fusao esquerda-anarquismo-terrorismo nos milhares de europeus q migraram para a Asia e se juntaram ao ISIS (o q a esquerda alienada nao percebe e’ q, sob o ISIS, os do contra serao os primeiros a serem decapitados).
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    Claro, ninguem e’ perfeito neste planeta, e talvez Trump consiga corrigir as bobagens ja feitas, como Obama doando secretamente usd 221 milhoes para o terrorismo palestino no ultimo dia de governo, embora o Congresso ja houvesse bloqueado essa doacao (AP/Carolyn Kaster, Jan.24, 2017).

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