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CASO KHASHOGGI

Trump vive conflito entre justiça e interesses

Apuração do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi coloca Trump em uma situação politicamente delicada

Trump vive conflito entre justiça e interesses
É possível que Trump 'alivie' a situação de seu aliado e parceiro comercial (Foto: Flickr/Creative Commons)

Ainda nesta semana – ou até mesmo nas próximas horas -, o governo americano deverá anunciar um relatório completo sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi – morto no interior da embaixada da Arábia Saudita, em Istambul, na Turquia, no dia 2 de outubro. O documento, segundo promessa da Casa Branca, deverá apresentar, inclusive, quem foi o responsável pela execução – antecedida de tortura e precedida de esquartejamento – do dissidente saudita.

O anúncio foi feito no último fim de semana pelo presidente americano Donald Trump, após conversas com Gina Haspel, diretora da Agência Central de Inteligência (CIA). A versão final dos fatos, no entanto, pode frustrar a opinião pública mundial. A despeito de a agência ter relatado que o crime foi ordenado pelo príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman – e de ter ouvido áudios gravados no momento da morte de Khashoggi -, é possível que Trump “alivie” a situação de seu aliado e parceiro comercial.

A situação de Trump na apuração deste episódio é politicamente delicada. Com públicos problemas de relacionamento com jornalistas da CNN, do New York Times e do Washington Post – somente para citar alguns –, ele vive o conflito de ceder às evidências apuradas por sua agência de inteligência e de apontar o príncipe árabe como mentor da execução do profissional de imprensa – que era considerado inimigo da Arábia Saudita.

Em off, fontes da Casa Branca admitem que o presidente americano pode dar “uma amarelada”, considerando que o aliado – “bom de várias formas” – negou de maneira insistente e repetidamente qualquer participação no crime. Trump ainda se negou a ouvir as gravações em áudio – obtidas pelo governo turco – do momento em que Khashoggi era torturado e morto na embaixada saudita, alegando que “é uma fita de sofrimento, uma fita terrível. Fui informado sobre ela e não há razão para eu ouvi-la”, explicou. Em entrevista à Fox News no domingo (18), o republicano ressaltou que a gravação não afetaria sua reação ao assassinato.

Desafetos jornalistas

A promessa da apresentação de um “relatório muito completo” para esta semana pode conter em si o eufemismo de que tal documento não será tão amplo assim para não atrapalhar as relações comerciais entre Washington e Riad – a capital e maior cidade da Arábia Saudita. Existe o temor de que Trump conceda a bin Salman o benefício da dúvida. Caso contrário, os estragos comerciais serão inevitáveis.

Donald Trump conhece bem o sentimento de detestar alguns profissionais de imprensa. Depois de um bate-boca com o repórter Jim Acosta, da CNN, no dia 7 deste mês, ele determinou a cassação da credencial do jornalista. Na sexta-feira (16), no entanto, um juiz federal determinou que ele devolvesse o documento e garantisse a Acosta acesso irrestrito à Casa Branca. O presidente acatou a determinação.

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