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TENSÃO NO REINO

Turbilhão político na Arábia Saudita

Prisão de 11 príncipes em suposta campanha de combate à corrupção e avanço na crise com o Irã marcaram o fim de semana saudita

Turbilhão político na Arábia Saudita
Prisões consolidam o poder do príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman (Foto: kremlin.ru)

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Um turbilhão político agitou o Golfo Pérsico no último fim de semana. No sábado, 4, o exército saudita interceptou e destruiu um míssil balístico no nordeste de Riad disparado por rebeldes houthi no Iêmen, país onde a Arábia Saudita lidera uma intervenção.

Em seguida, em visita à Arábia Saudita, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, anunciou sua renúncia, uma medida que surpreendeu analistas e aprofundou a crise no Líbano. Por fim, durante a noite, foi decretada a prisão de vários ministros, ex-ministros e pelo menos 11 príncipes sauditas. As prisões foram ordenadas por um recém-criado comitê, sob o argumento de combate à corrupção.

Entre os presos está o príncipe Miteb bin Abdullah, chefe da Guarda Nacional saudita, e o príncipe Alwaleed bin Talal. Para alguns analistas, as prisões consolidam o poder do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, filho do Rei Salman.

“Observadores da política interna saudita apontam para as muitas prisões de proeminentes clérigos e intelectuais ocorridas neste verão como um sinal de tensão dentro do reino. Não há garantia de que, se o pai de Mohammed bin Salman morrer ou abdicar, a sucessão será tranquila. A última rodada de prisões somente reforçam a sensação de que o debate sobre a sucessão será mais difícil do que desejam o rei e seu filho”,  diz Bruce Riedel, da Brookings Institution.

Andrew Bowen, da American Enterprise Institute, faz uma analogia entre a ação saudita e a campanha anticorrupção liderada pelo presidente chinês Xi Jinping. “A campanha de Xi contra a corrupção na esfera pública é destinada a limpar a imagem do Partido Comunista, mas também é usada como uma oportunidade para marginalizar oponentes e consolidar seu poder”, disse Bowen, em entrevista ao Washington Post.

Para além da política interna, o príncipe Mohammed bin Salman vem liderando uma agressiva política externa saudita que tem como alvo claro o confronto político com o Irã, o principal rival da Arábia Saudita. Tal política é vista como o motivo por trás da renúncia do primeiro-ministro libanês, Saad Hariri. Embora seja um aliado saudita de longa data, Hariri liderou uma aliança com o Hezbollah, grupo que tem laços estreitos com o Irã, o que torna impossível ver a renúncia de Hariri fora do prisma da rivalidade entre Arábia Saudita e Irã.

Ao anunciar sua renúncia no sábado, Hariri culpou a ingerência do Irã no Líbano, afirmando que Teerã criou “um Estado dentro do Estado” através do apoio ao Hezbollah. No último domingo, 5, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, emitiu uma nota negando a acusação e afirmando que irá “esperar para ver por que a Arábia Saudita forçou o chefe de governo a renunciar”.

As ações do príncipe herdeiro saudita também são encorajadas pela posição do presidente americano Donald Trump, um fervoroso crítico do Irã que por vezes reforça os argumentos sauditas contra o país. No domingo, por exemplo, Trump, que está em viagem pela Ásia, classificou o míssil disparado pelos rebeldes houthi no sábado como “mais uma ação do Irã”, país acusado de apoiar os rebeldes houthi.

Para completar o turbilhão político, no domingo, o príncipe saudita Mansour bin Muqrin, vice-governador da província de Asir, perto da fronteira com o Iêmen, morreu quando o helicóptero no qual viajava caiu perto da fronteia da Arábia Saudita com o Iêmen. Muqrin era filho de um ex-príncipe herdeiro substituído na linha de sucessão ao trono pelo atual Rei Salman.

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