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APÓS CONTROLAR AFRIN

Turquia busca novos alvos na Síria

Depois de conquistar Afrin, o presidente Erdogan quer combater novas áreas controladas pelos curdos na Síria

Turquia busca novos alvos na Síria
A captura de Afrin foi mais fácil do que a Turquia imaginara (Fonte: Reprodução/Getty Images)

Para o presidente Recep Tayyip Erdogan, a vitória da Turquia na região de Afrin, no norte da Síria, não poderia ter ocorrido em um momento mais propício. Após uma ofensiva de dois meses contra militantes curdos, as tropas turcas assumiram o controle da principal cidade da região em 17 de março. No dia seguinte, a Turquia comemorou o aniversário da Campanha de Galípoli, a única vitória do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial. Erdogan associou os dois fatos e acusou as potências ocidentais de apoiar as forças curdas contra a Turquia. “Em Galípoli, fomos atacados por um exército poderoso”, disse Erdogan. “Agora, os países do Ocidente usam as organizações terroristas mais violentas do mundo para nos atacar.”

A captura de Afrin foi mais fácil do que a Turquia imaginara. Quando os tanques turcos invadiram a cidade principal, as milícias das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) já haviam partido. Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), cerca de 200 mil moradores fugiram. Ainda de acordo com o OSDH, 289 civis morreram durante a ofensiva turca, além de 1.500 combatentes curdos e 46 soldados turcos. Os Estados Unidos e a Alemanha criticaram a Turquia por fomentar a violência na Síria. Mas Erdogan rejeitou as críticas, com o comentário que nenhum civil se ferira durante o conflito.

Com o fim da ofensiva em Afrin, a Turquia quer combater os militantes curdos do nordeste da Síria e do Iraque, regiões controladas pelo Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Mas as áreas dominadas pelos curdos sírios, que se estendem de Manbij à fronteira do Iraque, estão cercadas por 2 mil soldados americanos. O YPG, com o apoio da força aérea americana, expulsou os jihadistas do Estado Islâmico (Isis) da região.

Há muito tempo os EUA prometeram à Turquia que as forças curdas, que ocuparam Manbij após a derrota do Isis em 2016, se retirariam da cidade. Porém, segundo os EUA eles são de vital importância para a segurança na região. Se houver um acordo, o YPG poderá recuar para a área a leste do rio Eufrates, enquanto a Turquia e os EUA trabalham com líderes locais para manter a paz.

Quanto à ocupação de Afrin, Erdogan sugeriu devolver a região aos seus “proprietários legítimos”, o que aumentou a preocupação que ele possa transferir os 3,4 milhões de refugiados sírios que vivem na Turquia para o local. Ou abrigar os futuros refugiados da província rebelde de Idlib, que está sendo atacada pelas forças sírias do presidente Bashar Assad.

Os ataques do Exército sírio e de seus aliados russos à zona rebelde de Ghouta Oriental, nos arredores de Damasco, mataram pelo menos 1.400 civis no mês passado. Um massacre semelhante deve ocorrer em Idlib, com o êxodo em massa da população.

Fontes:
The Economist - After taking Afrin, Turkey looks for new targets in Syria

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1 Opinião

  1. Rodrigo Palhares disse:

    Os curdos estão sendo perseguidos e massacrados pelos turcos há mais de um século. Os originários dessa região mas os turcos inventam todas as desculpas do mundo para massacrá-los. Os curdos lutaram contra o Estado Islâmico até expulsá-los do norte da Síria. Os curdos desenvolveram um modelo de gestão sócio-territorial chamado confederalismo democrático, algo não só avançado para o oriente médio mas para o mundo inteiro. Os curdos só querem viver em paz. Mas o governante turco, Erdogan, que controla a mídia e distorce os fatos e notícias conforme seu interesse, simplesmente odeia os curdos e quer vê-los extintos do planeta.

    QUE O MUNDO INTEIRO SAIBA DO CRIME QUE A TURQUIA ESTÁ COMETENDO CONTRA OS CURDOS.

    Aos curdos, estamos com vocês!

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