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OPERAÇÃO MILITAR

Turquia intensifica ofensiva contra curdos na Síria

Exército turco invade Afrin, cidade síria controlada pela milícia curda YPG, uma aliada dos EUA crucial no combate ao Estado Islâmico na Síria

Turquia intensifica ofensiva contra curdos na Síria
Operação turca ameaça abrir um novo capítulo na Guerra da Síria (Foto: AFP)

Uma ofensiva militar turca contra regiões controladas por milícias curdas na Síria ameaça abalar a aliança entre Turquia e Estados Unidos e abrir um novo capítulo no conflito sírio.

No último domingo, 21, após dois dias de ofensiva, forças turcas anunciaram a entrada em Afrin, cidade localizada no noroeste da Síria, no distrito de Alepo, na fronteira com a Turquia. Desde 2012, Afrin é controlada pela milícia Unidade Curda de Proteção Popular (YPG).

Segundo informações do jornal britânico Independent, os militares turcos afirmam ter bombardeado pelo menos 153 alvos em Afrin, enquanto a YPG revida e afirma que a invasão à cidade está sendo contida.

A YPG é considerada uma ameaça pela Turquia. Isso porque ela seria a “versão síria” do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PPK), organização armada que atua no sul da Turquia e no norte do Iraque (regiões habitadas predominantemente por curdos), e que desde sua fundação, em 1984, luta pela criação de um Curdistão independente. Segundo um artigo do jornal Guardian, o governo turco se comprometeu a não permitir que grupos curdos se instalem e dominem territórios na fronteira da Turquia com a Síria.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan refere-se aos membros da YPG como “terroristas” e prometeu repetidas vezes varrê-los da região para “destruir todos os ninhos do terrorismo”. Na última sexta-feira, 19, o ministro da Defesa turco, Nurettin Canikli, declarou que a ofensiva militar contra a YPG tinha, de fato, começado.

O exército turco afirma que a ofensiva, intitulada “Operação Olive Branch”, tem como objetivo livrar Afrin do controle da YPG e criar na região uma área de segurança de 30 km.

Aliada dos EUA na luta contra o Estado Islâmico (Isis) na Síria, a YPG teve papel crucial na retomada da cidade de Raqqa do domínio do Isis, em outubro do ano passado, além da recaptura de outras regiões dominadas pelo grupo terrorista.

No entanto, a Turquia não vê com bons olhos a aliança entre os EUA e a milícia curda. Tal situação se agravou no início deste mês, após o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, declarar que Washignton pretendia ajudar as Forças Democráticas da Síria, lideradas por milícias curdas, a formarem uma nova e fortalecida tropa de 30.000 homens na Síria. A declaração foi recebida com indignação por Ancara. Tillerson argumentou que a proposta americana foi mal interpretada pelo governo turco e que os EUA não estavam “de forma alguma” criando uma força na fronteira. No entanto, o argumento não dissipou o temor turco de uma presença militar permanente dos EUA na região.

A declaração de Tillerson também deixou em alerta a Rússia. Os curdos sempre tentaram manter equilibrada sua relação com os EUA e a Rússia. No entanto, a declaração de Tillerson foi considerada por Moscou como um indício de que os curdos abraçaram por completo uma aliança com os EUA. Como retaliação, a Rússia informou ao governo turco que não iria interferir em qualquer operação em Afrin, que contava com a proteção de observadores militares russos.

Agora, o destino do enclave curdo é incerto e depende de como os EUA reagirão, uma vez que são aliados tanto dos curdos quantos da Turquia. Em 2014, os EUA ajudaram a defender a cidade curda de Kobani contra uma invasão do Isis. A questão, agora, é se os EUA manterão o apoio aos curdos, uma vez que o Isis definha e vem deixando de ser uma ameaça, mesmo arriscando enfurecer a Turquia ou se vai deixar a YPG, e os curdos, à própria sorte.

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