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DETENÇÃO EM MASSA

Turquia ordena prisão de mais de 1,1 mil pessoas

Detidos são acusados pelo presidente Recep Erdogan de envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2016

Turquia ordena prisão de mais de 1,1 mil pessoas
Erdogan afirma que governo está fazendo justiça, enquanto opositores denunciam perseguição (Foto: Kremlin.ru)

A Turquia ordenou nesta terça-feira, 12, a prisão de 1.112 pessoas por suposto envolvimento com a tentativa fracassada de golpe de Estado em 2016. Até o momento, 641 pessoas foram presas nesta nova fase de detenções, segundo informou a agência estatal de notícias turca Anadolu.

A maioria dos mandados envolvem pessoas com ligações com o muçulmano Fethullah Gülen, líder espiritual do movimento Hizmet. Gülen, que vive exilado na Pensilvânia, é acusado pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de orquestrar a tentativa de golpe naquele ano.

Nas últimas semanas, a Turquia concluiu cerca de 300 julgamentos, que levaram à prisão aproximadamente 3 mil pessoas, entre civis e militares. A tentativa de golpe, em 2016, causou a morte de 251 pessoas, além de causar ferimentos em outras 2 mil. A prisão e a condenação dos acusados são anunciadas como justiça pelo governo turco, enquanto opositores apontam tratar-se uma forma de perseguição.

Esta não foi a primeira vez que a Turquia promoveu prisões em massa relacionadas ao golpe de 2016. Em 2017, quase 500 pessoas acusadas de conspiração compareceram ao julgamento. Em dezembro de 2018, outros 48 oficiais do exército foram declarados culpados por traição e assassinato.

Até o momento, um total de 77 mil pessoas foram presas e 130 mil foram demitidas de empregos públicos. Em agosto de 2016, cerca de um mês após a tentativa de golpe, mais de 35 mil pessoas chegaram a ser presas. Destas, 17.740 seguiam presas e mais de 11,5 mil já tinham sido liberadas.

Na época, Erdogan não estava na capital do país, Ancara, mas em um resort à beira-mar. Desde o início, o chefe de Estado culpa os gulenistas pela tentativa de golpe. Os gulenistas seriam membros de uma seita turca secreta e seguidores do clérigo turco Fethullah Gülen, que defende a democracia, o diálogo inter-religioso e a educação.

Em julho do ano passado, Erdogan encerrou oficialmente o estado de emergência implantado após o evento de 2016. O regime ampliou o poder do governo turco, enquanto opositores afirmavam que o estado de emergência era uma tentativa de Erdogan de enfraquecer a oposição.

Durante o estado de emergência, mais de 100 veículos de comunicação foram fechados, milhares de professores tiveram a licença de atuação revogada e acadêmicos foram proibidos de viajar para o exterior. Ademais, a Turquia aumentou a repressão a milícias curdas e os poderes de Erdogan foram ampliados, através de uma reforma constitucional.

Gülen é acusado nos principais julgamentos envolvendo a tentativa de golpe de 2016. Vivendo exilado nos Estados Unidos, o clérigo acompanha todos os casos a distância. As autoridades americanas afirmam que as provas apresentadas, até o momento, contra o turco não são suficientes para a sua extradição.

Tensão internacional

Impedida de chegar até Güllen pelos Estados Unidos, a Turquia prendeu, em outubro de 2016, o pastor americano Andrew Brunson. O pastor evangélico foi liberado em outubro do ano passado, após ficar detido durante dois anos.

Brunson foi preso na Turquia por uma suposta ligação com Gülen. Em 2018, antes de ser solto, Brunson se tornou o símbolo da tensão internacional elevada entre os Estados Unidos e a Turquia.

A tensão entre Donald Trump e Erdogan, que já vinha se elevando por conta de discordâncias entre os líderes em relação à guerra na Síria, chegou ao auge após o governo turco prender Brunson, um pastor evangélico americano que reside há 20 anos na Turquia. A disputa internacional, então, começou a afetar a Turquia economicamente.

O governo americano aplicou sanções sobre ministros turcos e elevou as tarifas impostas sobre o aço e alumínio do país. Todas essas medidas resultaram em uma forte desvalorização da lira turca frente ao dólar americano. Do início do ano até agosto, a moeda turca já havia desvalorizado quase 40%.

Fontes:
The New York Times-Turkey’s Mass Trials Heal Some of Coup’s Wounds and Open Others
CNN-Turkey orders detention of more than 1,100 people linked to failed 2016 coup
The Guardian-Turkey issues 1,100 arrest warrants for Gülenist coup suspects

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