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PRÁTICA HUMILHANTE

Um avanço na luta contra os testes de virgindade no Afeganistão

Ativistas celebram nova política de saúde que visa encerrar a degradante prática em todas as regiões do país

Um avanço na luta contra os testes de virgindade no Afeganistão
Prática humilhante e invasiva é majoritariamente feita contra a vontade (Foto: Flickr/DVIDSHUB)

Em uma prisão na província de Balkh, no norte do Afeganistão, cerca de 200 meninas e jovens mulheres são mantidas aglomeradas em celas sujas. Muitas estão lá há meses, algumas há mais de um ano.

Elas foram presas por terem sido reprovadas em testes de virgindade conduzidos por agentes de saúde para certificar de que não fizeram sexo antes do casamento nem cometeram adultério, no caso de recém-casadas.

No ano passado, após intensa pressão de ativistas de direitos humanos, esta prática humilhante e invasiva, majoritariamente feita contra a vontade, foi banida pelo presidente afegão, Ashraf Ghani. No entanto, os testes continuam difundidos em várias regiões do Afeganistão, e mulheres suspeitas de terem feito sexo continuam sendo detidas pela polícia e levadas para hospitais ou clínicas onde são forçadas a passar pelo teste.

Uma das organizações que combate a prática, a Marie Stopes Afghanistan, enxerga uma luz no fim do túnel, após a aprovação de uma política de saúde pública que visa encerrar a prática em toda e qualquer clínica e hospital do Afeganistão.

Com financiamento da Suécia, a organização considera a nova política um grande avanço e vai trabalhar junto a médicos e enfermeiros para garantir que ela seja entendida e respeitada. A ideia é visitar cada unidade de saúde de todas as províncias do Afeganistão.

“Esperamos que isso signifique que, quando a polícia ou a família trouxer uma mulher ou uma menina e exigir que realizem um teste de virgindade, o procedimento não será mais conduzido”, diz Farhad Javi, diretor da organização, em entrevista concedida ao jornal Guardian.

Javid já visitou a prisão de Balkh e afirma que a maioria das meninas e jovens presas no local têm entre 13 e 21 anos de idade. Quando deixam a prisão, um futuro sombrio as aguarda, já que são rejeitadas por suas famílias por terem sido reprovadas no teste.

Segundo a ONG Human Rights Watch, 95% das jovens encarceradas no Afeganistão foram presas por crimes relacionados à moral, entre eles, a falha no teste de virgindade.

Prática presente em outros países

O Afeganistão não é o único país do mundo a realizar testes de virgindade. Em março deste ano, a Human Rights Watch divulgou um relatório onde denuncia o silêncio das agências de saúde pública da Indonésia em relação à prática, conduzida, por questões de moral, em mulheres aspirantes ao serviço militar. Uma proposta chegou a sugerir estender a prática a estudantes do ensino médio. A ideia, no entanto, foi barrada graças a protestos de ativistas.

No Egito, em 2011, militares despertaram furor ao conduzir testes de virgindade em mulheres que participavam de um protesto pró-democracia na praça Tahrir, a maior da capital Cairo. Anos depois, em outubro de 2016, o parlamentar egípcio Elhamy Agina gerou polêmica ao sugerir no parlamento que os testes sejam considerados no processo admissional de meninas em universidades.

“Cada garota que entre na universidade, temos de checar seu exame médico para comprovar que ela é uma dama. Portanto, cada garota deve apresentar um documento oficial ao ser admitida na universidade declarando que ela é uma dama”, disse Agina, segundo noticiou a rede CNN.

Na Índia, ativistas lutam contra os testes de virgindade conduzidos em recém-casadas da casta Kanjarbhat, uma comunidade de 200 mil pessoas, a maioria residente no estado de Maharashtra, oeste da Índia. A prática foi tema de uma reportagem da rede BBC em fevereiro deste ano.

 

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