Início » Vida » Comportamento » Um campo minado para empregadores
Contratando ex-presidiários

Um campo minado para empregadores

Empresas enfrentam o dilema de ignorar ou não os antecedentes criminais na hora de contratar

Um campo minado para empregadores
Empregadores relutam em contratar candidatos com antecedentes criminais (Reprodução/Internet)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Em 2001 Devah Pagaer, então um doutorando de sociologia na Universidade de Wisconsin, Madison, reuniu um grupo de universitários de 23anos para se inscreverem em processos seletivos de empregos anunciados on-line em um jornal de Milwaukee. Alguns dos estudantes eram negros; outros brancos. A alguns foi atribuído um histórico criminal (falso); a outros não. Ao todo eles entraram em contato com 350 empregadores.

O estudo de Pager constatou duas coisas. Primeiro, os empregadores relutavam em contratar candidatos com antecedentes criminais. Até aí nenhuma surpresa. Segundo, a negritude agravava os efeitos negativos dosantecedentes criminais. Os candidatos brancos sem antecedentes tinham duas vezes mais chances de serem chamados novamente que aqueles com apenas um antecedente (de 34% para 17%). Para candidatos negros esse intervalo quase triplicava (de 14% para 5%). O estudo de Pager foi replicado em Nova York eobteve resultados semelhantes.

A Comissão da Oportunidade de Emprego Igualitária, uma agência federal, tem lutado contra esse viés com vigor renovado desde que Barack Obama se tornou presidente. Em 11 de junho a comissão protocolou uma denúncia contra duas empresas: a BMW e a Dollar General, uma cadeia de lojas de produtos de baixo custo. Alega-se que elas usam a checagem de antecedentes criminais de modo a provocar um “impacto desproporcional” sobre candidatos negros.

Os empregadores enfrentam um dilema. Eles não podem simplesmente ignorar os registros criminais de um candidato. Leis estaduais e federais proíbem alguns criminosos condenados de exercer certas profissões, como segurança de aeroporto ou empregos relacionados aos cuidados de crianças e idosos. E as empresas correm o risco de serem processadas caso contratem um ex-presidiário que venha a causar danos ou roubar de um cliente. No entanto, já que americanos negros e hispânicos têm muito mais chances de terem sido condenados por um crime que brancos ou asiáticos, uma empresa que exclua ex-presidiários do processo seletivo corre o risco de ser acusada de racismo.

 

Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia
Tradução: Eduardo Sá

Fontes:
The Economist-Between a rock and a lawsuit

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Hivitality disse:

    Principalmente ao “contratar” presidente(a)s (sic) da república…

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *