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PROTOCOLO DO PORTO

Um esforço em prol do clima regado a muito vinho do Porto

Uma iniciativa pelo clima que parte não de governos, mas de empresas, para salvar a Terra e os negócios

Um esforço em prol do clima regado a muito vinho do Porto
O lançamento do Protocolo do Porto contou com presenças ilustres, como Barack Obama (Foto: Divulgação)

Aconteceu no último dia 6 de julho na cidade do Porto, em Portugal, a conferência Climate Change Leadership, para o lançamento daquela que pode vir a ser a maior iniciativa global contra as alterações climáticas não da parte de governos, mas de empresas. Pode. Trata-se do chamado Protocolo do Porto, a rigor uma “chamada à ação” dirigida a todas as empresas de Portugal e do mundo e de todos os setores da economia; à ação em prol da sustentabilidade, visando a sobrevivência dos negócios como do planeta.

O lançamento do Protocolo do Porto contou com presenças imensamente ilustres, com ninguém menos que Barack Obama encabeçando a lista de conferencistas, que contou ainda com Irina Bukova, a ex-diretora geral da Unesco que esteve cotada para ser secretária-geral da ONU; Mohan Munasinghe, antigo Vice-Presidente do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas da ONU, co-laureado com o prêmio Nobel da Paz em 2007; e Juan Verde, ex-assessor de Bill e Hillary Clinton, Ted Kennedy, Al Gore e John Kerry, e presidente da Advanced Leadership Foundation, com sede em Washington, nos EUA.

É simbólico e significativo demais que a conferência tenha sido protagonizada por vários “ex” da política institucional americana e do âmbito das Nações Unidas. Parece um recado claro, ou um diagnóstico, de que é “correndo por fora” das cimeiras governamentais que pode sair alguma iniciativa, afinal, sustentável, em prol da sustentabilidade da indústria e do comércio globais, além do próprio globo terrestre.

A começar por Barack Obama, que ora vê o desmonte por seu sucessor dos avanços em matéria de combate às alterações climáticas conquistados durante seus dois mandatos na Casa Branca. Obama disse no Porto que apesar de Trump “não concordar com as suas iniciativas ambientais, o caminho iniciado terá continuidade”, e que “os problemas se resolvem de baixo para cima”.

O simbolismo de uma atividade econômica multigeracional

No melhor estilo do que no Brasil alguém chamaria de “sincerão”, Obama disse ainda no lançamento do Protocolo do Porto que “a razão pela qual a maior parte de nós está preocupada com as alterações climáticas é o fato de elas estarem impactando os negócios”. Em sua declaração de princípios, o Protocolo do Porto ressalta a simbologia da atividade produtora de vinho para os esforços em prol de um futuro sustentável para a Terra.

“O vinho não é apenas um produto agrícola, mas cultural, parte do estilo de vida e patrimônio das regiões onde é produzido. É um ‘negócio de pessoas’, uma cadeia de relacionamentos humanos próximos que cria oportunidades únicas de trabalhar em conjunto para resolver nossos problemas comuns. Acima de tudo, trata-se de uma atividade multigeracional, muitas vezes envolvendo propriedade familiar, onde as atitudes são condicionadas pelo desejo de criar um futuro sustentável para as gerações vindouras”.

E mais:

“Mais do que apenas um compromisso para tomar medidas concretas, o Protocolo do Porto será uma ferramenta para envolver toda a indústria do vinho, encorajando-a a trabalhar em conjunto para o nosso objetivo comum: a minimização dos impactos das mudanças climáticas”.

O lema do Protocolo do Porto é “muito mais que um compromisso”, ainda que até aqui a iniciativa não seja muito mais do que precisamente isso: um compromisso, além daquele chamamento um tanto genérico à ação. Seria mais correto dizer que, até aqui, trata-se, nas palavras da revista portuguesa Visão, de “um movimento empresarial que pretende pensar e dar respostas ao desafio das alterações climáticas”. Não é governamental, ainda que tenha começado com aquele “cabo eleitoral” de peso, o carismático 44º presidente dos EUA. Resta saber se vinga e, vingando, se permanecerá invicto, como é Invicta a cidade do Porto, patrimônio mundial da Humanidade, a mesma que de uma forma ou de outra, pelo andar da carruagem, alguém precisará salvar.

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