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Famílias e o totalitarismo

Um estudo instigante da vida familiar sob pressão

Livro de história social de Paul Ginsborg usou o prisma da vida familiar para dar sentido aos acontecimentos na primeira metade do século XX em cinco países europeus

Um estudo instigante da vida familiar sob pressão
A instituição mais antiga da humanidade foi transformada, distorcida e algumas vezes destruída pelos acontecimentos políticos no século XX (Reprodução/Bridgeman)

A ascensão das ideologias nacionalistas e totalitárias na Europa afetou profundamente a vida familiar. Após ter sido apoiada e reprimida pela religião e os costumes na antiga ordem, a instituição mais antiga da humanidade foi transformada, distorcida e algumas vezes destruída pelos acontecimentos políticos no século XX.

Em Family Politics: Domestic Life, Devastation and Survival 1900-1950, um novo livro de história social pungente, incisivo e instigante, Paul Ginsborg, um professor inglês que vive em Florença, usou o prisma da vida familiar para dar sentido aos acontecimentos na primeira metade do século XX em cinco países europeus e as mudanças radicais que ocasionaram. A Itália sob Benito Mussolini, a Alemanha com o regime nazista, a Espanha durante a guerra civil e no governo do general Franco, a Turquia sob Mustafa Kemal Ataturk e a Rússia (mais tarde União Soviética) no período da revolução e na ditadura de Stalin.

Os fios condutores desse relato de revolução e de regime ditatorial são as vidas de três mulheres notáveis, em especial de Aleksandra Kollontai, uma jovem nascida em uma família russa de classe média alta, que se tornou uma revolucionária apaixonada e a principal teórica da política bolchevique de reconhecimento dos direitos e liberdades sexuais das mulheres. Sua contrapartida turca é uma escritora nacionalista, Halide Edib, e na Espanha uma ativista republicana, Margarita Nelken. Todas as três se debateram em conflitos entre seus princípios políticos e a realidade familiar.

Os diferentes regimes políticos queriam que as famílias fossem funcionais, produtivas e obedientes à nova ordem, mas realizaram esses objetivos de formas opostas. Na Turquia, a emancipação feminina era um tema prioritário. Em 1926, Ataturk introduziu o código civil suíço moderno e liberal no país, o que deu à mulher um status legal inédito. Na Alemanha de Hitler, embora a família, o Estado e a sociedade fossem entidades separadas, assim como na União Soviética, o Estado estava em primeiro lugar, e com um custo terrível destruiu corações e vidas. Na Espanha, o fascismo alegava ser o protetor do dogma da família católica apostólica romana. As autoridades republicanas espanholas tinham introduzido o divórcio antes da guerra civil; os fascistas vitoriosos o proibiram. Na Itália fascista, o neo-paganismo e o culto à virilidade de Mussolini, que incluía um imposto de “celibato” cobrado dos homens solteiros, com exceção de padres, monges, soldados e homens com problemas mentais ou físicos sérios, coexistiam em permanente conflito com o catolicismo tradicional.

Fontes:
The Economist-Behind closed doors

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