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Um novo olhar sobre o terror que acompanhou a criação do Paquistão

A divisão sangrenta do subcontinente indiano em dois países independentes em 1947 foi uma tragédia

Um novo olhar sobre o terror que acompanhou a criação do Paquistão
O processo violento de separação foi, sem dúvida, catastrófico (Foto: Wikipedia)

A divisão sangrenta do subcontinente indiano em dois países independentes em 1947, a Índia, um país onde o hinduísmo é a religião predominante, e o Paquistão com uma população de maioria muçulmana — foi uma tragédia. Os méritos do resultado têm sido um tema de discussões. Mas o processo violento de separação foi, sem dúvida, catastrófico.

As autoridades imperiais britânicas que evitavam discutir a questão da independência da Índia, de repente decidiram se retirar do país. Um funcionário incompetente do governo encarregou-se de traçar a linha divisória do subcontinente indiano em poucas semanas, com consequências caóticas e perigosas. Diversos líderes rivais, como os sikhs, os muçulmanos e indianos, lutaram para conquistar o poder, em meio às atrocidades de seus seguidores.

Em Midnight’s Furies: The Deadly Legacy of India’s Partition, Nisid Hajari, o editor de Bloomberg View na Ásia, faz um excelente relato dos horrores que se desenrolaram após a divisão territorial, sobretudo em Punjab. Pelo menos 14 milhões de pessoas foram expulsas de suas terras — a maior migração forçada na história — e milhares foram assassinadas. Com o talento de um jornalista experiente, Hajari relata acontecimentos dramáticos: a explosão de um trem por nacionalistas sikhs que, em seguida, massacraram os passageiros muçulmanos; os bandidos muçulmanos que bombardearam casas de indianos em Lahore e se deliciaram com os gritos de terror das pessoas que estavam sendo queimadas vivas; e os extremistas indianos em Hyderabad, que massacraram milhares de muçulmanos depois que o Exército da Índia derrotou as forças rebeldes.

Hajari concentra-se, em especial, na personalidade complexa de Muhammad Ali Jinnah, líder da Liga Muçulmana e fundador do Paquistão. Hajari não simpatiza com Jinnah, um homem amargo e inflexível e, em suas palavras, o “personagem mais polarizador no drama da divisão do subcontinente indiano”. Embora Jinnah tenha sido o principal articulador da criação do Paquistão, não se sabe ao certo se queria criar uma nação politicamente independente, ou se incentivou essa secessão como uma tática para aumentar a influência muçulmana na Índia. Na opinião de Hajari, Jinnah agiu com uma “negligência criminosa” em sua avaliação sobre as consequências humanas da criação do Paquistão, além de ter sido “vingativo” em sua decisão.

O primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru, em seu desprezo arrogante em relação a Jinnah, também pode ser considerado culpado pela violência entre os dois países. Seu desprezo alimentou o medo de Jinnah de que a Índia “estrangulasse o Paquistão ao nascer”, não lhe dando condições econômicas para prosperar ou para se defender militarmente, o que motivou sua determinação de “lutar até o fim”.

O sucesso do livro deve-se ao talento para contar histórias de Nisid Hajari. É por meio de descrições vívidas de pequenos incidentes que Hajari transforma um acontecimento de proporções avassaladoras em uma experiência íntima. Midnight’s Furies é um relato emocionante de um período terrível na história do Sul da Ásia. O livro merece ser lido por um grande público.

Fontes:
The Economist-A searing split

2 Opiniões

  1. Eliahu Feldman disse:

    Curiosidades:
    1947 – A india e Paquistã0 se separam em luta feroz clssificada de ‘catástrofe’ (Naqba?). Hoje coexistem 2 paises, e ninguem discute a legitimidade de nenhum deles.
    1947 – A ONU vota a separação do território administrado pela Inglaterra (Palestina) em 2 paises: Israel (um estado judeu) e outro pais árabe. Ocorre aquilo que é chamado de “Catástrofe”(Naqba). Hoje discute-se a legitimidade do Estado de Israel.

    Que mundo “engraçado” êsse…

  2. Rogerio Faria disse:

    Tudo em “nome de deus”…

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