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Uma nova abordagem para o controle de pragas agrícolas

A broca-do-café é um besouro responsável pela destruição de pés de café avaliada em US$ 500 milhões por ano

Uma nova abordagem para o controle de pragas agrícolas
Broca-do-café (Fonte: Reprodução/Peggy Greb/USDA Agricultural Research Service)

A broca-do-café é um besouro responsável pela destruição de pés de café avaliada em US$ 500 milhões por ano, com a consequente redução das receitas de 20 milhões de agricultores. A broca-do-café passa a maior parte da vida como uma larva, enterrada em um grão de café, alimentando-se dos grãos internos e desafiando os efeitos tóxicos da cafeína. A cafeína é uma substância agradável para os seres humanos, porém é fatal para insetos, com exceção, por razões desconhecidas, da broca-do-café.

Mas uma equipe de pesquisadores dirigida por Eoin Brodie, do Lawrence Berkeley National Laboratory, e Fernando Vega, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, suspeitou que essa imunidade não se referia à constituição do besouro, e sim ao mecanismo de defesa das bactérias em seu intestino. Em um artigo publicado em Nature Communications, os pesquisadores descreveram como essa suspeita provou ser correta.

O estudo da equipe baseou-se na hipótese de que as bactérias no intestino da broca-do-café eliminavam a cafeína ingerida, antes que o veneno fosse absorvido pela parede do intestino do inseto. Experimentos com uma cepa da broca-do-café criada em laboratório sugeriu que essa hipótese poderia ter fundamento. No início, as fezes da larva não tinham resíduos de cafeína. Quando os insetos criados em laboratório foram tratados com antibióticos, essa situação mudou. A cafeína começou a aparecer nas fezes e após um experimento de 44 dias o intestino dos insetos ficou esterilizado (um período em que os insetos completaram um ciclo inteiro de vida de ovo, larva, pupa e imago). Após esse período, a população das colônias experimentais diminuiu 95% e as larvas que não morreram tiveram dificuldade para atingir o estágio intermediário entre a larva e a imago. É evidente que a imunidade à cafeína fora dada pelas bactérias no intestino.

Fontes:
The Economist - Protecting coffee crops: Beetles and bugs

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