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DESCOBERTA DE FÓSSEIS

Uma nova era no estudo das teorias evolucionárias

A descoberta de fósseis na Escócia abriu caminho para um novo estudo da evolução dos seres humanos

Uma nova era no estudo das teorias evolucionárias
Novas descobertas sugerem que há uma falta de informação nos estudos atuais (Foto: Wikimedia)

Um dos passos mais importantes no processo de evolução do Homo sapiens foi dado pelo primeiro peixe que rastejou na terra seca. É um passo metafórico e literal difícil de definir em termos de tempo geológico. Depende, por exemplo, da definição de “terra seca”. Os movimentos dos peixes em superfícies lodosas ajudados por barbatanas, que evoluíram até serem capazes de nadar no fundo do mar, como os atuais celacantos, marcaram um ciclo evolutivo que aconteceu provavelmente há 385 milhões de anos.

Há 375 milhões de anos, os descendentes desses espécimes passaram a ter novas características físicas como quatro membros. Não eram mais peixes, e sim “tetrápodes”, animais dotados de quatro patas. Porém os membros não conseguiam sustentá-los fora da água. Portanto, nesse estágio o primeiro passo na terra não havia ainda sido dado.

Todos esses acontecimentos ocorreram no período Devoniano, quando os oceanos tinham uma fauna marinha tão rica como a atual, mas a vida nos continentes estava apenas começando. No reino vegetal, as plantas vasculares (maiores do que os musgos e as plantas hepáticas) são fenômenos recentes da natureza.

Os insetos também evoluíram com rapidez. Mas não existiam grandes animais terrestres. A ocupação do novo hábitat pelos tetrápodes parecia então uma evolução natural. Porém há 359 milhões de anos em uma extinção em massa tão grande como a dos dinossauros, o período Devoniano terminou. Durante 25 milhões de anos esses tetrápodes quase desapareceram dos registros fósseis. Quando reapareceram no período Carbonífero, os tetrápodes já haviam desenvolvido seu potencial evolutivo. Agora, eram animais terrestres com membros fortes que suportavam seu peso sem a ajuda da flutuabilidade da água. Mas como ocorreu essa transição da água para a terra firme permanece um mistério.

Esse período obscuro de 25 milhões de anos foi observado pela primeira vez pelo paleontólogo americano Alfred Sherwood Romer (1894-1973), um dos principais especialistas em répteis fósseis. Mas a Lacuna Romer, nome atribuído a esse período em homenagem a quem o descobriu, começou a ser desvendado.

Uma equipe de pesquisadores de paleontólogos dirigida por Jennifer Clack da Universidade de Cambridge tem coletado e analisado material do período Carbonífero encontrado em depósitos na Escócia. Como relataram em um artigo publicado na revista Nature Ecology and Evolution, Clack e seus colegas identificaram e denominaram cinco espécimes até então desconhecidos de tetrápodes desse período obscuro, e reuniram material de sete outros tetrápodes, ainda sem nome. Essa descoberta sugere que a falta de informação refere-se a uma pesquisa incompleta do passado e não a um hiato na evolução da história animal causada pela extinção em massa do período Devoniano.

Os tetrápodes descobertos pela equipe de pesquisadores variam de espécimes do tamanho de salamandras a crocodilos. Alguns eram capazes de caminhar bastante tempo em terra firme, ao contrário de seus ancestrais do período Devoniano. A Lacuna Romer representa, portanto, a transformação de animais aquáticos em terrestres.

Mas os fósseis descobertos na Escócia revelaram informações ainda mais importantes. Uma das descobertas mais intrigantes dos pesquisadores resultou de uma análise da anatomia dos fósseis, feita com o objetivo de definir a relação entre eles e outros animais anteriores e posteriores. Esse estudo concluiu que houve uma grande ruptura no processo de evolução entre os anfíbios e os amniotas ocorrida durante essa lacuna de informação. Os amniotas são animais vertebrados, como répteis, aves e mamíferos, cujo embrião é envolvido pelo âmnio, uma membrana que protege o embrião de choques e aderências. Em sua evolução os amniotas começaram a depositar seus ovos na terra, e não mais na água dando início, assim, à transformação de animais aquáticos em terrestres.

Fontes:
The Economist-New fossils illuminate the route that led ultimately to human beings

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