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Uma questão de vida ou morte

Preso na Bélgica cumprindo sentença de morte luta por direito a eutanásia, enquanto nos EUA, menina de 17 anos se recusa a tratar um câncer agressivo, mas é obrigada a realizar tratamento

Uma questão de vida ou morte
Preso e menina com câncer lutam pelo direito de escolha (Reprodução/ Internet)

Até que ponto um indivíduo tem plenos direitos sobre seu próprio corpo? Um acusado de assassinato cumprindo uma sentença de prisão perpétua e uma menina de 17 anos com câncer podem escolher entre a vida ou a morte?

Um prisioneiro belga cumprindo pena de prisão perpétua pediu autorização para morrer com uma injeção letal. Em setembro, seu pedido havia sido aceito, mas esta semana o Ministério da Justiça mudou sua decisão. A questão envolve um ponto subjetivo, se prisioneiros cumprindo penas têm direito à morte assistida. Na Bélgica, a eutanásia é permitida para pacientes com doenças terminais e também para quem quer acabar com um sofrimento psicológico.

“Van den Bleeken deveria escapar de seu sofrimento mental morrendo? Ou é certo, que dados os seus crimes, ele deve ser obrigado a suportar o encarceramento? Há argumentos para defender os dois lados. De um lado, ele tem um passado muito traumático e problemas psiquiátricos tão graves que ele não foi considerado responsável criminalmente pelos seus atos pelo tribunal, transformando ele em um bom candidato (se qualquer um é) para a eutanásia em razão do sofrimento psicológico. Por outro lado, alguns podem argumentar que a prisão não é para ser agradável. E que, por isso, não seria apropriado permitir uma fuga desse sofrimento merecido via eutanásia”, argumentou Rebecca Roache, professora de filosofia na Universidade de Londres, à BBC.

Remédio à força

Já uma menina de Connecticut, nos Estados Unidos, de 17 anos, se recusou a receber tratamento médico para um câncer e sua mãe concordou com sua decisão. Entretanto, autoridades estaduais tomaram a guarda da menina e fizeram com que ela passasse pelo que eles chamam de “quimioterapia para salvar vidas”.

A Suprema Corte de Connecticut irá rever essa questão no âmbito de um apelo de emergência apresentado por advogados da mãe da menina, levando em consideração uma questão reconhecida por vários outros estados: se alguns menores são maduros o suficiente para tomar decisões sobre seus próprios corpos. O tribunal vai ouvir os argumentos nesta quinta-feira, 8, no caso da menina conhecida em documentos judiciais apenas como “Cassandra C.”, que vai completar 18 em setembro.

A adolescente foi diagnosticada com linfoma de Hodgkin de alto risco em setembro do ano passado, de acordo com documentos judiciais, e foi submetida a dois dias de tratamento em novembro, mas fugiu por uma semana. De acordo com os documentos, os médicos dizem que o tratamento daria à Cassandra uma chance de sobrevivência de 85%, enquanto que sem tratamento, haveria quase uma certeza de morte dentro de dois anos. Cassandra está agora confinada em uma sala no Centro Médico Infantil de Connecticut em Hartford, com um funcionário do hospital parado na porta para que ela não possa sair, de acordo com um documento apresentado por Michtom e Michael Taylor, um advogado da mãe de Cassandra.

 

 Caro leitor,

Na sua opinião, até onde vai o poder do Estado no que se refere aos corpos e à vida de seus cidadãos?

É dever do Estado preservar a vida a qualquer custo?

Fontes:
BBC-Preso, cumprindo sentença de morte, luta por direito a eutanásia, enquanto menina de 17 anos se recusa a tratar um câncer agressivo
O Globo-Adolescente de Connecticut, nos EUA, é obrigada a realizar quimioterapia

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