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Polêmica

Unesco quer explicações do Brasil sobre demolição do Museu do Índio

A suspeita é de que o prédio faça parte da lista de locais que são patrimônio mundial da Unesco

Unesco quer explicações do Brasil sobre demolição do Museu do Índio
Indígenas pedem audiência com autoridades para discutir demolição (Fonte:Reprodução/Agência Brasil)

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A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pedirá explicações ao governo brasileiro sobre o plano de demolir o Museu do Índio nos arredores do Maracanã. O órgão enviará uma carta à representação diplomática do Brasil na Unesco, em Paris, confirmou porta-voz da Unesco à BBC Brasil. A suspeita é de que o prédio faça parte da lista de locais que são patrimônio mundial da Unesco.

Leia também: Paes autoriza demolição do antigo Museu do Índio

O antigo prédio pode ser demolido para a expansão do projeto de modernização do Maracanã, para a construção de um estacionamento, defendido pelo governo do estado do Rio de Janeiro, com apoio da prefeitura. O Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural pede a conservação do prédio.

“Vamos verificar se a área do prédio que deve ser demolido integra a região do Rio de Janeiro que faz parte da lista do patrimônio mundial da Unesco”, explica Roni Amelan, do Setor de Relações Externas e Informações Públicas da Unesco. Se o prédio não estiver em região de proteção, o órgão não poderá interferir na questão.

“Se o prédio estiver na área inscrita na lista do patrimônio, o Brasil tem a obrigação legal de preservá-la”, adianta Amelan. O Rio tem vários locais protegidos pela Unecso, como o Parque Nacional da Tijuca, o Jardim Botânico, o Corcovado e as paisagens de Copacabana.

O Ministério Público Federal entrou com recurso contra a demolição do antigo Museu do Índio. Os índios de várias etnias que ocupam o prédio pedem uma audiência com o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes.

Fontes:
BBC Brasil - Unesco cobrará explicações sobre decisão de demolir Museu do Índio

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4 Opiniões

  1. Jorge Christian Rodrigues Cunha disse:

    O que o governador e o prefeito estão fazendo, com o silêncio cúmplice da presidente, é um crime não só contra os índios, mas contra todos os brasileiros. Querem derrubar um prédio do século XIX para fazer um estacionamento! Então, toda a área em volta do Maracanã não é suficiente para a nossa elite motorizada e endinheirada estacionar seus carros? É preciso despejar os índios? Mas ora, o atual prefeito se elegeu com a promessa de “incentivar o transporte público”. Fazemos assim: o senhor Eduardo Paes e o senhor Sérgio Cabral, muito patrioticamente, e para preservar um importante patrimônio da nossa História, cedem seus imóveis particulares – isso mesmo, suas casas – para que sejam postos abaixo para a instalação de novos estacionamentos que irão modernizar nossa cidade. Está bom assim?

  2. Maria da Conceição Monteiro disse:

    Acho um absurdo demolir qualquer construção, seja museu, ponte, prédios históricos, etc.
    O Museu do Índio deveria ter sido recuperado para não chegar ao estado de depredação que está. Nosso Rio Antigo já foi bem destruído pelo descaso de governantes que usam o nosso dinheiro para fins que nem sabemos ao certo e não cuidam do patrimônio da Cidade, nosso tesouro. Quando optam pela demolição, não se importam com o valor cultural e financeiro desses bens, muitos deles tombados pelo Patrimônio ( literalmente tombados também, quase no chão, pela falta de manutenção).

    O fato é que já demoliram muito e continuam demolindo em nome da modernidade, das necessidades de momento desses governantes, péssimos administradores e perfeitos políticos. Agora temos a Copa e as Olimpíadas para respaldar o desaparecimento desmedido e inconsequente de imóveis que fazem parte da história antiga da Cidade. É mais fácil “implodir a história” para fazer estacionamentos do que procurar outras alternativas inteligentes e sensatas de desenvolvimento. Num futuro não muito distante, novas gerações só conhecerão o Rio Antigo por fotos. Os prédios que ainda existem estão em estado lamentável, sem projetos nem orçamento fechado para recuperação, mas certamente já estão mira da implosão.

    Não dá para contar o número de imóveis antigos, sejam tombados ou não, que se deterioraram por falta de cuidado. Quem conheceu o Palacio Monroe sabe que a história da nossa Cidade perdeu um Palácio lindo construído com materiais importados e foi derrubado para atender interesses de uma épóca. Já vivemos dias bem melhores.

  3. helo disse:

    Se a demolição é para estacionamento, o prédio poderia ficar, é pequeno e elegante. Conceição tem razão.
    Quanto a despejar os poucos índios que lá estão não considero uma questão vital. Existem no Rio vários abrigos para índios, um exemplo o Museu do Índio em Botafogo, inclusive abrigando etnias de outros estados e que aqui vem para tratamento médico e para eventos culturais. Os índios que residem no prédio podem com facilidade serem realocados. O lugar é isolado e ruim para o comércio de artesanato

  4. helo disse:

    Corrigindo meu comentário, o estacionamento poderia incluir o prédio sem demolí-lo.

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