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CRISE HUMANITÁRIA

Unicef pede atenção para evitar ‘geração perdida’ de rohingyas

Entidade alerta para a situação das crianças rohingyas que se refugiaram em Bangladesh e pede apoio da comunidade internacional

Unicef pede atenção para evitar ‘geração perdida’ de rohingyas
Situação educacional é ainda pior para crianças com mais de 14 anos (Foto: Unicef)

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Já faz um ano em que centenas de milhares de pessoas da etnia rohingya foram obrigadas a deixar Mianmar e se refugiar em Bangladesh. O cenário, mesmo tanto tempo depois, pouco melhorou, e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) chama a atenção para a situação do rohingyas.

O Unicef lançou nesta semana o relatório “Futuros na Balança: construindo esperança para uma geração de crianças rohingyas”. No documento, a entidade alerta para a situação das crianças, solicitando um maior apoio da comunidade internacional.

“Eles estão começando a pensar, você sabe, que tipo de futuro eles realmente têm, e é aí que um novo nível de ansiedade e medo começa a aparecer”, destacou Simon Ingram, assessor sênior de Comunicação do Unicef.

A maioria dos rohingyas que foram obrigados a deixar Mianmar está vivendo em Cox’s Bazarm, uma cidade de Bangladesh, em moradias rudimentares. Os jovens não tem acesso à educação de qualidade, o que aumenta a desigualdade entre eles e pessoas da mesma idade. Essa, portanto, é a principal preocupação do Unicef no momento.

Isso porque outras questões humanitárias foram solucionadas nos últimos 365 dias, como a melhora no abastecimento de água, a prevenção ao surto de doenças e moradias mais resistentes para lidar com as mudanças climáticas.

No mês passado, existiam aproximadamente 1,2 mil unidades de educação em Cox’s Bazar para atender cerca de 140 mil crianças. Mesmo sendo pouco, o Unicef enxerga esse avanço como uma conquista significativa, mas alerta para a ausência de um currículo escolar, as salas superlotadas e a falta de oportunidades de aprendizado para os jovens com mais de 14 anos.

“Se não fizermos o investimento na educação agora, enfrentamos o perigo muito real de ver uma geração perdida de crianças rohingya. […] Crianças que não têm as habilidades necessárias para lidar com sua situação atual e que serão incapazes de contribuir para sua sociedade sempre que puderem retornar a Mianmar”, explicou Edouard Beigbeder, representante do Unicef em Bangladesh.

Apesar do êxodo dos rohingyas para Bangladesh ter ocorrido há um ano, a crise da etnia é ainda mais antiga. No estado de Rakhine, em Mianmar, vivem mais de meio milhão de rohingyas, mas também enfrentam dificuldades para ter acesso à educação de qualidade.

A ONU conseguiu firmar um acordo, em junho, com Bangladesh e Mianmar para promover o retorno dos rohingyas as suas comunidades. Porém, a “volta para casa” parece ainda estar longe de acontecer, visto que ainda são necessários esforços para garantir a segurança e a dignidade do povo.

“Acho que todos esperariam que o retorno do povo rohingnya para Mianmar aconteceria o mais cedo possível, o mais rápido possível. […] Mas a posição da ONU e do Unicef foi absolutamente clara, isso só pode acontecer quando as circunstâncias estiverem certas”, afirmou Simon Ingram a jornalistas, em uma coletiva de imprensa em Genebra.

 

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