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HONG KONG

Universidade é palco de confrontos em Hong Kong

Ativistas pró-democracia e polícia entram em confronto em campus usado como foco de resistência. Cerca de 500 manifestantes permanecem no local

Universidade é palco de confrontos em Hong Kong
Manifestações tiveram início no começo de junho (Foto: Joshua Wong/Twitter)

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Pelo menos 38 pessoas ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e policiais no campus da Universidade Politécnica de Hong Kong, ocorridos entre a noite do último domingo, 17, e a manhã desta segunda-feira, 18.

Entre os feridos está um porta-voz da Polícia de Hong Kong, que foi atingido por uma flecha na perna. Ademais, estudantes denunciam a violência policial, afirmando que estão apenas se defendendo das tentativas de invasão dos oficiais. Alguns manifestantes deram entrada no hospital com queimaduras que teriam sido causadas por produtos químicos adicionados aos jatos de água da polícia.

Ocupada há cerca de uma semana, a universidade tem sido um foco de resistência dos manifestantes pró-democracia de Hong Kong, que tomam as ruas continuamente desde junho deste ano. A polícia ainda tenta, sem sucesso, entrar no campus. Estima-se que cerca de 500 estudantes permaneçam no local.

Ao longo do último final de semana, mais 154 pessoas foram presas em confrontos com policiais. Ao todo, já foram detidos 4.491 manifestantes desde o último mês de junho. Os protestos tiveram origem em uma lei que permitia a extradição de cidadãos de Hong Kong para a China.

A legislação foi completamente abandonada no último mês de setembro. Porém, a retirada do projeto de lei não fez com que as manifestações cessassem, com outras demandas ganhando forças. Entre elas: anistia aos manifestantes presos; não categorização dos protestos como revoltas – o que pode gerar penas duras no sistema judicial de Hong Kong -; inquérito independente para analisar as ações policiais; e eleições livres – na região, o líder é escolhido por uma comissão de 1,2 mil pessoas alinhadas a Pequim.

No entanto, nem as autoridades de Hong Kong, nem da China parecem estar dispostas a ceder às pressões dos manifestantes. Os chineses não costumam interferir diretamente nos assuntos de Hong Kong, que é tida como uma região semi-autonôma, que integra o modelo chinês “um país, dois sistemas”.

Porém, os manifestantes temem que isso possa mudar nos próximos dias. Isso porque testemunhas relatam que já viram membros do Exército Popular de Libertação da China (PLA) em uma base perto da universidade. Alguns estariam vestindo equipamentos anti-manifestações. Até o momento, no entanto, eles apenas teriam ajudado a limpar os detritos de confrontos.

A presença das autoridades chinesas deixa os manifestantes desconfortáveis, justamente por julgarem que a ação seja um atentado contra a democracia na região. Enquanto os ativistas lutam por eleições livres em Hong Kong, a presença chinesa parece ir na direção contrária, reforçando a presença do país.

Joshua Wong, um dos principais líderes jovens de protestos anteriores – a atual manifestação não tem líder identificável -, escreveu um longo apelo à comunidade internacional pelas redes sociais. Para Wong, “o mundo precisa apoiar os manifestantes desesperados de Hong Kong”.

“Posso não concordar com alguns dos comportamentos dos manifestantes, mas, como disse anteriormente na entrevista à DW, os manifestantes que cometeram violência serão levados ao tribunal para procedimentos judiciais. Ainda que ironicamente, o que dizer da brutalidade policial desproporcional? A polícia que cometer tortura e crime de guerra não será responsabilizada!! O sistema injusto e a política plantaram a raiz da escalada da violência”, escreveu Wong, que já se posicionou contra a violência nos protestos, mas também analisou que os protestos pacíficos anteriores foram ignorados pelas autoridades.

Enquanto a Polícia não consegue entrar na universidade, os policias cercam completamente o local. Segundo os manifestantes, que reclamam que estão sem água, comida ou energia elétrica, as autoridades não estão permitindo que ninguém deixe a universidade.

De acordo com os ativistas, todas as rotas de saída da universidade foram bloqueadas. Os policiais pedem que os manifestantes “larguem suas armas”, mas os ativistas temem que, caso obedeçam, vão direto para a prisão. A qualificação das manifestações como “motim” pode render penas de até dez anos de prisão, segundo as leis locais.

Nesta segunda-feira, porém, os manifestantes conquistaram uma pequena vitória. Isso porque o Supremo Tribunal de Hong Kong considerou inconstitucional a proibição do uso de máscaras durante as manifestações, medida imposta no início do último mês de outubro.

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Fontes:
Al Jazeera-Hong Kong police storm through barricades at protester stronghold
The New York Times-Hong Kong Protests: Campus Under Siege as Mask Ban Is Overturned

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