Início » Internacional » Uruguai destitui cúpula militar por acobertamento de crime da ditadura
QUEDA DA CÚPULA

Uruguai destitui cúpula militar por acobertamento de crime da ditadura

Decisão veio no dia dos 55 anos do golpe de 1964 no Brasil, aniversário para o qual o governo Bolsonaro determinou ‘as comemorações devidas’

Uruguai destitui cúpula militar por acobertamento de crime da ditadura
Presidente uruguaio anunciou as demissões da cúpula militar (Foto: Kremlin.ru)

No dia em que o Brasil lembrou – e o governo do Brasil comemorou – os 55 anos do golpe militar de 1964, o presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, demitiu seu ministro da Defesa e o chefe do Exército por se omitirem quando, no ano passado, um notório torturador admitiu ter se livrado do corpo do primeiro cidadão uruguaio sequestrado e morto por militares na ditadura que se estendeu no país de 1973 a 1985.

As demissões do ministro da Defesa do Uruguai, Jorge Menéndez, do número 2 da pasta, Daniel Montiel, do chefe do Exército do país, José González, e de mais dois generais foram anunciadas na última segunda-feira, 1º de abril. Além deles, caíram o chefe da IV Divisão militar, Gustavo Fajardo, e Alfredo Erramún, chefe do Estado Maior da Defesa.

A queda da cúpula militar do Uruguai aconteceu na sequência de uma reportagem do jornal El Observador, que encontrou em ata do Tribunal de Honra do Exército o registro de que José Gavazzo confessou, em 2018, perante o tribunal, que jogou o corpo do guerrilheiro tupamaro Roberto Gomensoro num rio em 1973.

“Coloquei o corpo no carro, dirigi o carro, levei o corpo até o local, tirei ele do carro, coloquei o corpo num barco, joguei ele do barco. Eu, sozinho”, disse Gavazzo, conforme consta na ata do tribunal militar.

Em outra coincidência inglória para a “Pátria Amada, Brasil”, na manhã da última sexta-feira, 30 de março, o Tribunal Oral no Criminal Federal N°1 da província de Mendoza deu início ao julgamento de mais 10 agentes da ditadura argentina por crimes de lesa humanidade.

No mesmo dia e hora, o comandante do Exército brasileiro, general Edson Leal Pujol, passou em revista a tropa do Comando Militar do Planalto e, depois, aprumou-se na posição de sentido para ouvir a leitura da “Ordem do Dia Alusiva ao 31 de Março de 1964”, no âmbito das “comemorações devidas” do golpe de 64 determinadas por Jair Bolsonaro.

‘Bolsonaro uruguaio’

Roberto Gomensoro foi preso em 12 de março de 1973 e seu corpo foi encontrado seis dias depois, nas águas do rio Negro. O Tribunal de Honra do Exército considerou que, com a “desova” do corpo de Gomenroso, Gavazzo não faltou com a honra do Exército uruguaio. A decisão foi remetida ao ministério da Defesa, que a ratificou e omitiu o crime da justiça comum.

O regulamento dos tribunais de honra das Forças Armadas do Uruguai determina que, quando num processo interno se tem conhecimento ou suspeita de um crime, as atividades devem ser suspensas e o caso remetido a instâncias judiciárias superiores.

José González, que tinha sido nomeado por Tabaré Vázquez para o comando do Exército há apenas 10 dias, foi na época o responsável pela ata em que aparece a confissão do seu xará. González havia substituído Guido Manini Rios, destituído da chefia do Exército por Vázquez precisamente por criticar que militares sejam levados à justiça comum.

No ano passado, Guido Manini Rios chegou a ser preso, por ordem do Executivo, depois de emitir publicamente opiniões sobre questões políticas, o que é proibido pela legislação do Uruguai. Ele ficou 10 dias preso por dar pitacos sobre a previdência dos militares, numa terceira coincidência reveladora da diferença do Brasil em relação a seus vizinhos do Cone Sul quando se trata da relação dos militares com a República.

Manini Rios foi expulso do comando do Exército no último 12 de março. Espera-se para ainda essa semana a confirmação de sua candidatura à presidência da República Oriental do Uruguai, nas eleições do segundo semestre desse ano. Ele já vem sendo apelidado de “Bolsonaro uruguaio”.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. Almanakut Brasil disse:

    Infelizmente, o Regime Militar, o brando, não fuzilou seus opositores PEÇONHENTOS como fizeram as DITADURAS comunistas e deu no deu.

    Raça maldita para saquear e parasitar no Brasil.

    Jornalista formado em universidade marxista regada à orgia, drogas e bebedeira, deixe o Brasil vá fumar maconha no Uruguai.

  2. HENRIQUE O MOTTA disse:

    No Uruguai os “pseudos perseguidos” da época do regime militar recebem fartas pensões?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *