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Crise no Mediterrâneo

Uso de força militar não vai conter imigração, diz Itália

Guarda Costeira italiana diz que ações militares não erradicam as causas da crise humanitária no Mediterrâneo e pediu prioridade às operações de busca e resgate

Uso de força militar não vai conter imigração, diz Itália
Capitão Cafaro pediu mais navios para fazer operações de resgate no mar mediterrâneo (Foto: Wikipédia)

A Guarda Costeira italiana alertou a União Europeia sobre sua preocupação em relação à estratégia para combater a imigração ilegal no Mediterrâneo. De acordo com os italianos, operações militares não irão reduzir o fluxo no sentido da Europa. Para a Guarda Costeira, o ideal é dar prioridade às operações de busca e resgate.

Leia mais: União Europeia estuda uso de força militar contra tráfico de pessoas

Em uma reunião na última segunda-feira, 18, a União Europeia concordou em lançar um plano de operações militares contra os traficantes de pessoas. O capitão da Guarda Costeira italiana, Paolo Cafaro, disse que uma campanha militar não irá erradicar as causas da crise humanitária no Mediterrâneo. Os colegas de Cafaro, o Almirante Giovanni Pettorino e o Capitão Leopoldo Manna, pediram o aumento do foco em salvar a vida dos refugiados.

Manna requisitou ainda que os europeus colaborem enviando navios, incluindo os britânicos, para que eles tenham maior controle sobre seus barcos e otimizem as campanhas de busca e salvamento na região.

“O problema da migração de pessoas desesperadas não vai ser resolvido com medidas militares. Vai assumir outras formas. Eles vão tentar encontrar outras maneiras. Temos de impedir o envolvimento de organizações criminosas neste tráfego, todo o dinheiro que eles ganham a partir deste crime, isto é necessário destruir. Mas o problema da migração não pode ser resolvido com medidas como essas”, disse Cafaro em uma entrevista no quartel-general, em Roma.

O capitão também explicou que as operações militares só serão possíveis em águas internacionais, quando os barcos já estão superlotados de migrantes. Por isso, é necessário uma missão de resgate antes de se afundar a embarcação. Os europeus não poderiam abordar os traficantes antes, pois eles estão em águas territoriais da Líbia, onde a UE não tem autoridade.

Fontes:
Guardian-Italian coastguards: military action will not solve Mediterranean migrant crisis

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