Início » Internacional » Venezuela antecipa as eleições presidenciais
ELEIÇÕES ANTECIPADAS

Venezuela antecipa as eleições presidenciais

Antes previsto para o final do ano, pleito deve ocorrer até 30 de abril. Medida gerou revolta na oposição, que sairá prejudicada com a antecipação

Venezuela antecipa as eleições presidenciais
Candidato do governo será novamente o atual presidente Nicolás Maduro (Foto: Flickr)

A Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela aprovou na última terça-feira, 23, a antecipação das eleições presidenciais do país. Segundo o órgão, que é composto por aliados do presidente Nicolás Maduro, o pleito, antes previsto para o final deste ano, deve ocorrer até o dia 30 de abril.

Proposto pelo líder do governo Maduro, Diosdado Cabello, o decreto foi aprovado por unanimidade na assembleia. Cabello confirmou que o candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) será o presidente Nicolás Maduro.

“Nós não vamos ter problemas: teremos só um candidato para continuar a revolução”, disse Cabello, afimrnado que o decreto é uma resposta às sanções impostas pela União Europeia e os Estados Unidos.

A medida da assembleia gerou revolta na oposição, que sairia prejudicada com a antecipação do pleito, num momento que o governo Maduro aproveita as vitórias nos pleitos para prefeitos, em dezembro, e governadores, em outubro, e a implosão da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).

O Grupo de Lima, composto pelo Brasil e por outros 11 países das Américas – como México, Canadá e Argentina -, não reconhece a Constituinte formada apenas por aliados de Maduro. O grupo afirma que tal fato torna “impossível a realização de eleições presidenciais democráticas, transparentes e confiáveis”.

“[Os países] exigem que as eleições presidenciais sejam convocadas com antecipação adequada, com a participação de todos os atores políticos venezuelanos e com todas as garantias correspondentes, inclusive a participação de observadores internacionais independentes. Eleições que não atendam a essas condições não terão legitimidade ou credibilidade”, destacou o grupo.

Maduro, por sua vez, disse que está pronto para concorrer a reeleição, justamente no ano que se celebra os 60 anos da queda da ditadura de Marcos Pérez Jiménez, que esteve em vigor de 1952 a 1958. “Eu sou só um humilde trabalhador, um humilde homem do povo. Se o PSUV, se meus irmãos trabalhadores acham que eu deva ser o candidato presidencial, da pátria, dos setores revolucionários, dos que amamos este país, estou às ordens”, disse o presidente venezuelano.

Revolta da oposição

O líder da coalizão opositora Ação Democrática, Henry Ramos Allup, afirmou que a antecipação das eleições presidenciais foi uma clara represália às sanções da União Europeia, lembrando ainda que a oposição não tem poder de “aplicar ou levantá-las”. Mesmo assim, Allup acredita que a MUD pode voltar a se unir, escolhendo um candidato único para o pleito.

No entanto, a coalizão precisa se revalidar no próximo final de semana para seguir existindo, após ter sofrido uma punição pela Constituinte por ter boicotado as eleições municipais de 2017.

“A única verdade é que este governo e sua cúpula irritam a população. Se liberam o direito que o nosso povo tem de decidir, eles vão embora”, apontou Henrique Capriles, ex-presidenciável que teve seus direitos políticos cassados por 15 anos.

Além de Henrique Capriles, María Corina Machado e Leopoldo López – que atualmente está em prisão domiciliar – não podem concorrer às eleições presidenciais. Sendo assim, os dois principais nomes da oposição à Maduro são Henry Ramos Allup e o ex-presidente da Assembleia Nacional Julio Borges, que também são alvos de processos por suposta incitação ao ódio.

Caso ambos se tornem inelegíveis, acredita-se que o principal concorrente de Maduro possa ser o dono da Polar – a maior indústria alimentícia da Venezuela -, o magnata Lorenzo Mendoza.

Fontes:
Folha de São Paulo - Chavismo antecipa para abril eleição presidencial na Venezuela

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Daniela Villa disse:

    É claro que o Maduro vai ser reeleito.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *