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Venezuela fecha portos contra ajuda humanitária

Governo Maduro suspendeu relação com ilhas caribenhas e ordenou o fechamento da fronteira com o Brasil. Anistia Internacional denunciou atuação das autoridades

Venezuela fecha portos contra ajuda humanitária
Ajuda humanitária está prevista para chegar no próximo sábado, 23 (Foto: Nicolas Maduro/Twitter)

A Venezuela decidiu, na última quarta-feira, 20, fechar todos os portos do país até o próximo dia 24 de fevereiro. O anúncio ocorreu horas depois que o presidente da Assembleia Nacional e autoproclamado presidente venezuelano, Juan Guaidó, anunciou a partida de uma ajuda humanitária de Porto Rico para a Venezuela.

“Hoje [quarta] saiu de Porto Rico uma embarcação com 250 toneladas de ajuda humanitária para nosso país. Contêineres cheios de esperança e oportunidades para muitos venezuelanos, mas também cheios de liberdade. A ajuda humanitária entrará sim ou sim na Venezuela”, escreveu Guaidó nas redes sociais.

Diante da proximidade do dia 23 de fevereiro, no próximo sábado, data na qual Guaidó garantiu que a ajuda humanitária chegará ao país, o governo do presidente eleito Nicolás Maduro anunciou o fechamento de todos os portos venezuelanos. Até o momento, apenas a fronteira com a Colômbia estava bloqueada para impedir a chegada da ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos.

Além de encerrar temporariamente as atividades nos portos, bloqueando a saída e chegada de embarcações, a Venezuela afirmou que vai rever as relações com as ilhas de Aruba, Bonaire e Curaçao, que ficam no mar do Caribe. Isso porque, os governos locais haviam se colocado à disposição para servir como um centro de coleta para ajuda humanitária. Dessa forma, o governo venezuelano suspendeu, por tempo indeterminado, a relação com as ilhas.

“Nós anunciou a suspensão de todos os tipos de voos privados e comerciais e o tráfego de barcos da nação venezuelana para Curaçao, Aruba e Bonaire, e vamos rever as relações diplomáticas com estes países, que servirão como centros de recolha de uma suposta ajuda humanitária, sob a tutela do governo dos Estados Unidos, para justificar uma intervenção no Estado venezuelano”, afirmou a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez.

Fronteira com o Brasil

Além do bloqueio na fronteira com a Colômbia e a suspensão do tráfego marítimo, o governo venezuelano também ordenou o fechamento da fronteira com o Brasil. Isso porque, o presidente Jair Bolsonaro anunciou, na última quarta-feira, que uma força-tarefa brasileira iria levar ajuda humanitária aos venezuelanos.

“Alimentos e medicamentos serão disponibilizados para recolhimento a cargo do Presidente encarregado Juan Guaidó”, escreveu Bolsonaro nas redes sociais. Diante da possibilidade da ajuda humanitária entrar no país pela fronteira com o Brasil, Maduro resolveu movimentar os militares para a cidade venezuelana de Santa Elena, que fica a 15 quilômetros de Roraima (BR).

De acordo com uma reportagem do jornal Globo, a movimentação militar surpreendeu até mesmo moradores de Santa Elena, que se assustaram com a presença de tanques e blindados na região.

Ajuda humanitária

Enquanto Maduro nega que a Venezuela precise de ajuda humanitária de outros países, rechaçando a possibilidade de uma crise, Juan Guaidó, reconhecido como presidente do país por parte da comunidade internacional, mantém o discurso de que o apoio é necessário. Estados Unidos, Colômbia e Brasil são algumas das nações mais próximas a se disponibilizarem a ajudar.

O presidente dos EUA, Donald Trump, inclusive, aumentou a pressão sobre as Forças Armadas venezuelanas, vista por analistas como o principal motivo para que Maduro ainda se mantenha no poder. Na última terça-feira, 19, Trump falou diretamente aos militares venezuelanos, instando-os a apoiar Guaidó.

“Vocês podem escolher a generosa oferta de anistia do presidente Guaidó de viver suas vidas em paz com suas famílias e seus compatriotas. Ou vocês podem escolher o segundo caminho: continuar a apoiar Maduro. Se escolherem esse caminho, vocês não terão um porto seguro, não haverá alternativa fácil ou uma saída. Vocês vão perder tudo”, garantiu Trump na ocasião.

Os militares, porém, parecem dispostos a seguir apoiando Maduro. Além de manter o bloqueio na fronteira com a Colômbia, agora passaram a ocupar a fronteira com o Brasil. Na última quarta-feira, a Anistia Internacional escreveu um longo comunicado sobre a situação precária na Venezuela, destacando a atuação das autoridades militares venezuelanas.

“As autoridades de Nicolás Maduro estão tentando usar o medo e a punição para impor uma estratégia repulsiva de controle social contra aqueles que exigem mudanças. Seu governo está atacando as pessoas mais pobres que afirma defender, mas em vez disso, mata, detém e ameaça-as”, destacou Erika Guevara-Rosas, diretora para as Américas da Anistia Internacional.

O comunicado lembra ainda que, desde 2015, mais de 3 milhões de pessoas abandonaram a Venezuela, migrando para países próximos. Já no fim de janeiro, período em que a oposição liderou protestos mais intensos pela saída de Maduro, 41 pessoas morreram e mais de 900 foram arbitrariamente detidas, segundo a organização. Na época, diferentes países denunciaram a detenção de jornalistas internacionais.

Segundo analisou a Anistia Internacional, pelo menos seis pessoas com ligações aos protestos foram executadas extrajudicialmente pela Força de Ações Especiais (FAES), uma tropa de choque da Polícia Nacional Bolivariana (PNB).

“Como já vimos muitas vezes na Venezuela, as autoridades querem que acreditemos que aqueles que morreram durante os protestos – principalmente jovens de áreas de baixa renda – eram criminosos. Seu único crime foi ousar pedir mudanças e exigir uma existência digna”, denunciou Guevara-Rosas.

Além das execuções extrajudiciais, a Anistia Internacional também documentou casos de força excessiva por parte das autoridades venezuelanas. “A detenção arbitrária de mais de cem adolescentes e sua submissão a tratamentos cruéis, que às vezes podem ter constituído tortura, mostram até onde as autoridades estão dispostas a ir em suas tentativas desesperadas de deter os protestos e subjugar a população”, explicou a diretora da organização.

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) também divulgou uma nota nesta quinta-feira, 21, destacando a necessidade da Venezuela em receber ajuda humanitária exterior. A entidade destacou que é contra todo o tipo de violência e solicitou que as Forças Armadas se coloquem “ao lado do povo venezuelano”.

“O país necessita da ajuda humanitária. O regime tem a obrigação de atender as necessidades da população e facilitar a entrada e distribuição da ajuda, evitando qualquer tipo de violência repressiva. Pedir e receber ajuda não é nenhuma traição a pátria, mas um dever moral que é incumbido a todos diante das carências e urgências dramáticas que afligem o povo venezuelano”,  destaca o comunicado.

 

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Fontes:
DW-Venezuela suspende partidas em todos os portos do país

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1 Opinião

  1. Paulo Costa disse:

    Tomara que esse filho da puta do Maduro tenha paralisia cerebral!

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