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retrocesso econômico

Venezuela se afunda cada vez mais na crise

Moeda local desvaloriza e população não tem acesso a produtos básicos. Inflação já beira os 68% e governo culpa os EUA

Venezuela se afunda cada vez mais na crise
Moeda venezuelana está cada vez mais desvalorizada. Na cotação atual o dólar vale 170 bolívares (Foto: Reprodução/New York TImes)

Na Venezuela, um voo da capital Caracas para Maracaibo, que fica do outro lado do país, custa US$ 16 (R$ 44,80). Se o passageiro precisar de um livro para ler durante a viagem, a cópia mais recente de “50 tons de cinza” custa US$ 2,50 (R$ 7). Se ao chegar ao destino, a pessoa perceber que esqueceu a pasta de dente, basta comprar outra por US$ 0,07 (R$ 0,20).

Parece barato, mas a maioria da população venezuelana não tem fácil acesso ao dólar ou ao real. E esses preços surreais causam uma tremenda desvalorização da moeda local e a deterioração da economia, que deve contrair 7% este ano.

Economia em retração

Com a inflação beirando os 68%, o governo venezuelano procura administrar a crise com uma complexa rede de três taxas de câmbio oficiais. Na cotação atual o dólar vale 170 bolívares.

A Venezuela tem as maiores reservas de petróleo do mundo, o que passa a impressão de uma riqueza infinita. Maduro diz que é preciso fazer mudanças na política econômica e defende o aumento do preço de gasolina, que custa menos de US$ 0,10 (R$ 0,28) o galão. Há muita resistência a esse aumento apesar de o subsídio ao combustível custar cerca de US$ 12 bilhões por ano ao governo.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, tem agora de lidar com uma queda vertiginosa nos índices de aprovação, reflexo da crise econômica. A reação do presidente  tem sido intensa contra seus inimigos políticos. Um caso que demonstra isso é a prisão de Antonio Ledezma, prefeito de Caracas, ocorrida na semana passada. Ele foi detido sob acusação de conspirar para um golpe americano no país. “Na Venezuela frustramos um golpe de Estado apoiado e promovido a partir do norte”, disse Maduro no Twitter.

Oposição rechaçada

Dos 50 prefeitos oposicionistas no país, 33 estão respondendo ações nas jutiça por envolvimento nos protestos contra o governo no ano passado, que deixou 43 mortos, segundo o prefeito de Baruta, Gerardo Blyde.

A prisão de Ledezma, que foi eleito democraticamente, mas perdeu grande parte de sua autoridade em 2009, é uma ação questionada até mesmo pelos analistas que são pró-chavismo, que bota em xeque a sabedoria do presidente.

Eleitores defendem o presidente

Apesar dos problemas de violência e da grande crise que o país atravessa, alguns eleitores se mantêm fiéis ao presidente, graças aos grandes avanços sociais alcançados por ele e por seu antecessor Hugo Chávez. O grande ponto de defesa dos grupos pró-governo são os subsídios dados à educação universitária e ao sistema de saúde.

“Eu votarei em maduro até morrer”, disse o vendedor de cocos, Marco Miraval, 77. Ele acredita que os problemas econômicos do país são culpa da pressão do governo dos Estados Unidos. “Isso acontece graças a sabotagem dessa economia de guerra”, disse ele.

Fontes:
The New York Times-Amid a Slump, a Crackdown for Venezuela

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