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ÁFRICA

A verdadeira crise do passaporte

Os africanos enfrentam enormes desafios para obter um passaporte, mesmo para viagens pelos países do continente africano, por motivos aleatórios, sem justificativa plausível

A verdadeira crise do passaporte
No continente africano, conseguir um passaporte (real) para viajar é um processo longo e, muitas vezes, falho (Foto: Wikimedia)

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Os africanos que querem viajar enfrentam dificuldades enormes para obter passaportes e vistos, não só para os países desenvolvidos, como também para nações do continente africano. Os habitantes de Uganda enfrentam obstáculos ainda maiores antes de chegarem a uma embaixada estrangeira. Em 12 de junho, o governo avisou que tinha uma cota pequena de passaportes disponíveis e que iria fazer uma triagem ao emiti-los. Os passaportes seriam dados apenas a pessoas doentes que necessitavam de cuidados médicos urgentes, ou as que iriam viajar a trabalho para o governo, ou ainda as que tinham cursos programados no exterior. Todos os demais teriam de esperar, talvez durante meses.

A Uganda não é o único país que impõe dificuldades para a obtenção de passaporte. Até o ano passado, os zimbabuanos passavam a noite na frente do órgão emissor de passaportes, com medo de perder o lugar na fila. Em determinado momento, os passaportes não foram mais emitidos porque a tinta da impressão tinha acabado. Os nigerianos também enfrentaram obstáculos para conseguir um passaporte, quando a empresa que os imprimia diminuiu a entrega dos documentos enquanto discutia preços com o governo.

Os cidadãos da República Democrática do Congo são os mais prejudicados pelo alto custo da emissão de passaportes pelo governo. O passaporte custa US$185, um dos valores mais altos cobrados no mundo inteiro. A renda média no Congo é de apenas US$680, o que inviabiliza a obtenção do documento para a maioria da população.

Mas para os eritreus a situação é ainda mais dramática. A Eritreia é um dos poucos países onde os cidadãos precisam de um visto de saída para viajar. Porém, isso não impediu, segundo a ONU, que cerca de 400 mil eritreus fugissem de um regime ditatorial despótico nos últimos 10 anos, um número correspondente a quase um décimo da população.

Fontes:
The Economist-The challenges of getting a (real) passport in Africa

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2 Opiniões

  1. Markut disse:

    ´
    É de se indagar que motivos aleatórios e sem justificativa plausivel (?) teriam provocado essa extranha crise dos passaportes, entre nós.

    Algo que, talvez, “a nossa vã filosofia” não consiga decifrar.

  2. Christian disse:

    A evasão em massa de adultos e jovens pode ser uma pista do que ocorre também por aqui?!
    Será esse o verdadeiro motivo de estar se restringindo a emissão de passaportes no Brasil?

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