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MÚSICA

Violinos: tradição contra tecnologia

Um estudo recente mostrou que a qualidade do som dos violinos fabricados pelos luthiers de Cremona está sendo superada pelos violinos modernos

Violinos: tradição contra tecnologia
Os violinos fabricados pelos luthiers de Cremona, famosos por sua sonoridade, estão perdendo sua supremacia no meio musical (Foto: Flickr)

Quando se trata da obra de arte de um gênio, US$16 milhões não é um preço exorbitante. E, supostamente, essa foi a quantia paga, em 2012, pelo violino Vieuxtemps Guarneri fabricado no século XVIII, em Cremona, Itália, o preço mais caro pago por um violino no mundo. O proprietário do Vieuxtemps manteve seu anonimato, mas cedeu o instrumento para a violinista americana Anne Akiko Meyers.

Os violinos fabricados por membros da família Guarneri e seus contemporâneos de Cremona, os Stradivari e os Amati, custam milhões de dólares, em razão do valor que músicos como Anne Meyers atribuem a esses instrumentos. Mas um violino não é um trabalho artístico, e sim um meio para criar uma obra de arte.

Hoje, os violinos fabricados pelos luthiers de Cremona, famosos por sua sonoridade, estão perdendo sua supremacia no meio musical. Experiências realizadas por Claudia Fritz, da Universidade de Paris VI, e Joseph Curtin, fabricante de violinos de Michigan, com músicos de olhos vendados mostraram que eles não distinguiram o som dos violinos fabricados pelos mestres antigos dos instrumentos modernos de alta qualidade e que, em geral, preferiram o som dos violinos modernos. Em um estudo recente publicado na revista científica  Proceedings of the National Academy of Sciences, os dois especialistas revelaram que a reação do público havia sido a mesma em testes posteriores.

Em experiências em salas de concertos em Paris e Nova York, Claudia Fritz e Joseph Curtin usaram dois instrumentos, um antigo e um moderno, em uma série de testes, alguns solo e outros com acompanhamento de orquestra. Uma tela especial impediu que o público composto por músicos, críticos, compositores, entre outros, visse os músicos. Em ambos os lugares, os especialistas constataram que a plateia, sem a influência da fama dos violinos de Cremona, havia preferido o som dos violinos modernos.

Essas descobertas não serão suficientes para convencer músicos como Anne Meyers a renunciar a seus instrumentos antigos, mas para os aspirantes a músicos, que não dispõem de milhões de dólares, são boas notícias.

Fontes:
The Economist-Modern violins are better than 300-year-old ones

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