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ATAQUE EM ORLANDO

A visão afegã sobre a homossexualidade

Sociedade afegã conservadora tolera o abuso sexual de meninos, mas considera a homossexualidade contra as leis de Deus

A visão afegã sobre a homossexualidade
Prática de homens mais velhos comprarem e manterem meninos dançarinos, conhecidos como 'Bacha bazi' (Foto: Wikimedia)

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Dois homens se beijando nas ruas de Miami consternaram Omar Mateen, que no último domingo, 12, fez o pior ataque a tiros na história recente dos EUA, na boate Pulse, em Orlando. No entanto, um homem com boas condições financeiras acariciando um menino no Afeganistão é um ato considerado normal no país. A reportagem é do Washington Post.

A sociedade conservadora afegã prega que a relação homossexual é errada e contra a lei de Deus, algo que ficou bem claro na declaração do pai de Mateen. Ele disse estar triste pelo ato do filho porque Deus é quem deve punir os homossexuais.

A cena de homens bem afortunados acariciando meninos foi presenciada por jornalistas ocidentais e por outros visitantes no Afeganistão. Esse comportamento é aceito como uma prática comum. No entanto, não é visto ou condenado como comportamento homossexual.

A história de vida de Mateen mostra que ele já apresentava problemas. Sua ex-mulher diz que ele batia nela constantemente, seus colegas de escola disseram que ele sofria bullying e que se divertiu com os ataques de 11 de setembro. No entanto, apesar de ter nascido nos Estados Unidos, as mensagens de sua cultura nativa podem ter influenciado seu comportamento confuso e agressivo.

O antigo repórter do Post Ernesto Londono investigou o que outros ocidentais também presenciaram: a prática de homens mais velhos comprarem e manterem meninos dançarinos, conhecidos como bacha bazi. Esta prática inclui o abuso sexual infantil e a pederastia.

O próprio exército americano relatou casos semelhantes quando estava em unidades afegãs. Seus superiores, no entanto, diziam para os soldados ignorarem os casos para não ofender as autoridades militares afegãs, que eram seus parceiros na guerra contra o Talibã e a Al Qaeda.

Na cultura afegã, os casamentos são arranjados, os noivos só podem se ver poucas vezes antes do casamento e sempre cercados de parentes. As meninas são vendidas como esposas para homens bem mais velhos. Quando casais jovens se apaixonam, eles são separados à força e casados com outras pessoas. Se eles fugirem, os dois podem ser mortos por desonrarem suas famílias.

Com o acesso à internet e a celulares, os jovens afegãos, que antes eram isolados da cultura ocidental, podem ver o nosso modo de vida liberal assim como acessar pornografia. Com a tecnologia, as mensagens se misturam e as tentações se multiplicam. Quando eles são expostos a realidades bem diferentes, como a homossexualidade declarada, nem todos sabem lidar com a possível mistura entre fascinação e repulsa.

Fontes:
The Washington Post-How Afghanistan’s mixed messages on homosexuality play into the Orlando shooting debate

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