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Agenor Fagundes na Editoria de Turismo

Visitando o Chile II

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Esta excursão é espetacular, mas somente a última parte que é a contemplação dos flamingos. A primeira parte é uma visita a um povoado sonolento (como se poderia mesmo esperar do interior do Chile, quase fronteira com a Bolívia) e percorrer um pomar irrigado por um sistema original, que é uma raridade no deserto. Ocorreu que nossa guia pouco experiente foi seguindo em frente e deixou literalmente a metade do grupo pra trás perdido num labirinto e tivemos de gritar para sermos reconduzidos ao grupo principal. Seguiu-se a isso mais uma longa caminhada por algumas dunas sem grandes atrativos e a surpresa foi encontrarmos uma pastora de “lhamas” — uma das quais se aproximou bastante de nós, ainda desconfiados das intenções amistosas ou não de um animal estranho para nós.

Dali pegamos a van e fomos para a lagoa dos flamingos ao pôr do sol. Uma das características do deserto é fazer bastante calor durante o dia e frio e vento à noite. Esta contemplação dos flamingos já foi com agasalhos “corta-vento”, sobre as camisetas leves que levamos durante o dia. A guia arrumou um telescópio para vermos de perto os flamingos, mas o mais emocionante é vê-los dando vôos sobre nossas cabeças e exibindo sua elegância rara e os tons rosados. Ponto para o Criador que conseguiu concentrar tanta beleza num pássaro.

Agenor FagundesO retorno, já de noite no escuro, é propício para um bom cochilo na van até chegarmos ao hotel para jantar. No dia seguinte já tínhamos programado o passeio do Vale da Morte, que, na verdade, é um erro de denominação: originalmente chamava-se Vale de Marte, mas os nativos tiveram dificuldade de acertar o nome e Marte virou Morte. Para quem já viu alguma foto de Atacama, é aquilo mesmo que se presencia; é como se você de fato estivesse passeando em Marte e como atualmente há fotos reais de Marte disponíveis, não se trata de ficção científica. Não, caro leitor, não encontramos nenhum marciano, mas tampouco os americanos que mandaram expedição ao planeta vizinho encontraram até agora.

No longo e parcialmente cansativo passeio vai-se deparando o explorador com os diferentes ângulos e inclinações solares, terrenos e cores diferentes, variando dos cinzas, dos terrosos, dos brancos, enfim, uma paleta original quase indescritível. Num dos pontos do passeio, precisamos descer dunas de areia bastante íngremes, em areia quente, um bom teste de equilíbrio para o explorador. Um bom almoço, excelente para ser sincero, nos esperava no hotel, seguido de uma “siesta” reconfortante e restauradora, uma vez que a próxima excursão saía somente às 17h30m e consistia numa cavalgada leve, a passo, pelo circuito do oásis, passando em parte pelo deserto.

Os cavalos lindos e sadios, mas o roteiro poderia ter sido mais bonito, talvez a validade da excursão fosse um primeiro contato mais ameno com o cavalo. No dia seguinte, às 8h já estávamos em nova excursão, muito bonita e culturalmente interessante. Durante uma hora, uma van nos levou até um cânion, onde no fundo passa um filete de água que é o rio Atacama, que vai se juntar com rio Grande (outro filete, mas o leitor precisa se lembrar que estamos no deserto mais árido do mundo).

Ao se chegar ao cânion, o guia nos mostra várias inscrições rupestres com cerca de mil a 500 anos de idade — onde estão retratadas as passagens das caravanas dos viajantes com suas lhamas, e aparentemente construíram locais religiosos de agradecimentos às divindades pelo sucesso da viagem até aquele ponto, e pedindo proteção para uma chegada segura ao seu destino.

Agenor FagundesEste passeio exige levar uma sandália que possa ser alternada com o tênis para algumas travessias do rio, que são feitos pelo menos uma dezena de vezes. Neste momento é indispensável lembrar que o explorador deve ter os seguintes “equipamentos”: um excelente tênis de caminhada de última geração bem adaptado ao pé de cada um (lembre-se de comprá-lo alguns meses antes e usá-lo até ter certeza plena que é o melhor, pois as caminhadas são longas e tudo que se quer evitar são bolhas ou calos doloridos nos pés). Um chapéu leve (que não seja boné que deixa as orelhas de fora, queimadas ficam “uma gracinha”). Uma mochila para levar garrafa de água, fornecida pelo hotel, um casaco leve tipo corta-vento, muito filtro solar de qualidade, tipo fps 40, bálsamo para os lábios não racharem, bom hidratante pós-sol, gel nasal hidratante, Tylenol, aspirina ou equivalente para dor de cabeça por conta da altitude, por precaução.

Já falamos sobre a altitude, que será uma questão de ambientação pessoal ou em casos mais complexos de prevenção médica com antecedência em relação à viagem. Eu mesmo, por via das dúvidas e experiência anterior, preferi ficar no meu limite em 2.500 m mesmo, inclusive considerando que as dificuldades da atividade física que requer uma demanda de oxigênio diferente do nível do mar carioca. Mas chega de recomendações e vamos mais para os passeios propriamente ditos.

(Continua, não percam os próximos e emocionantes capítulos da aventura.)

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4 Opiniões

  1. Pedro Boh disse:

    favor indicar onde acho a primeira parte do artigo já que esta é a segunda

  2. Da Redação disse:

    Prezado Pedro,
    basta acessar o link relacionado em "Leia também".

  3. Pedro Boh disse:

    A redação: agradeço a explicação, mas penso que seria melhor colocar no ínicio alguma menção, note que o artigo começa sem fazer ligação com o anterior, ficou uma frase solta sem continuidade, não foi imediato descobrir; o artigo termina com (continua…) Assim o artigo deveria começar com (continuação de capítulo anterior, dando o link) Desculpe o comentário é que sou internauta de carteirinha. A propósito, para onde vão mandar o A Fagundes da próxima vez. E o F Magalhães, não viaja mais? Um abraço, P Boh

  4. Alceu Batista disse:

    Vou viajar na semana que vem e preciso das interessantes dicas do seu articulista, quando sai a próxima, ele ficou só no Atacama ou visitou outras partes do Chile?

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