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Agenor Fagundes na Editoria de Turismo

Visitando o Chile III

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Os avisos e precauções são necessários, mas não devem impedir o prazer de descoberta e do novo. Bom, voltando do passeio pelo cânion, outro almoço restaurador — com comida light, bem entendido, seguido de uma “siesta” para preparar o próximo passeio. Às 17h30m saímos em van (o grupo de exploradores varia de seis a dez pessoas), desta vez para mais o conhecido Vale da Lua. Este vale não deixa dúvida sobre a semelhança com o que identificamos como as paisagens lunares, inclusive o chão de sal branco. Na verdade, não é um sal de cozinha, mas um mineral onde predomina o salitre.

Tudo realmente muito bonito, como se estivéssemos num cenário de cinema feito em Hollywood, só que verdadeiro. As diversas tonalidades ferrosas, terrosas, de tons alaranjados e rosados, ainda mais já ao pôr-do-sol, torna este passeio um dos mais marcantes de Atacama. Como neste dia o grupo todo estava bem cansado e o próprio guia naquela manhã tinha guiado uma excursão a um vulcão a muitos metros de altura, ficamos mais na contemplação do que na atividade esportiva, embora tenha sido uma caminhada de 45 minutos.

Todas as explorações têm interrupções para beber água, por conta da necessidade de hidratação pelo clima extremamente seco e em alguns momentos distribuem-se alimentos muito energéticos como chocolates, barras de cereais, nozes, avelãs e sucos de frutas, principalmente um muito saboroso de frutas vermelhas e pouco comum no Brasil. Também oferecem um suco que parece de graviola, o nome local parece ser atemoia.

Atacama é conhecido como um lugar que chove ou fica nublado pouquíssimos dias por ano, daí ser uma base para instalações de observação astronômica. Além da ausência de chuvas, contribui a altura e o fato do povoado ficar bem distante de centros urbanos luminosos, o que dificultaria a observação. O próprio hotel tem um observatório astronômico com um telescópio poderoso. Infelizmente, aquela foi uma das poucas noites de céu nublado, o que ensejou uma pequena palestra sobre astronomia de um dos guias, mas no próprio hotel sem observação no telescópio. O rapaz até que foi esforçado, mas depois de um dia de intensas atividades físicas é fácil cochilar durante a apresentação.

O que se destaca de aprendizado é a confirmação de como somos insignificantes diante da imensidão do Universo, numa lição filosófica de humildade e também de probabilidade de não estarmos sós no Universo como seres vivos. Fica clara esta possibilidade na palestra, atenuada com a descrição das fantásticas distâncias de outros sistemas. Contam que no Atacama estão sendo investidos milhões de dólares num projeto internacional para tentar captar sinais de outros planetas. Vamos aguardar os acontecimentos e nos comprometemos a dar notícias em primeira mão aos leitores do O&N sobre os contatos que eventualmente se realizarem.

Agenor FagundesO dia seguinte começou com um belo passeio de bicicleta pelo deserto, saindo às 8h30m em direção a uma lindíssima lagoa turquesa de água muito salgada e gelada, a Laguna Sejas. O trecho total é de 18 km, que devem ser percorridos entre 1h30m e 2h para chegar ao lago para o banho. Este vosso escriba que relata a aventura conseguiu chegar à marca, nada desprezível, um auto-elogio, de 15 km, para quem não tem o hábito de ciclismo. Neste caso eram só três pessoas: a guia e mais duas, com uma opção de conforto: uma van nos seguia com um reboque próprio para levar bicicletas e a qualquer minuto poderíamos desistir e entrar na van, que levava exploradores que não queriam ou podiam fazer o exercício. A chegada à lagoa é impressionante, depois de pedalar tanto por um terreno ora de asfalto, ora de areia fina e por final em dunas de areia mais pesada, que motivaram minha interrupção, pois o esforço era exagerado e a bicicleta parava e perdia-se o equilíbrio.

Agenor FagundesA água deste lago brota do subsolo e é gélida, como comentamos; vai se fazendo uma aproximação caminhando devagar até se chegar num ponto em que a água fica pelo pescoço, pois não se recomenda mergulhar os olhos pela grande quantidade de sal. Como a lagoa é muito salgada (dizem que mais que o Mar Morto), flutua-se imediatamente, o que é uma sensação gostosa. Na chegada, a parada para os sucos, os chocolates e as avelãs, muitas merecidas após 90 minutos de bicicleta. Depois de cerca de 1 hora de banho e bate-papo, sentados a beira da lagoa, o grupo retornou feliz, desta vez todos na van em direção ao hotel.

Desta vez o retorno já tinha uma ponta de tristeza para a perspectiva em almoçar, fechar as malas e fazer o translado para o aeroporto de Calama, a 1 h de carro. Sair com tristeza é um bom sinal de que a temporada foi boa, ou melhor, ótima; ficamos com grandes recordações de uma experiência única, e olha que já temos uma longa estrada de viagens, muito mais, entretanto, na linha tradicional.

Voltando para Santiago, fomos jantar num dos muitos restaurantes de excelente qualidade que a cidade oferece. O bairro mais moderno de Santiago lembra a região sofisticada dos jardins de São Paulo, só que mais tranqüila. Na manhã seguinte, pé na estrada já às 8h em direção a São Fernando, o vale do Colchagua, conhecida como uma das regiões vinícolas mais importantes do mundo, isto mesmo, não só do Chile, uma vez que a produção deste país tem ganhado prêmios de qualidade internacionais que os colocam em níveis muito altos.

(Aguardem na próxima semana o último e sensacional capítulo.)

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3 Opiniões

  1. Patrícia disse:

    Essa fugida de Agenor Fagundes para Turismo foi muito bem-vinda! Estou encantada com o Chile! Ainda quero conhecer a Laguna Sejas!

  2. S Agnew disse:

    Conheço esta lagoa de fato é muito bonita, não tem peixes mas tem o krill, os flamingos se alimentam deles. Sr Agenor, quando o senhor vai recomendar vinhos chilenos, ou esta seria outra coluna deste jornal?

  3. Oprah Winfrey disse:

    O Agenor não viu nenhum filme por lá?

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