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Agenor Fagundes na Editoria de Turismo

Vistando o Chile I

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Voamos de Varig saindo do Galeão às 9h, chegando em Santiago na hora local às 14h15min. Estava nos esperando um guia contratado desde o Rio, que tinha servido anteriormente a amigos nossos. Do aeroporto fomos para um meio passeio de visita a cidade, diretamente aos bairros mais novos e elegantes, evitando o centro, que já conhecíamos. O centro não é especialmente bonito, há uma exceção, o Mercado Central, onde antigamente comia-se bem, segundo dizem, agora não mais.

Os bairros modernos de Santiago não são da mesma organização política: Las Condes, por exemplo, é o mais novo, é um município independente. Demos uma volta, mas na prática estávamos cansados e o melhor foi antecipar a chegada ao Hotel Kennedy, que fica no bairro relativamente novo e elegante chamado Vitacura. O hotel tem este nome porque fica na Av. Kennedy. À noite fomos jantar num restaurante com influência peruana, Astrid e Gastón, que inclusive tem matriz em Lima, Peru.

A comida estava bastante boa, mas os passageiros, ainda excessivamente cansados da viagem para poderem aproveitar integralmente o que se oferecia. Comemos, como é de se esperar no Chile, frutos do mar (corvina e atum), acompanhado de taças de vinho branco (um mais frutado “Chardonnay” e outro mais seco “Sauvignon Blanc”). A variedade de vinhos no Chile é enorme e quase nada de sua complexidade chega ao Brasil. Fomos dormir em seguida, exaustos.

O vôo para Calama, o aeroporto mais perto do Deserto do Atacama, saia às 8h do dia seguinte, o que significava levantar às 5h30min. Outra alternativa mais inteligente, que outros brasileiros que conhecemos escolheram, foi pegar o vôo Rio — Santiago pela LanChile, que chega tarde da noite, de modo que se dorme no próprio hotel do aeroporto, o que economiza transportes de ida e volta para a cidade, o que não é tão simples e barato (US$ 40).

O grande dia amanheceu e às 7h estávamos de novo no aeroporto para pegar o vôo para San Pedro de Atacama. O vôo é curto (1h e 45min) e a Lan é uma boa companhia. Quando atrasa, é questão de dez minutos, o que para o padrão brasileiro representa uma pontualidade britânica.

Agenor FagundesChegamos em Calama às 10h e fomos imediatamente recepcionados pelo próprio pessoal do hotel “explora” (assim mesmo, com minúsculas, trata-se de charme de design). Descrever o hotel não é simples. Primeiro, os hóspedes não são chamados de hóspedes, mas “exploradores” e a atividade é integralmente conduzida pelo próprio pessoal do hotel, isto é, todos os passeios, refeições, bebidas, tudo está incluído e, naturalmente, pago antecipadamente. Caro é um conceito que se refere a uma quantia de dinheiro que se paga por um atendimento que não nos agrada. Justo e adequado é o conceito que mais se aplica ao “explora”, uma vez que é praticamente impossível achar um defeito neste hotel.

O hotel é de design moderníssimo, de muito bom gosto, os guias (quase todos excelentes), a comida é um festival gourmet de nouvelle cuisine; há sempre a opção de duas entradas, dois pratos principais e quatro sobremesas, além do fato de você também poder pedir alguma coisa fora do cardápio original. A carta de vinhos vem com sugestões de harmonização de cada prato, sendo os vinhos servidos provenientes das vinícolas do dono do hotel.

A chegada ao hotel começa com uma explicação geral de um dos guias, mas todos os exploradores já haviam estudado as opções de programas anteriormente no site da Internet. Consta que são aproximadamente 66 opções, é claro que não contando ficar na piscina do hotel, se fazer pequenos passeios de shopping no “centro” de Atacama, um povoado de menos de 2 mil habitantes, mas cuja atividade principal sem dúvida é o turismo — e quanta coisa espetacular e extraordinária para conhecer.

Os programas são divididos em meio-dia e dia inteiro e em caminhadas, cavalgadas, passeios de bicicleta, cada um com uma altura diferente e dificuldade, começando por 2.500 metros de altitude, a altura do hotel até o máximo de 6 mil metros, dos fáceis e tranqüilos aos intensos e muito exigentes. Trata-se de uma experiência de eco turismo, esporte e atividade física, o que combina bem com os cardápios leves e nutritivos que são servidos. Não é brincadeira: para ir ao explora você deve estar previamente muito bem condicionado fisicamente, mesmo para as excursões fáceis.

Agenor FagundesExplico melhor: a proposta é claramente excursionar para apreciar as insólitas paisagens, mas também exercitar os exploradores. Em outras palavras, as caminhadas são geralmente longas para que se aprecie a natureza mas também para promover um exercício benéfico para a saúde, de modo que podemos praticamente integrar um conceito de eco turismo com SPA. Mesmo um passeio que pudesse ser realizado em 1h e 30min, leva três horas para que a atividade esportiva seja integrada.

O primeiro passeio que escolhemos foi a visita do Salar de Atacama, numa pequena lagoa, no meio de um deserto de sal, onde vivem flamingos; assim, o programa é de contemplação do habitat natural destes magníficos pássaros, ao pôr do sol, tendo todo o cenário das diversas cordilheiras em volta. Este passeio começa lá pelas 17h (o sol, nesta época, com o horário de verão local, se põe entre 20h30m e 21h). Não demos muita sorte, pois a primeira e única guia pouco experiente nos coube justamente na primeira excursão.

(Continua, não percam os próximos e emocionantes capítulos da aventura.)

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6 Opiniões

  1. Sadi Lemos disse:

    Quando continua o próximo capítulo? Este terminou no que os americanos chamam de "cliff hanging", o mocinho na beira do abismo, precisamos saber se ele se salvará, fica o suspense no ar.

  2. J. Assis disse:

    Chardonnay frutado e Sauvignon Blanc seco? Será que o colunista de vinhos deste jornal concorda?

  3. Dorival Silva disse:

    Prezado J. Assis, não sou colunista de vinhos mas o Chardonnay sempre me pareceu com gosto de frutas. E qual o problema com o Sauvignon Blanc seco?

  4. Ismael Franz disse:

    A Redação
    Esta matéria sairá em capítulos tal como aquelas do Fernando Magalhães? Estou planejando uma viagem ao Chile e gostaria de ter todos os detalhes que o narrador apresenta. Desde já agradecido, Ismael

  5. Da Redação disse:

    Prezado Sr. Ismael,
    A Redação publicará as aventuras de Agenor Fagundes no Chile em prováveis quatro capítulos semanalmente.

  6. Márcia Bernardo disse:

    olá. parabéns pela materia, além de cultura é ótimo para quem está pensando em viajar,se for possível queria todos os detalhes desta viagem para poder me guiar qdo viajar ao Chile, e não perder as maravilhas.
    Obrigada.

    Márcia

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