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SEGUNDO MANDATO

Xi Jinping monta sua base governamental

Em sua preparação para o segundo mandato, o presidente Xi Jinping escolheu figuras pouco convencionais para ocupar os primeiros escalões do governo

Xi Jinping monta sua base governamental
Xi eliminou a obrigatoriedade de aposentadoria após determinada idade para membros do governo (Foto: Kremlin)

O presidente Xi Jinping foi reeleito por unanimidade para seu segundo mandato na reunião anual do Congresso Nacional do Povo. Jinping acumula os cargos de chefe da Comissão Central Militar e de secretário-geral do Partido Comunista da China (PCC). Seus pensamentos políticos foram incluídos no texto da Constituição, assim como os de Mao Tsé-Tung. Por isso, é difícil descrever o mérito e o poder dos recém-nomeados para os cargos de vice-presidente e vice-primeiro-ministro de seu governo.

Assim como retirou da Constituição o limite de dois mandatos consecutivos para o presidente, Xi eliminou a regra da obrigatoriedade de aposentadoria após determinada idade para membros do governo, como uma forma de nomear Wang Qishan, um aliado íntimo, como vice-presidente. Wang destacou-se nos últimos cinco anos como diretor da Comissão Central de Inspeção Disciplinar, o órgão criado por Xi para combater a corrupção no país. Aos 69 anos, ele renunciou no ano passado ao posto de membro do Comitê Permanente do Politburo, o órgão que reúne os principais líderes do PCC. Wang é a primeira pessoa que não pertence ao Politburo a ocupar o cargo de primeiro-ministro desde 1998.

Sob o comando de Wang, a vice-presidência deixará de ter um papel meramente protocolar. Ele será o principal interlocutor com os Estados Unidos, em um momento difícil de uma possível guerra comercial entre os EUA e a China. Wang ganhou o apelido de chefe do Corpo de Bombeiros da China por ter solucionado problemas de extrema complexidade. Em 2003, ele liderou a campanha de combate à epidemia da Síndrome Respiratória Aguda (SARS) em Pequim, e durante a crise financeira mundial foi o principal representante do governo chinês junto às autoridades americanas, o que lhe deu oportunidade de construir uma ótima rede de contatos em Washington.

A escolha de Xi para liderar a área econômica da China também fugiu aos padrões tradicionais. Liu He, um homem discreto com ideias moderadas, se tornou o principal conselheiro de Xi em questões econômicas. No cargo de vice-primeiro-ministro, Liu, um intelectual que concluiu o mestrado em administração pública na Universidade de Harvard, irá liderar uma comissão criada no ano passado para supervisionar o banco central e outras instituições financeiras. O perfil de Liu foge ao padrão de um executivo da área financeira, porque dedicou grande parte de sua carreira profissional à Comissão de Planejamento Central do PCC.

Mas nos últimos cinco anos, graças ao apoio de Xi, Liu exerceu um papel importante na execução das reformas econômicas do país. Sob sua liderança, o governo reduziu o excesso da capacidade produtiva das fábricas de aço e carvão, com resultados positivos nos aumentos dos preços e das margens de lucros dos produtores.

Como chefe da comissão de supervisão do banco central, muitos pensaram que Liu seria o novo presidente do Banco Popular da China, em substituição a Zhou Xiaochuan, que se aposentou após 15 anos na presidência do banco. Mas a escolha recaiu em Yi Gang, vice-presidente do banco nos últimos dez anos. Yi, um doutorando em economia pela Universidade de Illinois, com uma experiência de vários anos como professor na Universidade de Indiana, é um tecnocrata competente, com uma visão mais liberal da economia.

Ao final de sua reforma ministerial, Xi manteve Li Keqiang como primeiro-ministro, mas em um papel secundário. Tradicionalmente, o primeiro-ministro é responsável pela política econômica. Mas no primeiro mandato de Xi ele perdeu grande parte de suas funções. Agora, com a nova estrutura a função de Li se limitará a reduzir a burocracia do Estado.

Com sua nova equipe, sobretudo com seus aliados mais próximos, Wang e Liu, o presidente Xi Jinping dedicará os próximos anos à sua meta de transformar a China em uma das potências mais ricas e poderosas do mundo.

Fontes:
The Economist-China’s President Xi Jinping designates some sidekicks

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1 Opinião

  1. Beraldo disse:

    O Capitalismo de Estado da China Comunista está superando do Capitalismo de Mercado dos EEUU.

    A China é governada pelo PCC – Partido Comunista Chinês e os EEUU pelo PDR – Partido Democrata Republicano, que produz eleições “confusas” pra inglês ver e o mundo assistir, nos moldes do “Premio Nobel” e do ultra super chato “Oscar”.

    Mais chato do que essas ultrapassadas invenções estadunidenses, só o Domingão do Faustão e narração de futebol do Galvão Bueno, com os pitacos do Casagrande e do Arnaldo.

    Tem ainda os comentários do Neto na Band, o Concurso Miss Universo, as Festas Natalinas, a queima de fogos no reveillon e o carnaval, que também já está enchendo o saco há muito tempo (Estação Primeira de Mangueiraaa nootaa deezzz).

    Pobre Brasil Colônia, Eterna Republiqueta de banana e cachaça.
    Pobre Brasil Colônia Eterna.

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