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Yahoo e a violação de dados

Os recentes acontecimentos na Yahoo provocam questionamentos importantes quanto à segurança de seus usuários

Yahoo e a violação de dados
O pedido do governo de rastreamento de uma quantidade tão grande de dados significa o aumento da vigilância (Foto: Pixabay)

Depois de um projeto fracassado de reestruturação administrativa, a Yahoo confirmou no mês passado os relatos referentes à violação sem precedentes de dados de usuários por hackers. Em 4 de outubro, a empresa mais uma vez se viu envolvida em problemas quando a agência Reuters divulgou a notícia que a Yahoo tinha desenvolvido um software personalizado para pesquisar todos os e-mails recebidos com determinadas palavras-chave, a pedido da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA ou do FBI.

A Yahoo reagiu à acusação alegando ser uma empresa que cumpre as leis do país. Mais tarde, declarou que o artigo da Reuters não só era “capcioso”, como também a pesquisa nas contas dos usuários descrita “não existia nos sistemas da empresa”. Porém foi uma negativa apenas parcial, que não excluiu a possibilidade de a Yahoo ter feito algum tipo de rastreamento. Segundo a Reuters, o diretor de segurança da informação da Yahoo, Alex Stamos, se demitiu da empresa em 2015 por causa da decisão da CEO, Marissa Mayer, de obedecer a uma ordem de uma agência do governo.

Mesmo a possibilidade de espionagem em tempo real provoca questionamentos importantes. O pedido do governo de rastreamento de uma quantidade tão grande de dados significa o aumento da vigilância. Nesse caso, seria uma medida contrária aos esforços do Congresso de reprimir esses programas, depois das revelações em 2013 de Edward Snowden, um ex-agente da NSA, da existência de espionagem online.

Em segundo lugar, a suposta pesquisa nos e-mails reforça as preocupações relativas à maneira como a Yahoo trata os dados de seus usuários. Em setembro, surgiu a notícia que hackers, talvez por iniciativa do governo, violaram em 2014 detalhes de mais de 500 milhões de contas de usuários, como números de telefones, datas de nascimento e senhas criptografadas. Algumas pessoas criticam o fato de Marissa Mayer, apesar de ter conhecimento da violação desde julho, não ter feito uma declaração pública.

O terceiro questionamento refere-se ao reflexo desses acontecimentos na compra da Yahoo pela empresa de telecomunicações Verizon por US$4,8 bilhões, anunciada no final de julho. Se os executivos da Yahoo houvessem revelado a violação dos hackers durante as negociações, a Verizon poderia ter desistido da compra ou ter oferecido um preço inferior. As acusações de espionagem de e-mails, caso tivessem fundamentos, talvez fossem motivo de negociações posteriores.

Fontes:
The Economist-They’re watching Yahoo

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