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Coreia do Norte ameaça se retirar do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares

Em 12 de março de 1993, a Coreia do Norte negou o acesso dos inspetores da AIEA às suas instalações nucleares e ameaçou abandonar o tratado

Coreia do Norte ameaça se retirar do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares
Os primeiros passos do programa nuclear foram dados em 1965 (Foto: Flickr/NOS Nieuws)

A Coreia do Norte iniciou seu programa nuclear no início da década de 1960, tendo como embrião a Guerra Fria entre URSS e Estados Unidos. Na época, o país era governado por Kim Il-sung, pai de Kim Jong-Il e avô de Kim Jong-Un.

Após o armistício que impôs cessar-fogo na Guerra da Coreia, a Península Corenana ficou dividida em duas partes: a Coreia do Norte, sob influência da URSS; e a Coreia do Sul, sob influência dos EUA.

No intuito de proteger seu aliado, em 1957, os EUA instalaram mísseis dotados de ogivas nucleares na fronteira da Coreia do Sul com a Coreia do Norte. Essa medida fez o governo norte-coreano iniciar seus planos de desenvolver um programa nuclear, projeto que contou com a ajuda dos aliados comunistas URSS e China.

Os primeiros passos foram dados em 1965, quando a URSS forneceu ao Centro de Pesquisa Científica Nuclear de Yongbyon, em Pyongyang, um reator para pesquisas. O urânio usado nas pesquisas era garantido pela própria Coreia do Norte, que dispõe de amplas jazidas do elemento químico.

Em 1970, um segundo reator de pesquisa foi construído. Em 1977, o país negou o acesso de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao primeiro reator de pesquisa.

A Coreia do Norte aceitou assinar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares em 1985. Porém, em 1990, através de imagens de satélite, o serviço de inteligência dos EUA descobriu que o país estava construindo um terceiro reator nuclear. O governo americano passou a questionar o objetivo do programa nuclear e a pressionar por inspeção por parte da AIEA.

Em 12 de março de 1993, a Coreia do Norte respondeu à pressão negando o acesso dos inspetores da AIEA às suas instalações nucleares e ameaçando se retirar do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.

Em 1994, Kim Il-sung morre e Kim Jong-Il chega ao poder afirmando pretender atenuar a crise. Ele chegou a se reunir com o presidente sul-coreano Kim Young-sam para reduzir a tensão entre os dois países. Em outubro de 1994, a Coreia do Norte assinou um tratado com os EUA, onde o governo americano concordou em fornecer a Pyongyang  reatores nucleares para uso pacífico para mitigar os efeitos da crise energética desencadeada no país após o choque do petróleo, em 1973. Em troca, o governo norte-coreano se comprometeu a suspender seu programa nuclear e desmantelar suas instalações.

Contudo, nos anos seguintes, ficou claro que Kim Jong-Il não planejava suspender o programa nuclear, mas sim ampliá-lo. A saída da Coreia do Norte do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares foi efetivada em 2003 e até hoje o programa nuclear do país gera impasse na comunidade internacional.

Fontes:
Veja-O legado de Kim Jong-Il: fome, repressão e temor nuclear
Conjuntura Internacional-Uma Análise sobre o Programa Nuclear da Coreia do Norte e suas Implicações dentro do Sistema Internacional

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