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Fernando Collor renuncia

No dia 29 de dezembro de 1992, Collor renuncia em meio ao processo de impeachment 

Fernando Collor renuncia
Apesar da renúncia, Collor foi condenado pelo Senado por crime de responsabilidade (Foto: Elza Fiuza/ABr)

Após anos de regime militar, protestos e manifestações contra a ditadura, não era de se esperar que o primeiro presidente eleito pelo voto direto sofreria um processo de impeachment.

Em dezembro de 1989, o carioca Fernando Afonso Collor de Mello foi eleito presidente da República vencendo no segundo turno o candidato Lula (PT). Sua vitória teve influência direta do último debate na televisão às vésperas da eleição. Debate que entrou para a história após acusações de que a Rede Globo teria manipulado em favor de Collor, que era o candidato apoiado por Roberto Marinho, ao exibir no jornal nacional um resumo distorcido do debate.

O governo Collor teve o intuito claro de adotar medidas liberais – a menor participação do Estado na economia. Através do Plano de Estabilização Econômica ou Plano Brasil Novo, conhecido como Plano Collor, o governo extinguiu 24 empresas estatais, elevou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), aumentou a taxação sobre os lucros do setor agrícola, reintroduziu o cruzeiro como moeda nacional — em substituição ao cruzado novo –, congelou preços e salários. Além disso, determinou a flutuação do câmbio segundo as tendências do mercado e promoveu a abertura econômica para o exterior, com a redução progressiva das alíquotas de importação.

Mas, uma medida foi decisiva para que o governo Collor não fosse esquecido por aqueles que viveram essa época: o bloqueio, por 18 meses, dos saldos em conta corrente e cadernetas de poupança que excedessem 50 mil cruzeiros.

A partir daí, o governo começou a perder seu prestígio junto a população e inúmeros escândalos políticos começaram a aparecer. Collor foi acusado, pelo jornal Folha de S. Paulo, de ter contratado para trabalhar para o governo, sem licitação, agências de publicidade que haviam trabalhado em sua campanha. O governo foi acusado também de agir em favor da VASP, companhia aérea recém-privatizada pelo governo de São Paulo, beneficiando a empresa com o financiamento de dívidas junto ao Banco do Brasil em condições acessíveis apenas a empresas estatais e dando condições favorecidas também para compra de combustível na Petrobras.

Duas superintendências da Legião Brasileira da Assistência (LBA), presidida pela primeira-dama, Rosane Collor, foram acusadas de fazer compras superfaturadas de cestas básicas. Além disso surgiram denúncias de fraudes também na Previdência Social.

Em junho, começou em Alagoas o conflito que seria o grande causador do impeachment de Fernando Collor. Pedro Collor de Melo, irmão do presidente, que dirigia a Gazeta de Alagoas, levantou suspeitas acerca da origem dos recursos com que o jornal Tribuna de Alagoas, que lhe faria concorrência, fora adquirido por P.C. Farias. Em fevereiro de 1992, Pedro Collor, em entrevista à revista Veja, fez denúncias de corrupção contra o governo de seu irmão e acusou PC de utilizar-se da amizade com o presidente para enriquecer. Em outras edições da revista, Pedro faria novas denúncias com documentos que demonstravam que PC tinha irregularmente pelo menos sete empresas no exterior e apontaria operações ilegais de PC que envolviam o presidente.

O processo de impeachment: 

Diante das denúncias, a Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito sobre as atividades de P.C. Farias e a Câmara dos Deputados aprovou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI).

A secretária do presidente, Ana Acióli, foi acusada de pagar com recursos de PC as despesas da Casa da Dinda, residência de Collor em Brasília.

Sob a liderança da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira dos Estudantes Secundários (UBES), com os rostos pintados, jovens organizaram movimentos contra o governo. Os grupos oposicionistas apresentaram o pedido de impeachment de Collor, baseado nas acusações de que Collor tivera despesas pessoais e familiares pagas com dinheiro de recursos obtidos por Paulo César Farias através de tráfico de influência no governo.

O relatório final da CPI foi aprovado e encaminhado à Procuradoria Geral da República e à Câmara dos Deputados. No dia 28 de setembro, a Câmara aprovou a admissibilidade do processo de impeachment.

O julgamento no Senado realizou-se em 29 de dezembro. Diante da tendência dos senadores a afastá-lo definitivamente do cargo e com medo de perder seus direitos políticos, Collor renunciou. Mas, o Senado continuou o julgamento e o condenou à inelegibilidade e à inabilitação, por oito anos, para o exercício de quaisquer cargos públicos.

Em dezembro de 1994, o STF, alegando insuficiência de provas, absolveu o ex-presidente e Paulo César Farias da acusação de corrupção passiva. Entretanto, o ex-presidente continuou inelegível.

Em 1996, PC Farias apareceu morto, junto com sua namorada Suzana Marcolino, na casa de praia do empresário, em Guaxuma, litoral norte de Maceió (AL). O laudo da polícia informou que o crime foi passional. Depois de atirar no namorado, Suzana teria sentado na cama e dado um tiro no próprio peito. Mas, até hoje, existem especulações sobre o caso. Muitos acreditam que a sua morte foi “queima de arquivo”.

Fontes:
Uol-Collor só decidiu sair horas antes de julgamento, diz porta-voz de renúncia
Infoescola-Fernando Collor de Mello
Politize!-POR QUE COLLOR SOFREU IMPEACHMENT?

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13 Opiniões

  1. Dorival Silva disse:

    Eu já tinha esquecido do olhar de louco, olhos arregalados, dos Collor. Vem da mãe, Da. Leda, que provavelmente o herdou do pai, o gaúcho Lindolfo Collor, ministro da ditadura Vargas.

  2. Dalton C. Rocha disse:

    Foi o Collor, quem nos colocou no mundo moderno.Não fosse por ele e seguindo o que Lula, Brizola, Covas, Ulisses,etc. queriam, anda estaríamos no tempo das carroças, da hiperinflação e sem poder comprar nada importado.Collor podia ter seus defeitos, mas Lula é e sempre foi muito pior que ele.
    Quais as propostas de Lula em 1989?
    1-Não abrir nenhuma importação.Existiam mais de 3.000 importações proibidas no Brasil, quando o Collor assumiu.Tudo, de pregos a automóveis tinha proibição de importação, quando o Collor assumiu.Nosso melhor carro seria o Opala Diplomata hoje.
    2-Manter a reserva de mercado da informática.Se dependesse do Lula, ainda estaríamos no tempo do CP-400 da Prológica e fora da revolução da informática.Lembro que em 1992, 100% da bancada do PT no Congresso votou contra a extinção da reserva de mercado da informática.
    3-Manter a moratória da dívida externa do Sarney.Sendo assim, de 1990 em diante, todas nossas exportações seriam confiscadas ao chegarem ao destino.Aconteceu isto no Peru de 1987 em diante.
    4-Manter controles de preços.Collor extinguiu a SUNAB e Lula a queria ampliar enormemente.
    5-Manter todas as estatais, sem privatizar nenhuma delas.Em 1989, apenas a CSN dava prejuízo de US$1 milhão por dia.
    6-Fazer uma imensa reforma agrária;com recursos sabe-se de onde.
    7-Manter abertos órgãos que Collor fechou:IBC,IAA, Embrafilme,LBA,SUNAB,etc.
    8-Fazer uma política externa anti-americana e pro-regimes anti-americanos ,tais como o de Saddam Hussein no Iraque.
    *********************
    Quanto ao confisco do Collor, há a confissão da petista Maria da Conceição Tavares,em março de 1990, de que o plano deles era o mesmo.Só que o Collor devolveu tudo.
    Quanto à honestidade, o PC Farias era só um moleque comparado ao pessoal do Lula e seus mensalões.
    Collor tem lá seus defeitos, mas ele ainda é menos pior que o Lula.

  3. nadia disse:

    penso que ele só foi bom para o brasil,por que ele abriu o mercado para a importação ,isso ajudou muito o brasil a se desenvolver,mais o resto ,sem comentários

  4. julyara Beltrão Silva disse:

    collor sempre foi um presidente corrupto e que nunca defendeu a classe trabalhista dando oportunidade para os marajás e laranjas,compartilharem para a corrupção no brasil!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. Evandro Correia disse:

    É claro que a morte de P. C. Farias foi queima de arquivo.

  6. Daniel disse:

    A AGENDA COLLOR foi copiada por FHCc e Lula. Ainda vivemos o legado excelente da Era Collor. Qto ao confisco:
    Segundo o acadêmico Carlos Eduardo Carvalho, Professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a medida política executada pelo Governo Collor, que ficou conhecida como confisco, não fazia parte, originalmente, do Plano Collor e tem origens num consenso entre os cadidatos à presidência da época: Collor, Ulysses Guimarães e Lula da Silva. O confisco já era um tema em debate entre os cadidatos à eleição presidencial: A gênese do Plano Collor, ou seja, como e quando foi formatado o programa propriamente dito, desenvolveu-se na assessoria de Collor a partir do final de dezembro de 1989, depois da vitória no segundo turno. O desenho final foi provavelmente muito influenciado por um documento discutido na assessoria do candidato do PMDB, Ulysses Guimarães, e depois na assessoria do candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva, entre o primeiro turno e o segundo. Apesar das diferenças nas estratégias econômicas gerais, as candidaturas que se enfrentavam em meio à forte aceleração da alta dos preços, submetidas aos riscos de hiperinflação aberta no segundo semestre de 1989, não tinham políticas de estabilização próprias. A proposta de bloqueio teve origem no debate acadêmico e se impôs às principais candidaturas presidenciais [6]. Quando ficou claro o esvaziamento da campanha de Ulysses, a proposta foi levada para a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, do PT, obteve grande apoio por parte de sua assessoria econômica e chegou à equipe de Zélia depois do segundo turno, realizado em 17 de dezembro:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Z%C3%A9lia_Cardoso_de_Mello

  7. Markut disse:

    O ON, não tivesse outros méritos, está servindo para refrescar a nossa habitual curta memória dos fatos importantes que aconteceram, há não muito tempo.
    O que falta, e não será facil,é permitir que o grosso da opinião pública tome conhecimento desses fatos, sabiamente empurrados para abaixo do tapete.

  8. JOANNA LISBOA disse:

    eu tinha 5 anos quando tudo isso aconteceu e me lembro vagamente o que ví na tv sobre o assunto. O fato é que O GOVERNO COLLOR é o assunto de minha pesquisa hoje.

  9. Alice disse:

    mas ta bem infornado este site , Fernando Collor de Mello é ALAGOANO! :s

    Da redação: confirmamos que Collor nasceu no Rio em 1949.

  10. Ednaldo disse:

    O povo Brasileiro é burro aceitar fernando color ainda dentro da pulitica, eu achava que fernando color ainda estava em outro pais, ja nao basta tudo que aconteceu no passado como o povo tem memoria curta enquanto esistir idiotas exite os esperto!!!!!!!!!!!!!!!!

  11. Mauricio Fernandez disse:

    Povo de memoria curta! Não fosse Collor viveríamos em meio a um total apagão tecnológico. Seu único erro foi acreditar nos devaneios de sua equipe econômica que avançou criminosamente na poupança do povo. Mas, houve, ainda, uma saída para toda a crise e que lhe foi oferecida; entretanto Collor resolveu por ouvir seus assessores e “antecipou um golpe” sobre o que lhe fora sugerido mandando que todos saíssem as ruas de verde e amarelo. Ele mesmo, Collor de Mello decretou sua própria derrubada. Não foram os políticos, como todos pensam, que corruptos, desavergonhadamente somente se aproveitaram de erros inacreditáveis. Vejam o que acontece hoje e comparem……… simples assim.

  12. Élcio disse:

    A população (Alagoas), demonstra ter mente curta, pois elege um cidadão desse senador, esquecem os grandes problemas económicos que o país viveu, o grande número de suicídios principalmente de idosos que juntaram seu pouco dinheiro e o governo confiscou.

  13. Almanakut Brasil disse:

    Já foi a “bola da vez’ da Rede “Geni” de Televisão!

    Aquela que anda com tudo que é nego torto!

    Lula deixou Collor mais rico

    vejapontocom – 15/07/2015

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