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Morre Machado de Assis

Em 29 de setembro de 1908, morre Machado de Assis, um dos maiores escritores do Brasil

Morre Machado de Assis
De saúde frágil, epilético e gago, Machado de Assis foi criado no morro do Livramento (Foto: Wikimedia)

Machado de Assis é considerado o maior nome da literatura do país de todos os tempos. Autor de romances, poesias e peças de teatro, além de crítico literário, Machado foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Filho do mulato Francisco José de Assis, e da imigrante Maria Leopoldina Machado de Assis, Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, e morreu também no Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1908.

De saúde frágil, epilético e gago, o menino foi criado no morro do Livramento e perdeu a mãe muito cedo. Sua madrasta, Maria Inês, foi quem o matriculou na escola pública, onde concluiu apenas a escola primária. Aprendeu francês com imigrantes da padaria do bairro onde morava.

Em 1855, publicou o primeiro trabalho literário, o poema “Ela”, no jornal Marmota Fluminense. No ano seguinte, tornou-se aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, onde conheceu Manuel Antônio de Almeida, que se tornou seu protetor. Em 1858 começou a trabalhar como revisor e colaborador do Marmota, e lá construiu o seu círculo de amigos, do qual faziam parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.

Em 1861 foi impresso seu primeiro livro, Queda que as mulheres têm para os tolos, mas seu nome aparecia apenas como tradutor. No ano seguinte, tornou-se censor teatral, cargo que não era remunerado, mas possibilitava ingresso livre nos teatros. Começou também a colaborar em O Futuro. O veículo era dirigido por Faustino Xavier de Novais, irmão de sua futura esposa, Carolina Augusta Xavier de Novais. Carolina revelou a Machado os clássicos portugueses e vários autores de língua inglesa.

Em 1863, o escritor lançou o Teatro de Machado de Assis, volume que se compõe de duas comédias, O Protocolo e O Caminho da Porta. Em 1872, foi publicado o primeiro romance de Machado, Ressurreição. No mesmo ano, o escritor iniciou a carreira de burocrata, que seria seu principal meio de sobrevivência durante toda a vida.

De 1881 a 1897, Machado escreveu inúmeras crônicas para o jornal Gazeta de Notícias. Em 1881 saiu também o famoso livro – Memórias póstumas de Brás Cubas, que ele publicara em folhetins na Revista Brasileira nos dois anos anteriores. Em 1882 lançou Papéis avulsos, sua primeira coletânea de contos.

Do grupo de intelectuais que se reunia na Redação da Revista Brasileira partiu a ideia da criação da Academia Brasileira de Letras. Machado apoiou o projeto desde o início e em 1897, ano que se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou por mais de dez anos.

Ao longo de sua carreira, Machado trabalhou como colaborador nos veículos Correio Mercantil, Diário do Rio de Janeiro, O Espelho, A Semana Ilustrada, Jornal das Famílias, O Cruzeiro, A Estação, O Globo, Gazeta de Notícias, além dos já citados.

A obra de Machado de Assis abrange vários gêneros literários. Seu estilo passa do romantismo, como em Crisálidas e Falenas, pelo indianismo em Americanas, e o parnasianismo em Ocidentais, até chegar ao realismo. O brilhante autor escreveu obras memoráveis, como Helena, Iaiá Garcia, Memórias póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro.

Em 1908 publicou seu último romance, Memorial de Aires. Na madrugada de 29 de setembro, morreu em sua casa, na Rua Cosme Velho, deixando um belo exemplo de determinação. O menino pobre terminava a vida como um baluarte da literatura nacional.

 

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2 Opiniões

  1. EDVALDOTAVARES disse:

    DA POBREZA À CONSAGRAÇÃO LITERÁRIA INTERNACIONAL. De origem pobre, o pai era pintor de paredes e descendente de escravos alforriados e a mãe era uma lavadeira açoriana, morando na Ladeira do Livramento, não-branco (mulato), criado por madrasta, tendo apenas o curso primário feito, de forma irregular, em escola pública. A saúde era frágil, epilético e gago, vivendo em uma época em que não existiam cotas paternalistas raciais e de escolas públicas, Machado de Assis é exemplo para negros que se julgam incapazes de passar em vestibular para continuação dos estudos. Machadinho, como era chamado, perdeu a mãe muito cedo e também a irmã mais nova. Ao morrer o pai, sua madrasta foi trabalhar como doceira em um colégio no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro, passando a ser, o futuro escritor, vendedor de doces. O contato no colégio, com professores e alunos, assistindo algumas aulas nos momentos de folga, estimularam-no ao empenho no aprendizado, tornado-se, posteriormente, um dos maiores intelectuais brasileiros ainda na juventude. Com uma senhora francesa, dona de padaria, e com o seu forneiro, aprendeu as primeiras lições de francês, tornando-se fluente ao ponto de traduzir o romance “Os Trabalhadores do Mar”, de Victor Hugo. Também aprendeu inglês, traduzindo “O Corvo” de Edgar Allan Poe. Foi amigo e gozou da admiração do romancista José de Alencar. Assis foi: romancista, contista, cronista, dramaturgo, poeta, teatrólogo e jornalista. Hoje é considerado a maior glória da literatura brasileira. Durante a sua existência ocupou vários cargos públicos, passando pelo Ministério do Comércio, das Obras Públicas, da Viação e da Indústria. Deixou para as futuras gerações uma extensa coleção de obras diversificadas: nove romances e, igual número de peças teatrais, cinco coletâneas de poemas e sonetos. Fazem parte também do seu legado 200 contos e 600 crônicas. De sua autoria é “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, primeira narrativa que caracterizou o primeiro romance retratando uma realidade brasileira. Não pode ser deixada de ser citada a obra “Dom Casmurro” cujo narrador, o autor, é protagonista. Muitos, além de considerá-lo o maior escritor brasileiro de todas as épocas, o coloca na galeria dos maiores escritores do mundo. Na realidade dos dias de hoje, premiada com os borbotões de tecnologia e oportunidades, as conquistas são mais fáceis, e, cotas governamentais protetoras são benefícios inúteis. BRASIL ACIMA DE TUDO! SELVA! EDVALDOTAVARES. MÉDICO. BRASÍLIA-DF.

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