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Morre João Cândido, o Almirante Negro

Em 6 de dezembro de 1969, morre João Cândido Felisberto, marinheiro brasileiro que liderou a Revolta da Chibata em 1910

Morre João Cândido, o Almirante Negro
João Cândido nasceu na Província do Rio Grande do Sul, em 1880 (Foto: Flickr)

Os grandes brasileiros podem ser figuras pouco comentadas nas salas de aula, esquecidas dos livros e da memória das pessoas. Mas alguns deles aparecem na música popular, mesmo que de forma sutil. É o caso de João Cândido Felisberto, militar brasileiro que liderou a Revolta da Chibata no ano de 1910. E a música, de autoria de Aldir Blanc e João Bosco, se chama “O mestre-sala dos mares” – o nome originalmente seria Almirante Negro, porém precisou ser alterado porque a censura julgou que ofenderia as Forças Armadas. Interpretada por Elis Regina, a letra diz: “Há muito tempo nas águas da Guanabara/O dragão do mar reapareceu/Na figura de um bravo feiticeiro/A quem a história não esqueceu”.

Conhecido como o navegante negro, João Cândido tinha a dignidade de um mestre-sala. A revolta em que ele teve destaque é um episódio bastante famoso, o que mostra que os eventos em si são lembrados com frequência. Falta mesmo é dar ênfase a quem fez esses episódios e fazer esses nomes entrarem para a história. O herói em questão nasceu na Província do Rio Grande do Sul em 1880, filho de escravos de uma fazenda, e ingressou na Escola de Aprendizes-Marinheiros do Rio Grande, da Marinha, aos 13 anos.

Em novembro de 1910, quando liderou a chamada Revolta da Chibata, seu objetivo era pleitear a abolição dos castigos corporais na Marinha de Guerra do Brasil. Em outros países essa forma de repreensão já havia sido abolida: a Espanha extinguiu os castigos físicos em 1823, a França em 1860, os EUA em 1862, a Alemanha em 1872 e a Inglaterra em 1881.

A Revolta da Chibata teve vitória ao conseguir que o governo federal selasse o compromisso de acabar com o emprego da chibata – o mesmo que chicote, instrumento utilizado nos castigos – e se comprometesse também a conceder anistia aos revoltosos. Apesar disso João Cândido – designado Almirante Negro pela imprensa nessa época – e os outros envolvidos na manifestação foram presos. Pouco tempo depois, um novo levante entre os marinheiros, ocorrido no quartel da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, foi reprimido pelas autoridades. João Cândido se declarou contra a manifestação, mas assim mesmo foi expulso da Marinha, sob a acusação de ter favorecido os rebeldes. Seria absolvido apenas em 1912. João Cândido morreu em 6 de dezembro de 1969, aos 89 anos, no Rio de Janeiro.

Fontes:
UOL-O Almirante Negro, glória a uma luta inglória

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1 Opinião

  1. Jorge Hidalgo disse:

    Tristes trópicos, como já dizia Lévi-Strauss, não temos memória!!!

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