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Morre Ruy Mesquita, diretor do jornal ‘Estado de S. Paulo’

Um dos nomes mais importantes da imprensa brasileira, Ruy Mesquita morreu em 21 de maio de 2013

Rui Mesquita foi um dos maiores nomes da imprensa brasileira. Ele fazia parte da terceira geração da família Mesquita, uma tradicional família de jornalistas, e comandou o jornal Estado de S. Paulo de 1966 até sua morte em 21 de maio de 2013.

A história da família Mesquita é entrelaçada à história do Estado de S. Paulo. O jornal foi fundado em 4 de janeiro de 1875, pelo jornalista Francisco Rangel Pestana. A princípio, o jornal se chamava Província de S. Paulo. Na época, o Brasil ainda era uma monarquia e o jornal tinha como base ideais republicanos.

Inicialmente, o jornal tinha apenas quatro páginas e a venda dos exemplares era impulsionada pelo imigrante francês Bernard Gregoire, que percorria toda a cidade montado em um burro oferecendo o jornal. A marca usada até hoje pelo jornal é inspirada em Gregoire.

Após a queda da monarquia, em 1889, o jornal passou a se chamar Estado de S. Paulo. Pestana, então redator chefe, se afastou no jornal e foi para Petrópolis, para participar do projeto da Constituição republicana. Foi então que o avô de Ruy, Júlio Mesquita, na época um jovem redator de 27 anos, assumiu a redação do jornal, se tornando diretor em 1902. Ele permaneceu à frente da publicação até a morte, em 1927, quando o pai de Ruy, Júlio Mesquita Filho, assumiu o jornal, consolidando a publicação até a morte, em 1966.

Após a morte do pai, Ruy Mesquita, que já trabalhava no jornal desde 1945, passou a comandar o jornal ao lado do irmão, Julio de Mesquita Neto. A parceria durou até 1996, quando Julio morreu e Ruy assumiu a direção da publicação. Ruy definia o Estado de S. Paulo como um jornal de ideias liberais e democratas. Ele seguia à risca os princípios definidos pela família Mesquita para o jornal. Prova disso, é que assim que assumiu a direção ele declarou que não haveria mudanças na linha editorial. “Nada de fundamental vai mudar, pois nossa linha e nossos princípios permanecem os mesmos”, disse em uma entrevista.

Ruy participou ativamente de importantes momentos para o Brasil e a América Latina. Na década de 1950, auge da revolução cubana, Ruy se tornou o primeiro jornalista brasileiro a entrevistar Fidel Castro. Na época, ele apoiava a revolução e chegou a ser homenageado pelos irmãos Castro. Porém, anos mais tarde, se tornou um crítico contumaz do regime socialista cubano.

Ele também apoiou o golpe que instaurou o regime militar em 1964, se reunindo com militares dias antes do golpe. Assim como o pai e o irmão, ele acreditava que o ato seria em defesa da democracia e contra a ameaça da ascensão esquerdista no país.

Porém, após perceber a ameaça à democracia que os militares representavam, ele passou a criticar fortemente o regime. Foi então que o jornal passou a ser censurado chegando a ter edições inteiras apreendidas. O Estado de S. Paulo foi responsável pela mais emblemática campanha da imprensa contra a censura do regime, colocando poesias e receitas no lugar de matérias que foram censuradas.

Ruy Mesquita permaneceu ativamente no comando do jornal até o fim da vida. Ele morreu em 21 de maio de 2013, aos 88 anos, vítima de um câncer na base da língua. Seu filho, Fernão Lara Mesquita, assumiu a direção do Estado de S. Paulo, mantendo os mesmos ideais da família.

Fontes:
Estadão-Corpo de Ruy Mesquita, diretor de 'O Estado de S. Paulo', é sepultado em SP
Estadão-Cronologia histórica do Grupo Estado

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1 Opinião

  1. Vasco Antonio Duval disse:

    Ruy Mesquita, apesar de se afinar com a linha conservadora da família, tinha um viés irreverente. Esta característica de Ruy levou-o a lançar o Jornal da Tarde, um jornal mais descontraído que à época era tido como “o Estadão de bermuda”, jornal que tinha então grande tiragem.

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