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Papa Leão X lança bula ameaçando Martinho Lutero de excomunhão

Em 15 de junho de 1520, o Papa Leão X tentou conter a rebeldia de Martinho Lutero lançando uma bula papal que o ameaçava de excomunhão

Papa Leão X lança bula ameaçando Martinho Lutero de excomunhão
A excomunhão de Lutero foi efetivada em 3 de janeiro de 1521 (Foto: Wikipedia)

Historiadores costumam descrever a excomunhão de Martinho Lutero como o nascimento do mundo moderno. Lutero entrou para a história como o padre agostiniano que ousou desafiar a doutrina da Igreja Católica dando início a uma reforma que dividiu a religião cristã da Europa em duas, a católica e a protestante, e gerou guerras religiosas que somente cessaram em 1648, após o Tratado de Westfália.

Lutero nasceu em Eisleben, Alemanha, em 10 de novembro de 1483. Filho de camponeses católicos ele teve uma educação rígida. Durante a juventude, ele se tornou professor de teologia e começou a estudar Direito. Porém, ele abandonou o curso para se tornar monge, sendo ordenado padre em 1507.

Em 1510, Lutero viajou a Roma como um dos padres agostinianos selecionados pelo papa para resolver uma disputa entre o clérigo. Lutero ficou desiludido com o que presenciou em Roma. Observando as discussões ele passou a enxergar o clérigo como incompetente, petulante e cínico. A experiência fez Lutero questionar a Igreja Católica.

As dúvidas continuaram a germinar nos anos seguintes. Usando sua experiência em estudos bíblicos, ele passou a traçar sua própria interpretação da bíblia. Essa visão divergia de algumas máximas católicas.

Ele passou a dizer em seus sermões em Wittenberg que padres não tinham poder de conceder perdão. Para Lutero, o perdão vinha de dentro e ninguém seria capaz de conferi-lo a outra pessoa, seja um padre ou um papa. Isso contrariava a visão da Igreja Católica.

Lutero também passou a rejeitar a indulgência, prática em que uma pessoa abastada vendia parte de seus méritos, especialmente na forma de pagamento à igreja, para salvar outra de fé duvidosa. Ele também duvidava que o papa era capaz de retirar a alma de uma pessoa do purgatório se um de seus parentes vivos pagasse.

Ao criticar uma das principais ferramentas usadas pela igreja para levantar fundos, Lutero tornou o embate inevitável. Em 31 de outubro de 1517, Lutero fixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg uma série de críticas à Igreja Católica conhecida como “95 teses”. Em uma das críticas ele desafiou o Papa Leão X a esvaziar de graça o purgatório, já que ele tinha o poder de controlá-lo.

As críticas levaram a Igreja Católica a pedir que Lutero comparecesse a Roma para responder às acusações de heresia. Porém, o príncipe da Saxônia, Frederico o Sábio, interveio e insistiu que a audiência fosse em solo alemão. A audiência ocorreu em 1518, na cidade de Augsburgo. Lutero negou mudar de opinião e ao final da audiência, temendo ser preso, fugiu da cidade.

Suas ideias começaram a repercutir na Alemanha e em outros países da Europa. Para conter a rebeldia de Lutero, o Papa Leão X divulgou em 15 de junho de 1520 uma bula papal ameaçando Lutero de excomunhão caso ele não se retratasse. Em resposta, Lutero queimou a bula e a Igreja Católica efetivou sua excomunhão em 3 de janeiro de 1521.

Após a excomunhão, Lutero casou com uma ex-freira chamada Catarina de Bora. O casal teve três filhos e adotou 11 órfãos. Ao longo da vida, Lutero publicou mais de 400 livros, entre sermões, tratados, comentários bíblicos e livros de catecismo.

Martinho Lutero morreu em 1546, aos 63 anos, vítima de AVC. Seu corpo foi enterrado na igreja do Castelo de Wittenberg, onde 30 anos antes ele havia fixado suas 95 teses.

Fontes:
University of Missouri–Kansas City-The Trial of Martin Luther: An Account

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