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Nos EUA, o ‘Julgamento do Macaco’ condena professor por ensinar teoria da evolução

Em 21 de julho de 1925, professor de biologia foi condenado por violar lei que proibia o ensino da teoria da evolução em escolas do Cinturão Bíblico americano

Nos EUA, o ‘Julgamento do Macaco’ condena professor por ensinar teoria da evolução
Teoria de Darwin despertou a fúria de protestantes fervorosos (Foto: Youtube)

Em 1925, o fundamentalismo protestante estava em alta nos Estados Unidos. Naquele ano, sete estados do país aprovaram uma lei chamada Butler Act que proibia o ensino da teoria da evolução, de Charles Darwin, nas escolas.

A proibição se deu porque as ideias de Darwin contrariavam a bíblia e sua versão da criação do ser humano. Darwin afirmava que o ser humano é uma evolução de um tipo de macaco ocorrida em milhões de anos. Ele expôs sua ideia no livro “A Origem das Espécies”, despertando a fúria de religiosos extremistas que acreditavam fervorosamente que o mundo foi criado por Deus, em seis dias.

Em resposta, eles organizaram uma grande campanha contra o ensino das ideias de Darwin nas escolas, especialmente a teoria que afirmava que o ser humano e o macaco derivavam da mesma criatura.

A campanha foi bem sucedida dando início à lei Butler Act que foi adotada por sete estados americanos: Oklahoma, Florida, Mississippi, North Carolina, Kentucky, Arkansas, e Tennessee. Todos eles faziam parte do chamado Cinturão Bíblico americano, conjunto de estados onde a religião tinha um grande peso na cultura local.

Nos estados onde a lei foi aprovada, professores de biologia que insistiam em ensinar a teoria de Darwin a seus alunos eram levados a julgamento. Ultrajado pela censura, um jovem professor de biologia da cidade de Dayton, Tennessee, chamado John Scopes, decidiu ignorar a lei e ensinar a teoria da evolução a seus alunos, como forma de protesto político. A violação resultou em sua prisão, no dia 5 de maio de 1925.

O julgamento de Scopes recebeu grande atenção da mídia e a União de Liberdades Civis Americana (ACLU, na sigla em inglês) declarou apoio ao professor. O caso ficou conhecido como The Monkey Trial (O Julgamento do Macaco, em tradução livre). Os estados fora do Cinturão Bíblico acompanharam o julgamento, considerando irracional a lei criada pelos fundamentalistas protestantes.

Dois grandes nomes da advocacia foram destacados para representar cada um dos lados. O advogado e político William Jennings Bryan, que concorreu três vezes à presidência do país, representou a acusação, enquanto o renomado advogado de defesa Clarence Darrow foi encarregado da defesa de Scope.

O polêmico julgamento terminou em 21 de julho de 1925, com a vitória da acusação. Scope foi considerado culpado e multado em US$ 100.

Fontes:
BBC-What was the 'Monkey Trial'?

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