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'ZERO AÇÚCAR, ZERO PRECONCEITO'

Anúncio pró-LGBT da Coca-Cola enfurece partidários de Orbán

Vice-presidente do partido do primeiro-ministro Viktor Orbán classificou o anúncio como ‘campanha publicitária provocativa’ e pediu boicote à marca

Anúncio pró-LGBT da Coca-Cola enfurece partidários de Orbán
Coca-Cola respondeu defendendo o direito da pessoas de escolherem seus parceiros afetivos (Foto: Divulgação/Coca-Cola)

O festival de música Sziget, um dos mais importantes da Europa, realiza-se todos os anos em Budapeste, no início do mês de agosto. Este ano, o festival tem como tema a “Revolução do Amor”.

O festival contou com o patrocínio da Coca-Cola. Inspirada no tema “Amor é Amor”, a marca criou cartazes em que gays e casais gays apareciam sorridentes com o slogan “Zero açúcar, zero preconceito”.

A campanha publicitária da Coca-Cola causou indignação em István Boldog, vice-presidente do partido governista Fidesz. Em um comunicado, ele pediu à população que não consumisse produtos da Coca-Cola durante o que ele classificou como “campanha publicitária provocativa”.

Com o crescimento da aceitação da população gay por parte da sociedade húngara, é incerto se o chamado de Boldog surtirá algum efeito. Entretanto, apoiadores do primeiro-ministro húngaro, o ultraconservador Viktor Orbán, criaram uma petição online para retirar o anúncio de Budapeste que reuniu 32 mil assinaturas.

Alguns veículos alinhados à ideologia do governo, que se opõe ao casamento gay, também apoiaram o pedido de Boldog. “Ativistas pró-LGBT estão invadindo Budapeste”, noticiou o portal Pesti Srácok.

Logo em seguida, um porta-voz da Coca-Cola defendeu o multiculturalismo e o direito das pessoas, heterossexuais e homossexuais, de escolherem seus parceiros afetivos.

Viktor Orbán, que alega ser o protetor das tradições cristãs na Europa, se opõe à igualdade de direitos de casais do mesmo sexo, porém defende uma coexistência discreta com a comunidade gay.

Tamás Dombos, um ativista da ONG pró-LGBT Háttér, disse que apesar da visão homofóbica de alguns membros do partido Fidesz, o governo tem consciência da crescente aceitação da sociedade húngara em relação à comunidade gay e ao seu estilo de vida.

“Hoje, dois terços dos húngaros acham que os homossexuais devem viver segundo a orientação sexual deles, uma opinião que mudou ao longo dos últimos 15 anos, quando menos da metade da população pensava dessa forma”, observou Dombos.

No início deste ano, em um discurso no parlamento, um deputado comparou a adoção de crianças por casais gays à pedofilia. Orbán mantém uma atitude discreta no que se refere ao assunto, apesar de se opor ao casamento de pessoas do mesmo sexo e de não reconhecer seus direitos,

Os homossexuais também são hostilizados na Polônia, onde o partido de extrema-direita Lei e Justiça (PiS), em uma tentativa de atrair mais eleitores, sobretudo da região rural, lançou uma campanha na qual distribuiu cartazes e adesivos com a frase “Área livre de gays”.

Leia também: Como Viktor Orbán mutila a história da Hungria

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Fontes:
The Guardian-Pro-LGBT Coca-Cola adverts spark boycott calls in Hungary

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